Os jogos mais pedidos e que nunca foram lançados

Não adiantou você pedir, implorar, suplicar: eles jamais chegaram ao seu sistema favorito.

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O ditado diz "quem não chora, não mama". A verdade é que, às vezes, você pode chorar, espernear, gritar o quanto quiser, e não recebe atenção da mamãe — no caso, a mamãe é uma softhouse e a mamadeira, o jogo que recebeu pedidos à exaustão.

Ao longo da história, há inúmeros que a gente implorou (ou foram prometidos), mas não vieram, ao menos não no momento e máquina certos. Exemplo: Street Fighter II para Mega Drive. Saindo no Super NES no mesmo ano do arcade, fãs da Sega esperaram sua vez, esperaram, esperaram...  E jamais saiu, já que teriam, um tanto tardia, a versão Special Champion Edition. A World Warrior ficou na máquina rival, graças a uma velha parceria entre Capcom e Nintendo.

Grandes arcades foram objetos de desejo doméstico jamais satisfeito. Alguns jogos foram prometidos e não cumpridos, como o esperadíssimo Star Fox 2. Outros especulados, como a versão de Resident Evil 2 para o Saturn. E uns, mesmo pedidos enfaticamente pelo público, sequer cogitados, como Shenmue 3 (só muuuito tempo depois) e um port de Red Dead Redemption para PC.

Vamos lembrar alguns dos jogos mais pedidos e nunca lançados?

Phantasy Star (Sega CD)

Phantasy Star - The End of the Millenium
Phantasy Star - The End of the Millenium: jogo quase foi outro, e no Sega CD. Pensando bem, teria sido legal até...

Quando o Sega CD ainda era só Mega CD, recém lançado no Japão, houve grande especulação sobre os jogos. Era um grande avanço técnico, e possibilidades faziam o público sonhar, naturalmente, com sequências e ports. Sucessos do Mega Drive e arcade pareciam certos no dispositivo, como Streets of Rage, Golden Axe e quem sabe um Street Fighter II...

Em termos de RPG, a maior esperança era Phantasy Star — na ocasião, a franquia estava na terceira parte, que não foi exatamente bem aceita.

Leia também → Especial Phantasy Star III.

Phantasy Star IV (ou The End of the Millenium), de 1994, começou planejado para o Sega CD como Phantasy Star: The Return of Alis, com versão também em cartucho. O RPG teria trama envolvendo o comércio de escravos intergalácticos, se desenrolando logo após os eventos de Phantasy Star III.

Mas nunca saiu do papel. A estrela rpgística do sistema foi a série Lunar (mais que recomendada, por sinal). Phantasy Star foi remodelado para o que conhecemos no Mega, num cartucho de 24 megabit, de enredo totalmente diferente.

Street Fighter II: The World Warrior (Mega Drive)

street fighter ii world warrior
O pessoal pediu, implorou, mas nada: a World Warrior nunca chegou ao Mega Drive.

Quatro meses após o arcade varrer o mundo, Street Fighter II foi um dos primeiros super sucessos do Super Nintendo. Aproveitando-se da parceria com a Capcom, a Nintendo conseguiu uma conversão de qualidade. Muita gente que andava indecisa entre qual máquina 16-bit escolher, foi seduzida de vez pela trupe de Ryu.

Enquanto isso, donos de Mega Drive sonhavam, ouvindo todo tipo de chacota. "Mega Drive não tem capacidade de rodar Street Fighter", diziam rivais de geração. Quando finalmente foi anunciada a Special Champion Edition, em 1993, o SNES estava pra receber versão a Turbo, em julho.

Entre abril de 1992 (World Warrior no SNES) e setembro de 1993 (Champion Edition no Mega Drive), muita água passou por baixo da ponte. Com a falta de timing, o Mega Drive acabou nunca recebendo o World Warrior.

Fez falta? Em termos comerciais, muitíssima.

Cadillacs and Dinosaurs (SNES)

Cadillacs and Dinosaurs - especial Hannah
O arcade fez sucesso e parecia natural que chegasse ao Super Nintendo, mas não veio.

Cadillacs and Dinosaurs pintou nos arcades numa época em que fighting games já dominavam tudo. Mas com ação, uma musa, um cara apelão e doideiras tipo dinossauros e laboratórios, conquistou seu público. Era de se esperar que no console que recebera versões de King of the Monsters, Street Fighter, Captain Commando, World Heroes e Final Fight, bons arcades seguissem esse fluxo. Mas por várias razões, não foi o que aconteceu.

