Cinco arcades nunca lançados para consoles

Você até hoje espera algum deles que eu sei...

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Num passado remoto, consoles eram a ponta do iceberg da indústria de games. Por baixo da água, estavam equipes de pesquisa e desenvolvimento das máquinas profissionais, os arcades. Lá surgiam as maiores inovações, que devidamente adaptadas, se convertiam em sistemas para jogar em casa.

Foi assim que, entre outros, Pong deu o pontapé inicial do segmento doméstico. Pouco depois, a placa System 16, da Sega, seria a base do Mega Drive (e em menor extensão, do próprio Neo-Geo). E a Model 1 serviria de inspiração, pelo menos, para o PlayStation original.

Mas o tempo passou e as coisas se inverteram. Logo consoles viraram o centro das atenções, usando componentes mais comuns, se aproximando da arquitetura de PCs. Com tanto investimento de pesquisa, eles é que serviriam de base para arcades. Foi assim com o Saturn e seu gêmeo "arcadeano", o Sega Titan (ST-V), e o Gamecube com a Sega/Namco Triforce. Antes, Sega e Nintendo já lançavam consoles modificados como arcades, como a System E (Master System) e o PlayChoice (NES).

Nesse protagonismo dos arcades, os melhores jogos eram adaptados para consoles, geralmente sob grande expectativa. Mas alguns, mesmo aguardados com ansiedade, jamais chegaram às casas por razões diversas. Eram avançados demais, e para "caber" num videogame, passariam por alterações profundas. Outros tiveram problemas com licenciamentos, ou estavam no timing errado para aproveitar a tecnologia dos consoles, que mudava rápido.

Alguns a gente continua esperando até hoje...

Daytona USA 2

Daytona USA 2
Daytona USA 2: Battle on the Edge (arcade)

Daytona USA saiu em 1993 e conquistou milhões de fãs. Apesar da jogabilidade menos realista que simulador, o sistema de câmbio e a reação de curvas fazia o jogador se sentir dirigindo um stock car. Era tão imersivo que muita gente literalmente viciou, e vários pilotos de verdade adoravam. Rubinho Barrichello é um que curtia muito o Daytona clássico. Foi um dos pilares do lançamento do Sega Saturn, mas a versão decepcionou pelos drawing distances horrorosos e perda gráfica absurda.

A sequência foi lançada em arcades em 1998, montada no poderosíssimo Model 3, hardware até hoje mal emulado. Ele só melhorou o que já era divertido e ótimo, com gráficos ainda mais avançados e sons de motor excelentes. A expectativa era enorme pelo possível port para o Dreamcast.

Mas jamais aconteceu, tanto pela quase falência da empresa na geração, quanto por licenças expiradas com a NASCAR. O console teve apenas Daytona USA 2001, um remake/remaster do jogo original — algo como um Daytona USA 1.5.

Alien vs Predator

fase da invasão alien vs predator
Alien vs Predator fez uma boa mescla das duas franquias. Pena que nunca chegou aos consoles, perdido entre as eras 2D e 3D.

Muito antes do filme e do jogo de 2010, o encontro dos maiores vilões aliens do cinema já tinha acontecido no arcade. Aliás, que arcade... Feito pela Capcom no auge dos jogos de luta, mandaram um beat 'em up de qualidade inquestionável em sua CPS-2 (mesma plataforma de Street Fighter II: The New Challengers e Street Fighter Alpha, por exemplo).

Alien vs Predator teve tudo que a elite do gênero pedia. Sprites grandes, uso de armas, combate, gráficos excelentes. Jogabilidade suave e simples, com muita ação e tão importante quanto: mesclou os roteiros dos filmes muito bem. O público adorou e a imprensa também. Na edição 61 da GamePro americana, ganhou 4 notas máximas, dos cinco critérios avaliados (gráficos, som, controles e diversão). E continua um jogaço, mais de 25 anos depois: meu review aqui no MB alcançou nota média 8.1/10.

Em 1995, chegou a ser cogitada uma versão para o 32X. Mas nunca chegou aos consoles, com apenas um título no Super Nintendo bem diferente, sem qualquer relação. Naquele ano, a transição de tecnologia para gráficos 3D já acontecia, e Alien vs Predator ficou nesse limbo final dos jogos 2D.

