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Top 10: os games mais caros da história

Jogos de elite hoje custam mais que o dobro dos mais caros do fim dos anos 90.

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Em 1999, durante a produção de Shenmue, falava-se muito sobre o exorbitante valor da produção. Revistas relatavam US$70 milhões; Yu Suzuki disse anos mais tarde que não passou de U$47 milhões para os dois primeiros capítulos. Ainda assim, um assombro que fez o jogo carregar a fama de mais caro da história.

Não era bem o caso. Dois anos antes, Final Fantasy VII já tinha somas de outro planeta. Segundo Tomoyuki Takechi, então presidente da Square, a produção precisou de US$40 milhões, sendo mais de US$10 milhões só em hardware de ponta para computação gráfica. Outros US$40 milhões foram para marketing entre Estados Unidos, Europa e Japão.

Sejam quais forem os números exatos, Shenmue e Final Fantasy VII eram prenúncio de uma tendência reforçada na década seguinte: jogos cada vez mais caros e cifras astronômicasCall of Duty: Modern Warfare 2 saiu em 2009 com US$50 milhões para produção. Num intervalo inferior a quatro anos, títulos como Max Payne 3 e Battlefield 4 dobraram seu custo, mas com uma "pequena" diferença: marketing. Apesar de custar menos, MW2 consumiu nada menos que US$200 milhões só em marketing.

A produção de games ficava mais cara seguindo a evolução da indústria. Antes, equipes minúsculas davam à luz um game de destaque. Yutaka Sugano lembrou que o clássico Shinobi, de 1987, teve um time fixo de apenas seis pessoas. E já era muito: dez anos antes, no auge do Atari 2600, não eram raros games feitos 100% por um único profissional acumulando funções de design e programação. Por outro lado, certos jogos modernos levam de três a cinco anos até chegar ao mercado, envolvendo centenas de profissionais dos mais variados ramos. São milhões de dólares só em salários.

Assim, games outrora entre os mais caros, como Shenmue, figuram hoje numa modesta 35ª posição. Não por coincidência, o mais antigo da lista é de 2004: ignorando correção monetária, nenhuma produção dos anos 90 passa perto da loucura financeira atual.

10 Niko Bellic

Grand Theft Auto IV

• Custo total: +US$100 milhões

Lançado em abril de 2008 para consoles, GTA IV foi aguardado com ansiedade pelo público desde seu anúncio dois anos antes. Com investimento superior a US$100 milhões, a Rockstar dividiu o trabalho entre vários estúdios da casa e conseguiu uma sequência mais realista e sombria para a série, que tinha traços um tanto cartunescos até o episódio anterior. Quebraram vários recordes de venda da indústria de entretenimento, com mais de US$310 milhões no primeiro dia e mais de US$500 milhões na primeira semana.

9 max payne 3

Max Payne 3

• Custo total: US$105 milhões

E tome Rockstar. Max Payne veio para São Paulo após atrasos: programado para 2009, acabou saindo em 2012 com custo estimado em US$105 milhões. Apesar de ser um jogo excelente, do vultoso valor investido e das pesquisas in loco, a Rockstar fez uma salada em que a cidade virou uma filial ainda mais obscura do Rio de Janeiro, com brasileiros falando português com sotaque lusitano e várias outras "licenças poéticas". Mas valeu a intenção...

8 shadow of the tomb raider

Shadow of the Tomb Raider

• Custo total: US$110 milhões (mínimo)

De 2018, Shadow of the Tomb Raider deu sequência à história de Rise of the Tomb Raider. Lara veio não ao Brasil, mas à América do Sul, incluindo a lendária cidade perdida de Paititi, muitos bandidos e os perigos de sempre. O desenvolvimento levou três anos e teve custo mínimo de US$110 milhões, podendo ter chegado a US$135 milhões. Apesar do esforço e de críticas positivas, teve um começo lento e levou alguns meses para vender 4 milhões de unidades. Parece muito, mas a Square Enix esperava algo como o superpopular Uncharted (que ironicamente nasceu inspirado na própria série Tomb Raider clássica).

7 Dead Space 2

Dead Space 2

• Custo total: US$120 milhões

O survival horror de ficção saiu em 2011 após um período de quase três anos de desenvolvimento. Os US$120 milhões gastos entre produção e marketing fizeram dele o quinto jogo mais caro da história na época, apelando até a campanhas de gosto duvidoso se você tem mais de 12 anos mentalmente, como a que o descrevia como "revoltante, violento, tudo que nós amamos num game". Com boa recepção crítica, vendeu 4 milhões de cópias, mas insatisfeita com o resultado (e com as baixas vendas também da sequência Dead Space 3), a EA fecharia o estúdio seis anos depois.

6 Halo 2

Halo 2

• Custo total: US$120 milhões

Publicado em 2004, o FPS da Microsoft foi um dos títulos mais aguardados da geração. Os US$120 milhões valeram a pena para a empresa: Halo 2 seria o mais vendido do Xbox original, com mais de seis milhões de cópias só nos Estados Unidos (e mais 4 milhões pelo mundo), além de garantir prêmios como Melhor Jogo para Consoles e Melhor Som no D.I.C.E. Awards. Um dos pontos mais elogiados foi o sistema de matchmaking, referência para inúmeros games posteriores.

