Listas: sete games que se passam no Brasil

Vários jogos, de indies a grandes produções, foram centrados em cenários brasileiros.

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Desde a chegada do Atari por essas bandas, o Brasil veio se firmando como um dos grandes consumidores mundiais de videogames. Com a alta do dólar e outros fatores, caímos na lista nos últimos anos, figurando na 13ª posição em 2020. Ainda assim, o país segue como o maior mercado do setor na América Latina, com gastos que ultrapassam US$5 bilhões ao ano.

Naturalmente isso desperta atenção das desenvolvedoras, que produzem conteúdo específico para agradar o público local. Talvez o primeiro passo importante tenha sido com Blanka em Street Fighter II, mas além de participações pontuais, o Brasil também já foi cenário principal de vários games. Alguns independentes, como o super regional Incidente em Varginha, enquanto outros tiveram status de superprodução, como o aclamado Max Payne 3.

Relembre ou conheça sete games que se passam no Brasil.

Max Payne 3

PC, PlayStation 3 e Xbox 360, 2012

max payne 3
A São Paulo muito mais violenta e sombria que o normal no jogo da Rockstar.

Max Payne já tinha rodagem, era uma série consagrada quando o terceiro jogo veio parar na América do Sul. Foi o primeiro jogo de tal porte ambientado no Brasil, o que surpreendeu na época do anúncio. Conta a história do velho Max, ex-policial de Nova Iorque, agora o segurança alcoolatra de uns ricaços em São Paulo e com isso entrando em choque com uma facção criminosa – e descobrindo uma trama tétrica por trás de um sequestro.

Bem, São Paulo pelo menos na imaginação de Dan Houser e dos artistas de Rockstar, que fez o jogo. A cidade tem traços da original, mas carrega tanto nos estereótipos que virou uma coisa caricata, com um design geral que serviria a qualquer cidade grande latina típica do imaginário médio americano. Fora o Brasil, outras locações aparecem em flashbacks, como o Panamá e os Estados Unidos.

Incidente em Varginha

Windows, 1998

incidente em varginha
Varginha, aliens, exército americano e muito mais no FPS de produção brasileira.

Um dos poucos da lista feito 100% no Brasil, Incidente em Varginha foi lançado no exterior como Alien Anarchy. O nome entrega a inspiração da trama: o famoso caso da suposta aparição de alienígenas na cidade de Minas Gerais, em 1996, um dos favoritos de ufólogos e fãs de teorias conspiratórias. Produzido pelo grupo Perceptum, é um jogo de tiro com partes específicas em outras cidades além de Varginha, como fases em São Paulo e em São Tomé das Letras. Os produtores Marcos Cuzziol e Odair Gaspar fizeram pesquisas in loco para a produção. Incidente em Varginha quase teve uma sequência mais elaborada, até com apoio da Intel, mas faltou dinheiro e nunca saiu.

Curiosamente, foi melhor recebido no exterior, com 20 mil cópias vendidas; a distribuição nacional não funcionou bem, com não mais que 2 mil unidades. Segundo Cuzziol, a Perceptum foi procurada por um serviço de treinamento militar dos Estados Unidos, solicitando o uso de jogo com conteúdo específico para treinamento de soldados da força especial Delta. Indicaram a NovaLogic, de Delta Force, que fechou o contrato tempos depois.

Shadowrun

PC, Xbox 360, 2007

shadowrun 2007
Santos numa versão futurística e não muito reconhecível sob a clássica marca Shadowrun

Do extinto FASA, esse Shadowrun é um FPS tipo deathmatch de fantasia, sem ligação canônica com os jogos lançados para Mega Drive e SNES na década de 1990. A trama se passa no ano 2031, quando uma força mágica é descoberta, desperta depois de 5 mil anos. Dois grupos lutam para controlar o poder, que parece emanar de uma estranha construção na cidade de Santos, no litoral de São Paulo.

Apesar de situado em Santos, o jogo não tem um design muito preocupado com fidelidade, então não espere reconhecer algo. Os cenários são bem genéricos e fantásticos, com algumas partes de cenários urbanos que remetem a uma cidade latina qualquer, com um forte toque de imaginação futurista. Há referências visuais como banners em português, mas várias em espanhol e portunhol. Típico.

Firefall

Windows, 2014

arclight fortaleza firefall
A Arclight caindo sobre Fortaleza do ano 2223 no f2p descontinuado em 2017.