Confira nosso review de Cadillacs and Dinosaurs.

Até onde consta, foi um problema legal. O alto valor exigido pela General Motors para voltar a licenciar a marca Cadillac impossibilitou qualquer nova aventura. A Capcom preferiu enfiar o título no baú. O "Cadillacs and Dinosaurs" como marca esteve sob propriedade da GM até 2002, e depois, sabe-se lá o que aconteceu.

Acabou sendo uma daquelas pérolas exclusivas dos arcades, só acessível mais tarde via emulação.

Final Fight (Mega Drive)

Final Fight SNES
Final Fight foi um dos títulos iniciais do SNES e alvo de rivalidade com a série Streets of Rage, do Mega Drive.

Ao contrário de Cadillacs, a série Final Fight começou num grande momento dos beat 'em ups. Lançado em 1989, era praticamente o auge do gênero; quase uma "segunda era de ouro" dos arcades — a primeira e clássica foi com o boom dos shoot 'em ups a partir do fim dos anos 70.

Quando surgiu, FF pegou carona no sucesso de Double Dragon. Tanto que, pelo plano original, seria um fighting 1 x 1, sequência do Street Fighter original. Yoshiki Okamoto cita Double Dragon II: The Revenge como referência, e era um tempo de vários do gênero surgindo com mais ou menos reconhecimento. Por isso, quando saiu para o SNES no lançamento do console, ficava claro seu status: título capaz de erguer uma máquina nova.

Tal como em Street Fighter: The World Warrior pouco depois, os donos de Mega Drive ficaram a ver navios. É verdade que a versão não era lá essas coisas, com restrições incluindo a falta de um dos protagonistas, Guy. Mas ao menos o SNES tinha alguma coisa. Computadores também. Só os seguistas eram obrigados a se contentar com Streets of Rage (nada mal, pensando bem...). Só em meados de 1993 Final Fight apareceu numa plataforma da Sega, o Sega CD. Por sinal, a melhor das versões domésticas.

Mas era tarde. O Megão, em carreira solo, ficou focado em Streets of Rage, o que se confirmou como ótima escolha, ou acaso do destino.

B.C. (Xbox)

bc xbox
Apesar das conhecidas viagens de Molyneux, o jogo parecia ser muito bom.

Criador de clássicos como Populous e Dungeon Keeper, Peter Molyneux ficou marcado tanto pela genialidade quanto por ideias à frente de seu tempo, e por isso, impossíveis de realizar. No começo de 2004, uma de suas pérolas era anunciada para o Xbox: B.C.

Seria uma game de ação e aventura, com o jogador controlando uma tribo num cenário pré-civilização. A meta era desenvolver sua tribo, se defendendo de outras tribos e dos perigos. Haveria seis níveis de evolução, indo de caçadores a alquimistas. Os combates seriam contra criaturas indo de crocodilos e tigres-dentes-de-sabre até dinossauros.

Virou um dos mais aguardados do caixote original. Mas problemas surgiram ainda no desenvolvimento. Molyneux disse que não tinha certeza se conseguiriam produzir o jogo por causa da "natureza muito ambiciosa de gameplay e do alto padrão que as pessoas desenvolvendo estão colocando nele". Claro que só aumentou a expectativa...

Não deu em nada. Em maio de 2002, só havia cerca de 50% concluído; o cancelamento foi anunciado no final de 2004. Molyneux disse que a decisão era muito difícil, "ainda mais num título com tanto potencial como BC". Suas atenções estavam mais voltadas a Fable, já em produção num estúdio-satélite de seu Lionhead, o Big Blue Box Studio.

Sabe qual o pior? Parece que ele tinha razão. Vendo vídeos que restaram, parecia simplesmente sensacional para seu tempo.

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1 COMENTÁRIO

  1. Muitos jogos ficaram mesmo na lembrança e na esperança essa é a verdade!!!! Hoje estamos na era dos Remakes e na época Sega VS Nintendo muita coisa boa não saiu também devido da rivalidade da era 8 e 16 bits. Bons tempos!!!! Phantasy Star ficaria legal mesmo no Sega Cd ou até mesmo no Mega CD que adorava cutscens Anime da vida. Valeu galera!!!!

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