Os 10 games mais superestimados dos anos 90

São e assunto encerrado.

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A nostalgia é linda. Graças a ela, os anos 90 estarão pra sempre em nossos corações de velhotes infantis (no bom sentido). Ali muitos foram crianças e aborrecentes, tiveram a primeira bicicleta, primeira namorada, primeiro emprego. Ah, tempo bom, sem preocupações senão chegar em casa e jogar, depois comer, dormir e jogar mais...

Claro que mais importante que essas bobagens, tiveram o primeiro videogame. Você pousou num mundo novo de tecnologia e diversão, pixelado e cheio de personagens inesquecíveis como Mario, Sonic, Zelda, Lara Croft, Ryu. Nasceram paixões que, não raro, renderam grandes amizades, memórias e momentos.

Legal, mas a nostalgia também tem um lado obscuro.

Ela te prende numa fantasia, esconde imperfeições e fomenta falsas memórias. Mais ainda quando tiozinhos e tiazinhas, saudosos dos "bons tempos", repetem verdades passionais à exaustão. Como a loucura level 99 que Super Metroid foi o melhor game da história. Ou Final Fantasy VII. Ou que Sonic 3 é o melhor da trilogia original 😒.

Discordou? Calma, respire. É só ela, a nostalgia, embotando sua mente, estimulando a ilusão confortável ao seu sentimento. "Mas tem n pessoas que concordam comigo". Como na velha máxima, a mentira contada mil vezes se torna verdade. Tem muito caso assim. Pra desopilar seu espírito nostálgico, confira nossa lista com dez dos games mais superestimados dos anos 90.

Se minha opinião é a verdade absoluta do universo? Claro, o que acha que faço escrevendo aqui senão distribuir a verdade? Nem ouse me contestar.

Streets of Rage

Sistema: Mega Drive
Lançamento: 1990

Streets of Rage
Tire a trilha de Koshiro, e sobra o quê? Um beat 'em up decente.

A Sega abriu os anos 90 com o Mega Drive e a promessa de trazer grandes arcades para casa. Só tinha um problema: um deles era Final Fight. Que era da Capcom. E a Capcom era parceira de quem? Da Nintendo.

Daí veio a resposta como Streets of Rage. Mas uma resposta meio capenga. Três personagens minúsculos, vozes poucas e ruins, controle nada além de razoáveis. Quem jogou lembra da lentidão dos lutadores, e do inferno que era aquele bendito botão A chamando a polícia por acidente o tempo todo. Inimigos ordinários, e o manjado truque de alguns com mero palette swap porque não dava pra colocar mais — coisa que Final Fight também tinha, por sinal.

Sim, tinha bons personagens como Axel e Blaze. Tinha a trilha sonora espetacular, porque Koshiro violentou o áudio do Mega Drive de um jeito jamais imaginado. Estava ali a semente de algo maior, que floresceria no épico Streets of Rage 2. Mas em si, o primeiro SoR pouco passa de mediano. Se é melhor que Final Fight do SNES, foi mais pelos cortes da versão da Nintendo.

Super Mario RPG

Sistema: Super Nintendo
Lançamento
: 1996

Super Mario RPG (1995)
Só fãs hardcore de Mario pra ver SMRPG como o melhor do gênero do SNES.

Quase no fim do Super Nintendo, os RPGs eram meio que sua marca registrada. Vários garantiram lugar na história, como Final Fantasy III, Chrono Trigger, Tales of Phantasia e Earthbound. Então — pensou a Nintendo — por que não ter um RPG com nosso maior mascote? Shigeru Miyamoto concordava, e a Square (que o desenvolveu sob produção do gênio) também queria lucrar mais com mercados fora do Japão.

Daí veio Super Mario RPG, para delírio dos fãs. Batalha, batalha, batalha, um chefe. Uns movimentos especiais. Coletar moedas especiais. Umas gracinhas típicas de Mario & Cia. Okey-dokey. Com o Nintendo 64 chegando, até foi um bom trabalho no 16-bit. Não diremos que ficou ruim, mas cá entre nós, citar Super Mario RPG como maior do Super Nintendo... não dá. Como registro, sequer foi nomeado RPG do ano pela imprensa, glória que ficou com Blood Omen: Legacy of Kain, do PlayStation.

Um ano antes, aí sim, talvez um dos maiores RPGs já feitos, cheio de surpresas, grandes histórias e puro carisma. Se quer adorar um do SNES, adore Chrono Trigger, saúde-o e faça um altar para o cartucho na sua sala. SMRPG é um spin-off bem feito sim, mas que merece menos louros.

