Comparativo Street Fighter II nos consoles 16-bit

Qual foi a melhor versão de Street Fighter II: a original de PC Engine, a Turbo do SNES, ou a Special do Mega Drive?

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Street Fighter V acabou de chegar, encerrando 8 anos de espera pela sequência (sem contar os Super e Ultra Street IV), mas pelo que anda saindo na mídia, não empolga do jeito que se imaginava. Não sei se a série perdeu relevância ao longo dos anos, com tantos spin-offs e crossovers, e ainda por cima vem um capítulo que não muda ou acrescenta quase nada a não ser a evolução gráfica natural. Fato é que nos anos 90, Street Fighter era um monstro.

Tal como GTA, Fallout ou atualizações de MMORPGs hoje causam comoção, com milhares de posts, menções em Twitter e pré-vendas recheadas de histeria quase adolescente-que-viu-o-Bieber, a notícia de uma nova saga da trupe de Ryu e Chun-li era o que movia massas para lojas e locadoras, alimentava discussões (ainda bem que não existia Twitter) e vendia revistas, principalmente quando começaram a ganhar ports a partir de Street Fighter II para SNES, em junho de 1992.

Lançada pouco mais de 1 ano depois do arcade, a versão SNES foi feita pela própria Capcom, sendo seu primeiro cartucho de 16 Mega. Fez estrago na concorrência (leia-se Sega); os moleques estavam ansiosos por ter aquela joia em casa, e pra isso dispostos a qualquer coisa, inclusive virar bandeira, o máximo da trairagem e falta de escrúpulos na guerra de consoles: desertar, ou melhor, vender o Mega Drive pra comprar um Super Nintendo, só pra jogar SF II. Àquela altura, já era conhecida a diferença entre os consoles, mas o que determinava a escolha por um ou outro geralmente eram exclusivos como Sonic, Streets of Rage e Phantasy Star de um lado, ou Super Mario World, Final Fight e Final Fantasy III do outro.

Lembro de estar num sábado de manhã numa ProGames pra jogar Street II, quando um menino chegou com o pai e COMPROU o cartucho japonês que reluzia como diamante na vitrine. Todos olharam embasbacados, uns com inveja e outros admirados (porque era caro pra baralho, inclusive), enquanto ele parecia não acreditar no momento, a caixa nas mãos enquanto o pai pagava. Alguém perto comentou: "Esse vai levar o arcade pra casa", concordamos solenemente.

Na nossa ótica infanto-juvenil, parecia mesmo o arcade em casa, e levaria tempo pra gente ter senso crítico pra avaliar diferenças. A diversão era o que valia, e quem tinha SNES curtiu primeiro aquela experiência de soltar hadoukens no sofá de casa.

Do arcade, emanavam reclamações contra o desbalanceamento e colisões entre golpes, sem falar do desejo de jogar com os chefes. Assim, no começo de 1992, a Capcom soltou a primeira atualização, Street Fighter II' Champion Edition, com os chefes jogáveis, lutas entre o mesmo personagem e melhorias diversas, pra reforçar de vez a "Streetmania". Em dezembro viria outra, Street Fighter II' Turbo: Hyper Fighting, com novos golpes, aéreos e velocidade — o pessoal havia cansado do ritmo cadenciado dos primeiros games.

E quem jogaria com os chefes em casa antes de todo mundo? Donos de SNES? Bem, talvez no Brasil sim, mas no Japão havia outro videogame metido na briga Sega x Nintendo: foi o PC Engine o primeiro a ganhar port da Champion Edition, em junho de 1993. O aparelho da NEC passou praticamente em branco no Brasil, mas lá tinha força, sendo o primeiro a dar aos "consolistas" a chance de controlar os chefes.

Mas donos de SNES não seriam esquecidos, pois a conversão do update Turbo estava quase pronta, lançada um mês depois do PC Engine. Além de jogar com os chefes, eles ainda foram por um bom tempo os únicos a soltar Kikoken da Chun-li ou o Aerial Sumo de E-Honda. Como diria o Ataíde Patreze, "simplesmente um luxo".

"E o Mega Drive, como fica?", gritavam seguistas indignados com provocações de todos os lados. Mês após mês, aumentava a certeza de que o 16-bit da Sega era incapaz de lidar com o grandioso trabalho da Capcom, que por insuficiência técnica a empresa se recusava a licenciar a jogo; que os malditos seguistas jamais veriam o belo azul de um hadouken em suas TVs Telefunken valvuladas de 1970...

