Os 10 games mais superestimados dos anos 90

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Continuando nossa lista com mais games superestimados dos anos 90. Prepare seu porrete e vamos em frente.

Final Fantasy VII

Sistema: PlayStation
Lançamento
: 1997

"Final Fantasy VII, o maior RPG de todos os tempos"? Uma das maiores crises de nostalgia da história, no máximo.

Quando saiu, FFVII fez um barulho tão grande que o PlayStation tomou de vez todas as lideranças de vendas — inclusive no Japão, onde o Saturn era adorado. A Square, antes amiguinha da Nintendo, andava muito ousada e não queria mais cartuchos, daí chutou a colega e foi experimentar a marmita da Sony. Assim viria a primeira aventura 3D da franquia, com méritos como o uso de cenários pré-renderizados, tendência na geração. E muitas cutscenes, ou cenas intermediárias, que não eram novidade.

O questionamento começa no exagero delas. São três CDS, quase todos entupidos por seus arquivos. Você passa uma c███████a de tempo vendo aquilo; são mais de 40 minutos ao longo do gameplay completo. Assistir a próxima sequência gera mais expectativa — a trama não faz sentido se não assisti-las — do que investigação in-game ou descoberta de novos mapas, como num RPG de respeito. Se você odeia esse lance atual de 50% filminho e um pouco de jogabilidade, bote muito da culpa em FFVII.

Tudo foi na medida marqueteira que a Sony precisava para alardear o "poderosíssimo PlayStation". Buscando um público mais maduro, o design (tanto desenho quanto enredo) não era tão fofinho quanto antes. E aquele mar de cutscenes, que pareciam o cúmulo da tecnologia de ponta, ajudou a vender para sempre a tola ideia de FFVII como maior RPG da história. Talvez o maior ilusionista nostálgico da história, fruto de seu tempo, e nada mais.

Super Metroid

Sistema: Super Nintendo
Lançamento
: 1995

Cavernas, aliens, túneis, cavernas, aliens, túneis, cavern... zZZZzzZZZZzz

O maior game da história. Três horas ou mais de exploração em ambientes monótonos, com inimigos monótonos e som ambiente monótono 💤... É deslumbrante quando alguém começa a endeusar Super Metroid como se fosse o mais inovador, desafiador e sensacional jogo da humanidade. A ambientação é ótima, tem a atmosfera de planetas estranhos e esconderijos alienígenas. Gráficos e sons colaboram. Os caras fizeram belo uso de padrões pra criar visuais envolventes, ainda que simples em certos pontos. Por um tempo, a jogabilidade vale a pena.

Depois começa a cair numa mesmice de desanimar os mais tenazes. Os controles são bons, com alguns movimentos desajeitados até entrarmos no ritmo "cadenciado" da heroína. Mas o design dos níveis é cansativo — agonia ler reviews cravando que SM "levou os gráficos do SNES ao limite". Um chefe final facílimo, inimigos de criatividade suspeita como o infalível alien-grilo e animais marinhos robóticos... E depois da maratona, um final burocrático, sem contar eventos da própria luta (spoiler: "que bunitinho o Metroid ████ █ █████").

Não dá pra negar a influência de Super Metroid para o gênero. E é visível o quanto ambicioso foi. Tirando os óculos da nostalgia, cabe sim entre os grandes do SNES, mas jamais, em hipótese alguma como melhor da história. Pra entrar nesse sagrado panteão, tem que ser classe A em quase todos os aspectos. Super não tem a menor chance de passar de um grande produto de seu tempo, tecnicamente muito bom, mas menos que excelente em certos aspectos.

The King of Fighters '94

Sistema: Neo-Geo
Lançamento
: 1994

Você jogava com o time do Japão e ridicularizava os americanos que eu sei...

Não tanto quanto Street Fighter II, mas sempre gostei de KoF. Achava excelente juntar os melhores lutadores de vários games, num único enredo e jogabilidade. Servia até de marketing cruzado para as outras séries. A SNK foi ligeira.

O que não significa que vou ignorar fatos. Especialmente no primeiro, os reis da luta estavam mais pra baderneiros de rua. Uma mistura heterogênea, desbalanceada, sem muita preocupação com a média dos times. Quem jogava com a Inglaterra se não pra manjar a anatomia dos pixels? Ou o time medonho da China, com Athena "Psyyycho Baaaal" Asamiya? Quem usava aqueles imprestáveis dos Estados Unidos? A maioria ia de Japão ou México mesmo.