Sonic the Hedgehog 3

Sistema: Mega Drive
Lançamento
: 1994

sonic 3 introdução
Por que Sonic 3 seria melhor que o 2, se não tem o mesmo carisma, velocidade, identidade?

Sonic 2 foi tudo que um jogo do Blue Blur deveria ser, mas o primeiro não teve como entregar. Cativante, empolgante, excelente trilha sonora, efeitos, controles impecáveis. Qualquer falha, como a falta de agilidade quando Sonic perde velocidade, foi contornada. O segundo da série é uma das sete maravilhas do mundo dos games, fim de história.

Aí a Sega aparece em 1994 com Sonic 3. O gráfico evoluiu, mas o que fizeram com a jogabilidade? A maior característica do personagem foi pro saco. Você passa um tempão da partida em elevadores e outras traquitanas robótico-orgânicas toscas, e assistindo animações aqui e ali. Legal, mas e aquela velocidade alucinante? Em certa forma, houve também uma descaracterização sonora. Efeitos clássicos foram alterados, e a qualidade da trilha sonora caiu muito — nada daqueles temas inconfundíveis como em Metropolis, Emerald Hill, Chemical Plant ou Sky Chase. Boa parte você joga e esquece em seguida.

Sonic 3, para quem vinha de dois títulos de personalidade tão forte, era uma experiência estranha, quase desconfortável. Você não se sentia mais em casa. Resumindo: nunca será melhor que o 2. Ponto.

Crash Bandicoot

Sistema: PlayStation
Lançamento
: 1996

crash bandicoot 1
Crash é um cara legal, mas nem metade do carisma de Mario ou Sonic. E o jogo era mais hype que qualquer coisa.

A Sega tinha Sonic. Nintendo, Mario. A Sony precisava com urgência de um mascote para bombar as vendas do PlayStation. Achou então o Crash, da Naughty Dogs, um bicho estranho que mistura perfil de humor com maluquice.

Legal, mas se o mascotinho plágio do Taz até é simpático e rendeu uns comerciais divertidos, faltava alguma coisa... Essa coisa, lógico, é a qualidade dos games dos outros mascotes, porque vamos combinar que Crash Bandicoot é 90% saudosismo. Joguinho de plataforma pra passar o tempo, com um personagem legal e que o hype da Sony conseguiu transformar num fenômeno.

Tirando o próprio Crash e mais um ou outro personagem, a linha geral também não passa de medíocre. Lembra aqueles games triviais de plataformas obscuras e/ou irrelevantes como 3DO e Jaguar. Coloque sua nostalgia de lado e jogue de novo, e verá. Mas parabéns pra Sony, de qualquer forma.

Mortal Kombat

Sistema: arcade
Lançamento
: 1992

fatality mortal kombat sub zero
"Nossa, olha aquele jogo ali, quanto sangue". Isso quase resume Mortal Kombat.

Engraçado como lembro perfeitamente da primeira vez que vi Mortal Kombat. Foi logo depois do lançamento, num arcade que algum desavisado (ou seria visionário?) importou e pôs na recepção de uma locadora de filmes. Deve ter sido uma das primeiras máquinas em São Paulo, ao menos fora de grandes arcades, pois boa parte do pessoal simplesmente nunca tinha ouvido falar nele.

Isso ilustra um pouco como era invisível num primeiro momento, diante do monstruoso Street Fighter II, que já estava na versão Champion Edition. Mas na era pré-internet, virou o proibidão. Caras arrancando cabeças, uma gostosa qualquer de collant verde mandando beijinhos incendiários, era o máximo. Os moleques se achavam rebeldes jogando MK. Éramos todos uns virgens de violência — o máximo era um sanguinho pixelado em Splatterhouse, uns tiros em Lethal Enforcers, esse nível.

Não fosse pelos fatalities, Mortal Kombat talvez nem tivesse saído de buracos como aquele: cantinhos dos arcades do mundo. Até um suposto legado na indústria de games é de se discutir. MK deixou influência direta pra quem? Pra lixos tipo Kasumi Ninja, Way of the Warrior e outros não tão sofríveis, mas pouco influentes como Killer Instinct? Alguém pode argumentar sobre o amadurecimento do público, mas era um passo inevitável, com ou sem a criação de Ed Boon e John Tobias.

Música e efeitos sonoros eram excelente, ambientação incrível, digitalizações decentes, etc. Mas imagine o mesmo jogo sem tanta violência, quando Street era o imperador supremo. Não faria um décimo do barulho.

A lista da verdade continua ↓

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