ROM de arcade raro da Atari pode ter sido fruto de furto

Raríssimo arcade apareceu no set do emulador MAME; colecionador alega que a ROM foi obtida sem autorização.

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Entre fãs da emulação, nada é mais empolgante que um jogo dado como perdido ressurgir. Quando um protótipo reaparece, por exemplo, é sempre a mesma história. Um grupo suplica pela distribuição da ROM; outro (geralmente os colecionadores) diz que não, pois desvaloriza o produto. Socks the Cat Rocks the Hill, do Super Nintendo, foi um bom exemplo.

Tal e qual foi com Akka Arrh, arcade desenvolvido pela Atari em 1982. Funcionando como uma espécie de antecessor de Missile Command, acabou cancelado por se mostrar complicado na fase de testes — o controle era um trackball não tão acessível para um produto de massa. Acredita-se que apenas três arcades foram produzidos, e um continua com paradeiro desconhecido.

A existência das máquinas era sabida, mas não havia ROM circulando. Seus donos não queriam extrair os dados e assim permitir a emulação. A explicação é cruel, mas simples: quem pagaria milhares de dólares num arcade se o mesmo pode ser emulado numa reles máquina MAME? Atitude na contramão do propósito de preservação, mas do ponto de vista do dinheiro, lógica. Você pagaria 5 mil dólares num item único, só para distribuir o código e ver o valor despencar?

A comunidade de emulação continuava insatisfeita. As duas únicas cópias restantes de parte da história da Atari estavam inacessíveis ao grande público. Eram exibidas só em convenções, quando poucos sortudos podiam jogá-las além dos donos.

As duas únicas máquinas de Akka Arrh conhecidas até hoje. Teria a ROM sido ilegalmente extraída de uma delas, ou da terceira ainda de paradeiro desconhecido? Imagem: SaleStuff.com

Robin Hood?

Eis que no começo de abril, preservacionistas do grupo The Dumping Union fizeram um grande anúncio: tinham uma cópia da ROM de Akka Arrh. Logo ela foi adicionada à gigantesca coleção do multi-emulador MAME.

Enfim um dos arcades mais raros da história estava preservado e acessível. Mas a história começou a ficar estranha.

O CEO da Dumping Union, que se identifica online como "Smitdogg", disse que o dump veio de um doador anônimo. O usuário "atariscott", do fórum MAMEWorld, fez uma acusação muito séria sobre a origem do arquivo:

Só três máquinas foram fabricadas. Todas estão com colecionadores de elite. Um colecionador teve um técnico que foi trabalhar em alguns de seus jogos. Esse técnico inescrupuloso copiou as ROMs sem autorização. O jogo não estava quebrado e ninguém deveria "consertá-lo". O proprietário está conferindo alguns meses de vídeos de segurança para ver se o pega em flagrante. Essa é a primeira vez que alguém teve, de fato, colhões de roubar ROMs de um colecionador.

Esse atariscott é Scott Evans, um desses "colecionadores de elite". Por acaso, já foi dono das duas máquinas de Akka Arrh, mas teria vendido uma a outro colecionador.

Ou seja: não é uma acusação aleatória de um troll, mas de alguém que inclusive deve conhecer o dono da unidade supostamente violada. Considerando o quanto a ROM distribuída pode desvalorizar o precioso item deles, é de se duvidar que a cópia tenha sido entregue de boa vontade.

Por outro lado, como levantado por Adam Pratt, do site Arcade Heroes, falando ao ArsTechnica:

[...] soa como se algo estivesse faltando... Que um técnico acessaria a coleção de alguém para consertar algo, abriria a máquina Akka Arrh, extrairia as ROMs uma a uma (o que demanda uma máquina específica e um computador), e enfim colocaria tudo de volta no lugar sem ser notado, não parece plausível pra mim.

Há chances de que Evans ou um dos outros dois colecionadores tenham feito um backup da ROM quando tiveram a máquina pela primeira vez, e que aquele backup vazou. Ou que um dos colecionadores tenha finalmente decidido fazer anonimamente o upload da ROM.

Tarde demais

Roubada ou não, a ROM está por aí. Não corre mais o risco de desaparecer num desastre, graças a milhões de cópias mundo afora. Mas o imbróglio está incendiando debates sobre a propriedade dos colecionadores sobre o código-fonte dos jogos que compram.

Alguns alegam que pela extrema raridade, chega a ser insanidade não fazer logo o dump dos dados. Há o risco de um defeito ou catástrofe causar a perda irreversível daquela obra. E se só existissem duas cópias de certo livro no mundo? Seria ético copiar de forma sorrateira uma e distribuir? E se Scott — que chegou a ter as duas máquinas — tivesse um incêndio em casa, perdendo ambas e sua ROM secreta guardada?

Outros defendem que o dono tem direito inalienável sobre tudo, incluindo o código. Se decidisse destruí-la, problema dele, tal como um colecionador pessoal que quisesse comer a Mona Lisa no almoço.

Frank Cifaldi, da Fundação Video Game History, deu sua opinião numa sequência de tweets. Para ele, caso comprovado o furto, foi uma ação "idiótica, de visão curta", já que gostando ou não, muitos itens inéditos estão com colecionadores. Seria preciso construir pontes com eles, não enganá-los, ainda que a preservação seja ótima notícia.

"Como diz o ditado", lembrou Cifaldi, "você não deve defecar onde come, e é exatamente o que se aplica aqui".

VIAGameInformer
FONTEArsTechnica
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