Microsoft tentou comprar Nintendo – e levou uma risada na cara

Antes do primeiro Xbox, a Microsoft atirou pra todo lado, chegando a tentar a compra da Electronic Arts e depois da Nintendo.

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Pouco antes do lançamento do Xbox original, a Microsoft via o mercado de games com preocupação. A Sony havia estabelecido um domínio feroz e começava a cogitar o ataque sobre outros segmentos. Se usassem o PlayStation 2 como uma central de entretenimento, conectando games, filmes e internet, tornariam-se uma real ameaça ao negócio de PCs.

Foi sob esse fantasma que Bill Gates começou a fazer investidas sobre empresas já estabelecidas. E por incrível que pareça, uma delas foi nada menos que a Nintendo, como relembrou Kevin Bacchus em artigo da Bloomberg.

Um dos líderes do time do DirectX, que ajudou a criar o projeto do Xbox, Bacchus conta que o console quase foi cancelado por desentendimentos sobre seu formato. Gates insistia que ele deveria usar o Windows como sistema operacional, mas em vez disso teve uma versão customizada do Windows 2000.

Aquisições

Designers do Xbox em março de 2000 com o protótipo do console. Primeira fila: Jeff Henshaw e Cameron Ferroni; fila central: Todd Holmdahl, Seamus Blackley e Don Coyner; fundo: J Allard, Doug Hebenthal, Bob McBreen e Gregg Daugherty.

Mas a parte interessante é sobre tentativas de aquisição. Com o Xbox definido para existir, precisavam de desenvolvedores. A Sega caminhava para o fim com o Dreamcast, fazendo a Electronic Arts pular fora. A Microsoft tentou se aproximar, com o chefe de projeto Rick Thompson marcando uma reunião com o presidente da EA, Larry Probst.

"Logo de cara ele foi tipo 'Quem diabos é você? Falo com pessoal da Microsoft há tempos e nunca te vi antes'", contou Thompson. "Então eu disse 'Console' e ele 'Vocês nem sabem o que é fazer um console. Vocês não têm ideia'. Saí da reunião pensando que não tinha ido muito bem".

A explicação era simples: se a Microsoft falhasse e o Xbox fosse um fiasco completo, no máximo seria um grande prejuízo, mas continuariam vivos. Já para a EA o dano poderia ser irreparável. Ninguém no mercado tinha certeza se a Microsoft investiria em videogames com seriedade ou estava tentando só atacar a Sony.

Quando ficou claro que a investida era séria, apareceram os primeiros interessados, como a Tecmo, que colocaria Dead or Alive e Ninja Gaiden no console. Mas a EA não quis saber.

"A primeira empresa que tentamos comprar foi a EA. Eles disseram 'Não obrigado', depois foi a Nintendo", lembrou o executivo Bob McBreen.

Risos da Nintendo

Em 2000, a Nintendo estava em plena criação do futuro GameCube, período complicado em que a Rare se afastava e a Sony parecia ainda mais imbatível com seu segundo PlayStation. A Microsoft aproveitou para tentar dissuadir a Nintendo de lançar outro console: queriam a Big N como exclusiva fornecedora de software do Xbox.

"Tivemos a Nintendo em nosso prédio em janeiro de 2000 para trabalhar nos detalhes de uma joint venture na qual demos a eles todos os detalhes técnicos das especificações do Xbox", disse McBreen. "O assunto era o hardware fétido deles se comparado ao Sony PlayStation. Então a ideia era 'Escutem, vocês são muito melhores no campo dos games com Mario e aquelas coisas todas. Por que não nos deixam cuidar do hardware?' Mas não funcionou".

Steve Ballmer, presidente da Microsoft a partir daquele ano, insistia no negócio e mandou McBreen e outros representantes para uma reunião com o comando da Nintendo, ao menos para saber se eles consideravam a ideia da venda.

"Eles morreram de rir", contou McBreen. "Tipo, imagine uma hora de alguém só rindo de você. Esse foi o tipo de reunião que aconteceu".

Modelos exibem o GameCube na apresentação do console, em agosto de 2000. Sete meses antes, a Microsoft tentou comprar a Nintendo e convencê-los a largar o negócio de hardware. Imagem: Yoshikazu Tsuno/AFP

História antiga

A história não é nova. No livro Opening the Xbox: Inside Microsoft's Plan to Unleash an Entertainment Revolution, de 2002, o presidente da Nintendo da América, Minoru Arakawa, revelou que a proposta não foi levada a sério, a princípio. "Foi uma surpresa, não precisávamos do dinheiro. Pensei que fosse piada". Comenta-se que o valor oferecido chegou aos US$25 bilhões.

Quando perceberam que era real, o negócio não foi descartado imediatamente. Segundo o livro, "alguns executivos da Nintendo pareciam interessados e as reuniões aconteceram por todo o inverno", seis ou sete vezes. Hiroshi Yamauchi teria encerrado o assunto.

"Nossa habilidade de continuar independentes era inquestionável devido a nosso status financeiro", explicou Arakawa. "E ficou claro que nossos objetivos e os deles não eram os mesmos".

Seria a última risada da Nintendo por um bom período, já que o Xbox foi lançado e competindo com o GameCube, tomou o segundo lugar na geração, perdendo em vendas apenas para o PlayStation 2. Anos mais tarde, com o grande fiasco do GameCube, rumores da Microsoft tentando comprar a Nintendo emergiram de novo – dando origem ao hoax do presidente Yamauchi dizendo "Hey Ballmer, why don't you suck my tiny yellow balls?" como resposta à oferta.

A Microsoft também tentou comprar a Square e a Midway, mas se dariam bem com a muito menor Bungie – de lá sairia um dos maiores sucessos do começo do século, Halo: Combat Evolved.

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