Games com temática cyberpunk – bem antes de Cyberpunk 2077

Na semana do lançamento de Cyberpunk 2077, vamos aquecer relembrando sete jogos com temática similar.

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Cyberpunk 2077 finalmente chega nessa semana e "cyberpunk" está na boca da geral. Muita gente pode estar se interessando pelo tema agora, mas ainda que menos frequente que fantasia medieval e sci-fi, ele vem sendo explorado em games há tempos.

Criado no início dos anos 80,o termo cyberpunk remete a um futuro distópico – uma proposta de futuro em que as coisas saíram do ideal coletivo. Há grande avanço tecnológico, mas não muito social e político. Limites entre humano e máquina ficaram borrados, com alterações corporais como implantes biônicos e microchips. Têm destaque o uso – e às vezes abuso – de inteligência artificial e as megacorporações como motes para questionamentos morais e sociais.

Personagens centrais de tramas cyberpunk costumam ser desajustados, párias, revolucionários. Ou só pessoas comuns, integradas a um sistema exploratório e que de repente encaram uma jornada reveladora.

Um dos trabalhos impactantes na cultura pop foi Blade Runner, o filme de 1982, embora o impulso tenha vindo de livros (como "Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K. Dick, base para a adaptação dirigida por Ridley Scott e estrelada por Harrison Ford). Daí para jogos de carta e tabuleiro como o Cyberpunk que inspirou o game da CD Projekt e outros videogames foi um pulo.

Vamos então relembrar sete games com temática cyberpunk?

Deus Ex

PlayStation 2 e PC (2000)

deus ex anna navarre not going to hold your hand

Lançado em 2000, Deus Ex foi o primeiro de uma série dirigida por Warren Spector (o mesmo de System Shock), colocando o jogador como JC Denton, agente da UNATCO. Com poderes garantidos por nanotecnologia, Denton enfrenta uma rede de inimigos, envolvendo uma grande conspiração mundial.

Todo em primeira pessoa e misturando elementos de shooter com RPG, com muitas possibilidades e atmosfera envolvente, foi um grande sucesso de crítica, mas nem tanto de vendas. Desde então, aparece com frequência em listas de melhores jogos já feitos para PC. Mais que unidades vendidas, o jogo tem um forte status cult e influenciou mais ou menos séries como Bioshock e Fallout.

Leia também → Reflexões após terminar Fallout 4

Snatcher

MSX, Sega CD (1988, 1994)

Antes de Metal Gear, Hideo Kojima[biografia] presenteou o mundo com duas pequenas joias do cyberpunk: Snatcher e Policenauts. O primeiro, lançado para MSX2 em 1988, foi portado para o Sega CD em 1994 e assim teve a primeira versão no mercado ocidental. Apesar das adaptações no roteiro e gráficos, a essência da trama estava lá.

Adventure com inspiração óbvia chupinhado de Blade Runner, Snatcher conta a história de Gillian Seed, um agente (agentes e policiais com um lado sombrio são um clichezão do estilo) desmemoriado que busca respostas sobre seu passado. Enquanto isso, luta contra ciborgues que roubam a identidade de figurões da sociedade. Se quiser conferir um pouco do jogo, publiquei em 2012 um especial de Snatcher aqui no MB, dividido em quatro partes.

Shadowrun

SNES (1993)

shadowrun snes intro

Mais um convertido do tabuleiro, Shadowrun chegou ao Super Nintendo em 1993 pelo não tão famoso estúdio australiano Beam Software. Uma versão saiu também para o Mega Drive no ano seguinte, mas apesar de situados no mesmo universo, conta uma história diferente. Shadowrun Returns, de 2013, ligou a trama dos dois.

No SNES, o jogador assume o papel de Jake Armitage, um sujeito que acorda na gaveta de um necrotério após ser declarado morto, com uma tremenda dor de cabeça e desmemoriado (outro, note como padrões se repetem). Ele passa a investigar a cidade para descobrir sua identidade enquanto bandidos misteriosos tentam matá-lo por algo que ele ainda não entende. Grande trilha sonora, por sinal.

