A curiosa participação do presidente da Sega no Master System brasileiro

Como lembrou Stefano Arnhold, David Rosen teve pequena, mas importante participação no lançamento do 8-bit no Brasil.

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Apesar do sucesso no Brasil, Europa e Oceania, o Master System não se deu tão bem no resto do mundo. Ao menos nos principais mercados (Japão e Estados Unidos), o desempenho foi péssimo, nada menos que ofuscado pelo Nintendo.

A Sega atribuía parte da culpa pelo fiasco americano a seu parceiro local, a fabricante de brinquedos Tonka. Sem experiência com videogames, não trabalharam bem com distribuição nem marketing. Pra piorar, a Nintendo vinha numa série de ações pesadas de controle de mercado, como a cláusula de exclusividade que impunha a parceiros. Quem quisesse produzir e lançar jogos para NES, não podia fazê-los para consoles rivais. Claro que optavam pelo sucesso (e dinheiro) do Nintendinho.

Cada vez mais insatisfeita com o modelo da Tonka, a Sega assumiu as rédeas do console na América, mas não adiantou. Foi com essa desconfiança em fabricantes de brinquedos que aparece certo dia uma empresa brasileira, querendo licenciar o Master System no Brasil.

Dava pra confiar na tal de Tectoy?

Negócios anteriores em brinquedos, como a pistola Zillion, foram uma porta aberta. Os japoneses resolveram dar uma chance, e o resto você sabe: deu muito certo, virando o melhor mercado do Master.

O palpite feliz

Tudo graças só ao trabalho da própria Tectoy? Lógico que quase todos os méritos são deles, mas como revelou Stefano Arnhold em entrevista ao UOL, um pequeno e curiosíssimo capítulo da história esteve escondido por muito tempo.

Foi a participação do fundador da Sega, David Rosen, no lançamento do Master System brasileiro.

David Rosen (ao centro), com o presidente da Tectoy, Stefano Arnhold (esq) e o chefe de produtos ao consumidor, Dai Sakurai, supostamente em 1985. Crédito desconhecido.

"Tivemos umas coisas muito bacanas", explicou Arnhold. "O Sr. David Rosen é o fundador da Sega. Como sabem, a Sega é uma empresa americana, que foi criada no Japão para servir às forças armadas norte-americanas com aqueles jogos antigos, grandes, de submarino*... Arcades de não sei quantos metros, enfim... Que depois foi vendida para os japoneses. E ele comprou uma casa em Beverly Hills com a venda que..." [expressão de admiração].

* provavelmente referência à Periscope, primeiro arcade eletromecânico fabricado pela Sega, em 1966. Era uma versão single-player de um jogo desenvolvido pela Namco dois anos antes. Com a temática naval/tiro, Periscope foi um novo patamar no gênero: cabine enorme, um oceano em acrílico e navios de plástico com movimento mecânico, excelentes efeitos sonoros, e um esquema de controle inovador.

O estranho não é o presidente da Sega participar de um produto no Brasil. Em si já seria incomum --- afinal, o país tinha representante e a matriz determina metas, mas não faz os planos. O louco é que aconteceu quase ao acaso.

"E olhe o que acontece: ele vem ao Brasil, em algum cruzeiro, e para em Santos", continuou Arnhold. "E o Daniel [Dazcal, um dos fundadores da Tectoy], muito espertamente, mandou o chofer buscá-lo em Santos pra passar o almoço com a gente, almoçar aqui em São Paulo e tal."

Claro que não ficou só no almoço...

Ele veio, se sentou à minha frente e disse "How can I help you?" [risos]. Podia ter falado qualquer coisa, menos essa frase, né? Falei "Bom, estou fazendo aqui o lineup de jogos, entre Pistola Light Phaser, Óculos-3D, jogos de esporte, simulação de direção, de luta, e tal. Você pode me ajudar?". Ele falou "Ah, isso é uma das coisas que mais gosto de fazer". Ele não perdeu o navio por muito pouco. Ficamos não sei quantas horas desenhando o lineup pro lançamento, foi uma coisa assim... fantástica.

Rosen, àquela altura, era um executivo experiente, mas com longo passado empresarial e empreendedor. No Japão, fundou a Rosen Enterprises, que além de cabines fotográficas, máquinas como caça-níqueis e arcades, operou também boliches. Sua empresa se fundiria anos depois com a Service Games, dando origem à Sega.

"Ele achou ótimo porque pôde voltar a botar a mão na massa, e eu aprendi naquela tarde um montão", lembrou Arnhold sobre a experiência. Os relatos podem ser vistos na entrevista do UOL, a partir de 32:10.

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