5 Destiny 2014

Destiny

• Custo total: US$140 milhões

O FPS online de 2014 levou quatro anos para ser concluído, e apesar do alto valor de produção e marketing, parece que compensou. Foram enviadas às lojas US$500 milhões em cópias na primeira semana; no ano seguinte, já tinha de 25 milhões de contas registradas — até o fim de 2019 eram cerca de 8 milhões de jogadores ativos, com pico de 292 mil simultâneos em outubro. Sabe-se que Destiny junto com Hearthstone (da Blizzard, subsidiária da Activision) geraram mais de US$1 bilhão. Mesmo assim, a Activision não ficou satisfeita com o resultado e encerrou o contrato com o estúdio Bungie, que fez Destiny.

4 Star Wars The Old Republic

Star Wars: The Old Republic

• Custo total: +US$200 milhões

Lançado em 2011, The Old Republic foi um projeto gigantesco, com mais de 800 pessoas envolvidas e um investimento de US$200 milhões. Apesar de sair do formato original de assinatura para F2P só 11 meses após lançado, o MMORPG da Bioware foi um sucesso absoluto. A produtora estima que até o fim de 2019, tenha feito cerca de US$1 bilhão de receita com ele.

3 call of duty modern warfare 2

Call of Duty: Modern Warfare 2

• Custo total: US$250 milhões

Modern Warfare 2 foi um fenômeno de popularidade. Nas primeiras 24 horas pós-lançamento, em 2009, já tinha vendido 4,7 milhões de cópias — só entre Estados Unidos e Reino Unido. O lançamento nesses mercados foi o melhor da indústria do entretenimento, amealhando US$310 milhões e superando o então recordista GTA IV em quase 900 mil unidades. Até 2014, venderia quase 25 milhões de cópias. Impressionante é que só 1/5 do valor total foi investido no desenvolvimento, e todo o resto em marketing.

2 star citizen

Star Citizen

• Custo total: US$264 milhões (e subindo)

Star Citizen será o game mais caro da história em breve (se sair). Planejado para 2014 via campanha no Kickstarter, a meta inicial hoje soa ridícula: 500 mil dólares. O interesse foi massivo graças ao renome do criador, Chris Roberts, mesmo da série Wing Commander. A meta subiu para US$2 milhões e de novo foi alcançada. O projeto foi crescendo como uma bolha insana. Logo a produtora Cloud Imperium tinha US$15 milhões; vieram novas formas de contribuição e metas, e em 2017, superavam US$150 milhões obtidos.

O mais louco é: seis anos depois do cronograma original, Star Citizen segue em desenvolvimento. E pessoas continuam colaborando no que parece um fluxo infinito de dinheiro e empolgação. Enquanto escrevo essas palavras, a arrecadação supera US$264 milhões, cada vez mais perto de bater a marca de GTA V. Sem novidades, deve acontecer nos próximos dias.

O frenesi é tamanho que milhares de interessados participam de eventos onde encomendam o jogo por 200 dólares; a Cloud Imperium chegou a coletar nove milhões de dólares num único mês, novembro de 2019. Mais de dois milhões e meio de contribuidores esperam o resultado. Pela grana monumental envolvida, é bom que esse resultado seja absolutamente épico. Ou teremos talvez o maior scam da indústria do entretenimento em todos os tempos.

1 GTA V

Grand Theft Auto V

• Custo total: US$265 milhões

GTA V ainda é o game mais caro da história nesse início de 2020. Ainda: como vimos, Star Citizen caminha de forma inevitável rumo ao topo do ranking. O filho mais famoso da Rockstar saiu em 2013 após quase cinco anos de trabalho, envolvendo até mil pessoas. Foi a melhor estreia de qualquer produto de entretenimento, gerando US$800 milhões em receita nas primeiras 24 horas. Em três dias, passava a marca de US$1 bilhão em vendas. Foi o mais vendido da década de 2010 nos Estados Unidos, e mundialmente perdeu só do onipresente Minecraft.

Nada mal para os US$137 milhões em produção e mais US$128 milhões em marketing. Vários recordes vem sendo quebrados desde então; já vendeu mais de 115 milhões de cópias entre todas as plataformas em que foi lançado. Não menos surpreendente que os números é a durabilidade: com seis anos de circulação, GTA V vendia quase 5 milhões de cópias por mês no começo de 2019.

E graças ao cuidado permanente com o GTA Online, como o cassino lançado em julho daquele ano, segue mundo afora com números expressivos para um produto tão antigo. Semana passada, por exemplo, aparecia nas listas de games mais vendidos do Reino Unido: sétimo entre jogos físicos e primeiro em jogos digitais. Sim, primeiro.

Importante: essa lista não considerou valores corrigidos. Nesse caso, as posições e alguns elementos mudariam:

  1. Call of Duty: Modern Warfare (US$298 mi)
  2. Grand Theft Auto V (US$291 mi)
  3. Star Citizen (US$264 mi)
  4. Star Wars: The Old Republic (+US$227mi)
  5. Halo 2 (US$217mi)
  6. Destiny (US$151mi)
  7. Dead Space 2 (US$136mi)
  8. Final Fantasy VII (US$127 mi)
  9. Grand Theft Auto IV (+US$119 mi)
  10. Max Payne 3 (US$117 mi)
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