KoF94 teve controle mais responsivo e gráficos superiores aos dos games originais de cada personagem. Conseguiram reciclá-los de títulos que, apesar de suas importâncias, jamais lideraram no gênero. A jogabilidade ficou mais acessível, mas o número de personagens realmente "de jogo" não era tão grande. Mesmo assim, a mídia tratou de colocar KoF94 no pedestal. A tradicional Electronic Gaming Monthly o elegeu Melhor Jogo de Luta do Ano — 1994, mesmo do épico Super Street Fighter II Turbo (estreia do Akuma) e de Virtua Fighter 2, infinitamente mais influente e papai de toda essa turminha Tekken-wannabe.

E ainda tinha um X-Men: Children of the Atom pro bolo, se quiserem.

Top Gear

Sistema: Super Nintendo
Lançamento
: 1992

Top Gear (SNES)
Hora de apanhar dos nostálgicos de locadora.

Top Gear estará eternamente na memória dos ratos de locadora dos anos 90, o que é inegável e perfeitamente compreensível. Mas avaliemos com calma.

Despretensioso, quase desconhecido pelo mundo. Como citou o programador Ritchie Brannan falando aqui mesmo ao MB, Top Gear praticamente não é lembrando por ninguém. Só falam dele muito no Brasil, pelos motivos já explicados. Mas na média, é um jogo normalzinho, daqueles nota 5 que você pegaria numa promoção de fim de semana. A música é sensacional, gráficos são medianos, controles idem. Efeitos sonoros fraquíssimos.

A explicação pra tanto sucesso nas locadoras por hora é a curta duração das corridas. O grande barato é jogar em dupla, e nisso ele vale um replay até hoje. Era quase como um jogo de luta, duelos curtos e ligeiros; dava pra passar o controle várias vezes entre a galera. Fora isso, qualquer argumento tentando justificar Top Gear entre os maiores do SNES é pura ilusão nostálgica.

Legend of Zelda: Majora's Mask

Sistema: Nintendo 64
Lançamento
: 2000

Zelda Majora's Mask
Algumas sequências melhoram tanto o original que merecem toda a glória. Não é o caso de Majora's Mask.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time foi um dos games mais criativos e encantadores já feitos. Toda criança até 12 anos devia experimentá-lo. Devia ser matéria de escola, em vez de obrigá-los a ler livros chatos. Falando sério, OoT é tão bom que não merece o séquito de fãs da série o ultrajando, dizendo que Majora's Mask é melhor.

Lançados com uns 2 anos de diferença, MM tem melhoria gráfica, o sistema de dias com viagem no tempo, etc. Mas é curto, menos permissivo em exploração, estranho; em alguns pontos, até assustador, parece um pesadelo bizarro de Link. Ou um spin-off meio psicodélico e obscuro. Não tem aquele brilhantismo e cheiro de novidade de OoT. Em momento algum tem aquele impacto de sair da casa e pela primeira vez, ver tudo que o esperava ao som de Kokiri Forest. O carisma se foi numa tentativa de evoluir e mudar, mas nem evoluiu tanto pra merecer o título de melhor da série, quanto menos melhor da história.

Essa tendência de idolatrar a evolução sobre algo fantástico é a mesma que me faz reverenciar Sonic 2 e não Sonic 3. O que é mais difícil: abrir caminho com algo espetacular, ou fazer upgrade daquele mantendo quase todas as suas características? Não que deva ser achincalhado, mas serve como belíssimo complemento a OoT — esse sim obra-prima que fez o seminal Super Mario 64 parecer um esboço de como fazer um mundo 3D.

 

Pegue seu pau (eita), sua pedra, e que comece a "argumentação" ✌️.

2 COMENTÁRIOS

  1. Atualmente jogo mais jogos antigos do que os Atuais, essa é a verdade!!!! Streets of Rage marcou muito, Mk no fliper destacou muito por causa dos fatalities e Sonic 3 foi outro clássico que melhorou em termos de gráficos e principalmene suas músicas!!!!
    Atualmente estou tentando zerar a versão de Super Metroid: Ancient Chozo e outros clássicos que nos anos 90 eu não tinha condições de comprar e oportunidade de jogar, então vejo que existe muito jogo antigo ainda que não conheço e estou aos poucos tentando jogar. Não penso muito na palavra Nostalgia, jogo porque desejava tal jogo muito na época e infelizmente por motivos financeiros não tive a oportunidade de jogar. Lembro que quando não tinha vídeo game comprava as revistas Video game, Super Game e SGP com o sonho de um dia ter um Neo Geo, Sega cd ou quem sabe Um Playstation...era uma fase da minha vida em que jogava muito 8 bits e vivia em locadoras e fliperamas para jogar os jogos mais atuais e avançados. Bons tempos de Antigamente!!!! Valeu

  2. Você foi muito corajoso de falar de alguns jogos aqui, parabéns, mas só me prometa não falar mais do meu Top Gear. Kkkkkk

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