NES / Famicom Visual Compendium é barrado pela Nintendo

De novo, a Big N detona um projeto de fãs com suas marcas.

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A política feroz da Nintendo a respeito de suas propriedades intelectuais é mais que conhecida por fãs de jogos. De forma sintética, é não pra tudo. "Posso usar suas marcas num livro para fãs", não. "Posso postar gameplays de boa e a gente divide o lucro", não. "Posso...", não. Livro tipo o Genesis Collected Works? Esquece, não. Fangame virando oficial tipo Street Fighter vs Mega Man? Já sabe a resposta.

A nova vítima foi o Nintendo Entertainment System / Famicom: a Visual Compendium, o quarto da linha que já tinha coberto Commodore 64, Amiga e ZX Spectrum. O Visual Compendium segue (seguiria) a linha dos "coffee table books", livro de capa dura com muitas ilustrações e informações sobre clássicos do Nintendinho. Além de artes dos games, teria entrevistas com personalidades do mercado, artes de caixa, ilustrações em pixel art feitas por fãs, galerias fotográficas sensacionais de hardware e muito mais. Tipo de coisa que fã adora e colecionador faz questão de ter, ou fica violentamente tentado.

A meta inicial já tinha sido superada quase três vezes até o começo de junho, única data disponível no Web Archive antes do pé na porta.

Mais uma vez, a política do não entrou em ação. A campanha foi tirada do site. Quem for à página encontra só o caminho para a carta de aviso de DMCA. A alegação é de que "A publicação deste livro infringe estes [vários jogos citados] e outros direitos autorais da Nintendo", e "O uso de propriedades intelectuais da Nintendo pode confundir os colaboradores do Kickstarter, pensando que o projeto é patrocinado ou licenciado pela Nintendo, quando de fato não é".

Nenhuma empresa deve permitir abuso de suas marcas, lógico. Outras já barraram uso não autorizado de Resident Evil, Sonic, Chrono Trigger e afins. Mas a intransigência da Nintendo é implacável: não tem conversa, concessão, negociação. Não seria mais simpático que chegassem junto, dessem um selo de joinha oficial — mesmo pegando 85% dos lucros sem fazer nada — só pra agradar quem estava louco pelo livro? Parece que continuam nos anos 90.

Não tiro o direito deles, mas me ocorre a velha história do "poder, mas não dever".

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