System Shock

PC (1994)

system shock pc

Mais um que mescla ação e aventura com tiro, System Shock foi lançado em 1994, com produção de Spector. Um dos jogos mais importantes do gênero, se passa em primeira pessoa com jogabilidade não linear, em que as situações de progresso surgem durante a exploração do ambiente. De todos os jogos da lista, seria o menos "cyberpunk" típico, já que pende para um lado de horror não tão comum ao gênero.

A história se passa no ano 2072, numa estação espacial. O protagonista é um hacker que despertou de seis meses de coma pós-implante cerebral, após ter hackeado o sistema de inteligência artificial SHODAN, que controla a estação – sob chantagem de um executivo da corporação TriOptimum. Em 2015, foi lançada uma versão melhorada, System Shock Enhanced Edition.

Flashback

Multiplataforma (1992)

Flashback (1992)

Flashback apareceu em 1992 pelo estúdio francês Delphine, que antes havia apresentado Out of This World (ou Another World) com resultado similar. A animação chamou atenção, lembrando o resultado refinado de Prince of Persia no PC – mas com técnica mais avançada de captura de sprites. Fez sucesso nos consoles. A jogabilidade é aquela peculiar da Delphine: sem HUDs, placares ou "poluição" na tela, a ação se concentra em plataformas, puzzles, coletar itens e tiroteios.

Conta a história de Conrad Hart, desmemoriado (putz...) que começa sendo perseguido numa hoverbike por criaturas estranhas no ano 2142, numa lua de Saturno. Aos poucos ele recupera informações e entende que foi atacado por descobrir a invasão da sociedade por seres híbridos com aliens. Ok, não é muito original, mas funciona.

Syndicate

Multiplataforma, 1993

syndicate-1993

Syndicate, do lendário Peter Molyneux[biografia], é daqueles que saíram pra tudo que é plataforma. Em visão isométrica, o jogador controla ações de um time de até quatro agentes cibernéticos num futuro distópico, tentando aumentar a influência de seu "sindicato". Pode-se, por exemplo, coletar dinheiro através de impostos de territórios controlados, bancar o desenvolvimento de armas e lutar contra agentes de sindicatos rivais.

A trama se passa no ano 2096, num típico cyberpunk. A sociedade foi totalmente controlada por megacorporações que substituíram governos e ditam as regras. Uma das corporações, a EuroCorp, criou um chip que implantado numa pessoa, muda sua percepção das mazelas do mundo e também de ações das corporações – que entram em guerra pelo monopólio na fabricação da tecnologia e consequente controle da sociedade.

Burn:Cycle

CD-i, PC (1993, 1995)

burn cycle cdi

O CD-i da Philips foi um dos videogames menos conhecidos da história, com poucos jogos e menos ainda que mereçam destaque. Burn:Cycle, segundo quem jogou, vale o esforço. Misturando vídeo e ação típica de aventuras point-and-click, apresenta quebra-cabeças e até um lance meio Pac-Man nas partes finais. Tudo é puro cyberpunk, da trama aos cenários, incluindo bares com drogas virtuais, implantes cerebrais, referências à cultura asiática, etc. Um pacote completo.

A trama é complexa e interessante. O jogador controla Sol Cutter, cara com um tipo de microchip cerebral que usa para transportar dados roubados em espionagem corporativa. Durante um "trabalho", Sol é infectado pelo vírus Burn Cycle que vai "deletar" o conteúdo de seu cérebro em duas horas. Sua única chance de viver é fazer o upload de sua consciência num universo virtual chamado Televerse, mas uma falha no procedimento a faz ser dividida em várias personalidades. Ele precisa reabsorver todas para enfim descobrir como se salvar no mundo real.

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