Desenvolvido pelo estúdio Red 5, Firefall foi um shooter free-to-play disponível entre 2011 e 2017. A história se passa numa futurista e nada reconhecível Fortaleza, no Ceará. Em 2178, a Terra foi atingida por um asteroide que lançou o planeta num longo inverno e acabou com a maioria dos governos mundiais. A humanidade descobre que restos do asteroide tinham uma substância chamada Crystite, fonte de energia quase inesgotável e base de uma "nova era". Descobre-se a origem no sistema Alpha Centauri; naves buscam mais material e logo o Crystite vira base da economia global.

Em 2223, o governo central da Terra planeja construir uma nave mais rápida que a luz chamada Arclight, mas ela falha e cai na cidade brasileira (são forçados a escolher entre deixá-la cair em Fortaleza, matando cerca de 250 mil pessoas, ou no Rio de Janeiro, com mais de 1 milhão de mortes estimadas). Só não contavam que o acidente liberaria uma tempestade de energia misteriosa chamada Melding, que muda completamente a biosfera da Terra, restando só as proximidades de Fortaleza como área segura. O jogador enfrenta criaturas mutantes e perigos ambientais gerados pelo Melding.

Thralled

Ouya, 2013

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Ambientado no Brasil dos anos 1700, o jogo mostra a saga de uma escrava em fuga.

Thralled começou como um projeto na USC's School of Cinematic Arts, a faculdade de game design e artes interativas da Universidade de Southern California. Era parte da tese de mestrado do diretor português Miguel Oliveira, mas descoberto pela equipe do Ouya através de Kellee Santiago, foi parar no console que tinha um hype forte na época.

O jogo se passa no Brasil do século XVIII. A protagonista é Isaura, uma escrava capturada no Congo, que após anos de trabalhos forçados numa fazenda de cana-de-açúcar, foge para procurar seu filho desaparecido. O jogo mistura plataforma com puzzles, que incluem momentos em que Isaura precisa deixar o bebê para mover objetos. Toda a ação inclui o direcional e apenas um botão, com muito foco na narrativa e expressividade do personagem, que não tem diálogos.

Papo & Yo

PC, PlayStation 3, 2012

papo and yo
A favela genérica não tem localização específica, mas coloca a trama no Brasil.

Desenvolvido e publicado pelo estúdio canadense Minority Media, Papo & Yo sai do óbvio de jogos com cenários de favelas, um dos favoritos de jogos de tiro, por exemplo. Aqui a favela desenrola um universo de fantasia, que apesar da temática pesada, vira um jogo bem mais leve, de ação mesclando plataformas e quebra-cabeças.

O jogador controla o menino Quico, que para escapar da realidade de um pai alcoólatra e violento, descobre uma versão onírica de sua vizinhança escondido em seu guarda-roupa. Com ajuda de seu robô Lula e da amiga Alejandra, Quico explora a favela numa série de metáforas sobre seus medos e o vício de seu pai. A jogabilidade básica envolve o Monster – personagem que tanto ajuda quanto fere Quico e que vai esclarecer detalhes da relação paterna do menino.

Flight of the Amazon Queen

Amiga, DOS, 1995

flight of the amazon queen
Com "clichês amazônicos", há forte influência de obras como Indiana Jones.

Desenvolvido pela australiana Interactive Binary Illusions, Flight of the Amazon Queen é uma aventura point-and-click na linha dos populares jogos da LucasArts naquele período. A história é recheada de clichês sobre a floresta amazônica, incluindo tribos e aviões que caem na floresta. A "rainha" em questão é exatamente o avião, do piloto e aventureiro Joe King, que sofre uma série de emboscadas do enquanto tentava levar uma atriz famosa do Rio de Janeiro para seu local de filmagem.

Há influências óbvias de Indiana Jones e Monkey Island. O jogo teve bons reviews da crítica e a versão DOS incluiu dublagem de atores, entre eles William Hootkins, que interpretou o piloto Red Six no Star Wars original e teve participações menores em Caçadores da Arca Perdida e no Batman de Tim Burton. Se quiser conferir, o jogo está disponível no GOG de graça.

1 COMENTÁRIO

  1. Infelizmente essa é a imagem do Brazil com Z: Favelas, pobreza, corrupção e caos total!!!!
    País do futebol, carnaval e zoação!!!! valeu!!!!

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