F1 Super Lap

f1 super lap arcade
Com um show de pixel art e música bacana demais, F1 Super Lap bem que poderia ter aparecido nos consoles...

Lançado em 1991 como F1 Exhaust Note, o game nasceu como um simulador de F1, mas sem a licença da categoria. F1 Super Lap foi um relançamento dois anos mais tarde, já com a licença, usando nomes reais como Mansell e Schumacher. Rodando no arcade System 32, tinha cabines bonitas, com um volante que lembrava bastante os da Fórmula 1 dos anos 80. Foi também um dos primeiros arcades da Sega com cabines duplas, pouco antes de Daytona USA.

Graficamente, F1 Super Lap é um paraíso do pixel art. Sprites são lindos, carros enormes, arquibancadas, muitos detalhes. É tudo que um jogador de consoles pré-geração 3D sonhava ver em casa. O som é aquela coisa arcade, com músicas vibrantes e efeitos variados e muito altos.

Tal como vários da System 32, porém, nunca teve versão para consoles. O Saturn precisava de games 3D, e a plataforma que parecia fadada a recebê-lo seria o (fracassadíssimo) 32X. No mesmo ano do lançamento de Exhaust Note — 1993 —, a Sega já andava ocupada com coisas como Virtua Racing e Virtua Fighter.

Planet Harriers

planet harriers arcade
Planet Harriers foi a evolução de Space Harrier, com um dos maiores show visuais da época.

Sei, tem muito jogo da Sega nessa lista... Que culpa tenho se faziam tantos bons arcades, ao mesmo tempo em que consoles importantes floparam?

Planet Harriers foi uma boa sequência espiritual de um clássico dos anos 90: Space Harrier. Usando a mesma jogabilidade dos rail shooters de Yu Suzuki, veio em 2000 rodando na Hikaru, placa tão poderosa quanto cara (e por isso, logo substituída pela NAOMI 2, menos parruda, mas mais acessível).

Uma dessas foi rara no Brasil, mas quem jogou no emulador sabe da qualidade. Excelentes efeitos visuais, animação fluida, e mecânicas que mesclam o velho e bom Space Harrier com algo de Panzer Dragoon e After Burner. Sucesso no Japão, chegar ao Dreamcast era mais que esperado.

Como àquela altura a Sega agonizava no vermelho, o Dreamcast sairia de cena no ano seguinte, e uma versão, prometida durante o JAMMA Show, ainda em 2000, miou. Órfãos de hardware, seguistas torceram que aportasse no Gamecube, algo comentado, mas que também não aconteceu. A própria emulação da Hikari é restrita, restando o Demul como única opção de conhecer Planet Harriers.

Cadillacs and Dinosaurs

Cadillacs and Dinosaurs - UZI
Bonito, mas não exatamente um primor gráfico, Cadillacs and Dinosaurs parecia perfeito para um port nos consoles 16-bit.

Lançado em 1992 na CPS 1, por que Cadillacs and Dinosaurs nunca foi aos consoles? Parecia perfeito para sofrer poucos downgrades e pipocar no SNES, ainda mais com a parceria Nintendo e Capcom. O beat 'em up foi o motivo de muita gente cabular aula Brasil afora, com a trama inspirada nos quadrinhos Xenozoic Tales.

Por insólita que pareça, e seja mesmo, a mistura de carrões com dinossauros deu muito certo. O elenco de personagens é bacana, apesar de desequilibrado, assim como o retrato de um mundo pós-apocalíptico com certo humor. Música de primeira, vozes e uma das musas dos games da década, Hannah Dundee. Suportava três jogadores simultâneos, mas ninguém se importaria em perder isso no console, aposto.

Apesar da qualidade acima da média, é fácil perceber que não chegava a abusar dos recursos da máquina. Parecia fácil fácil de portar. Aí entra o problema de licenciamento: a marca Cadillac não é exatamente das mais baratas, e até surpreende que o arcade tenha existido. Não sendo possível a licença para consoles, a série acabou ali mesmo. Houve um game para Sega CD chamado Cadillacs and Dinosaurs: The Second Cataclysm, da Rocket Science Games, sem relação com o arcade da Capcom. E considerando que a empresa não tem mais as licenças, é improvável que a franquia saia do baú algum dia.

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