Mas quem espera é sempre o último sempre alcança, como diz a sabedoria popular. Em setembro de 1993, tipo 45 do segundo tempo, enfim surge o primeiro Street Fighter para Mega Drive, e para matar de inveja (ok, nem tanto) todo mundo, numa versão exclusiva: a Special Champion Edition. Misturando a Champion Edition com a Turbo, era praticamente um 2-em-1, com coisinhas a mais como a impossível velocidade 10 estrelas (bacana, mas quem jogava daquele jeito?).

Com ele, estava completa a "trilogia" SNES - Mega Drive - PC Engine, cada um com sua versão tendo, no mínimo, jogabilidade e características gerais da Champion Edition.

Para comparar entre eles, então, o mais justo é que duelem:

  • Street Fighter II': Champion Edition (PC Engine, 06/1993)
  • Street Fighter II Turbo (SNES, 07/1993)
  • Street Fighter II': Special Champion Edition (Mega Drive, 09/1993)

Gráficos

O port do PC Engine aproveita bem sua capacidade gráfica 16-bit com cores excelentes e sprites fiéis. O único defeito que grita é a barra preta atrás das barras de energia, ausente nas outras (estava lá no protótipo do Mega Drive, mas foi retirada na versão final). No SNES, os melhores gráficos de forma geral, usando toda a paleta para ter cores agradáveis. No Mega, bons gráficos, pecando nas cores: com 64 por tela contra 4096 da CPS 1 (placa do arcade) e 256 do SNES, algumas parecem fora de lugar. Parece ter a paleta mais saturada das três versões, com tons muito fortes.

Mas logo ao ligar os consoles, a constatação óbvia: o Mega Drive foi o único com a introdução completa do arcade, dos lutadores de rua e a animação do prédio em zoom, subindo até o sinal luminoso com o nome do jogo. Mas para evitar acusações de racismo que já pairavam sobre o jogo, na versão americana a cor da pele do lutador que apanha foi mudada de negro para branco (no cartucho japonês está intacta).

Não sei porque essa introdução clássica foi removida das outras, mas é um detalhe bacana que faltou.

intro street mega genesis
No Mega Drive, a Capcom tirou o negro que apanhava e botou um branco no lugar pra evitar problema.

Player Select e Continue

Na tela de seleção de personagem, todas usaram a mesma base comum, redesenhadas e mais simples em relação ao arcade. Repare como o desenho dos rostos dos lutadores na caixa de seleção é quase igual nos consoles, mas diferentes do arcade: a posição dos olhos da máscara de Vega, o enquadramento que corta parte do cabelo e da mão de Chun-li (no arcade aparece o rosto todo). O mapa é menos colorido no PCE, tem menos variação de cores do que o SNES, enquanto o Mega, pela falta de um tom decente de marrom, usa um vermelho horrível no contorno.

A sombra colorida da fonte onde está escrito "1P" ou "2P" ficou mais difícil de perceber nas versões, e o degradê metalizado do "Player Select" só foi mantido fiel no PCE. As miniaturas dos rostos tem menos sombreamento no Mega Drive (evidente no azul do chapéu do M. Bison: azul sólido no Mega, mas em dois tons nos outros), e os cabelos de Guile e Ken ficaram diferentes do arcade no Mega e SNES, e mais fiel no PCE. O rosto maior do lutador selecionado ficou melhor no SNES, com cores próximas do original, enquanto no Mega Drive faltam detalhes, e o PCE ficou um tanto saturado, como no rosto amarelão de Guile.

No Mega, mantiveram a animação simples de dois quadros do rosto derrotado na tela de continue, cortada nas demais. No SNES e Mega o fundo é azul, sendo preta no arcade e PCE (Champion Edition no PCE e arcade, e Turbo no Mega e SNES, logo essas pequenas diferenças são normais).

USSR, Japão (dojo) e Índia

Na União Soviética, as cores de PCE e SNES são quase indistinguíveis entre si, o SNES só tem o sombreamento melhor (perceptível nos detalhes de segundo plano, mais naturais na máquina da Nintendo). Basta bater o olho na versão Mega pra notar pobreza de cores total. O fundo, onde estão os botijões, é quase todo em azul, mas veja a riqueza de cores no SNES. NO PCE, detalhes foram abandonados com a total falta da grade de fundo, que tem um efeito legal ao usar parallax scroll (scroll em velocidade diferente do fundo, para criar a ilusão de profundidade) lateral nas outras máquinas. Se falha nas cores, o Mega tem mais detalhes como a corrente no lugar certo, a placa na grade, etc.

No Japão de Ryu, nenhum dos consoles consegue reproduzir legal a atmosfera noturna, que é mais iluminada no arcade. Quem chega perto de novo é o SNES, apesar do tom diferente no templo ao fundo, que em compensação, é o único com movimento vertical. Nenhuma versão tem o movimento lateral do céu. Estranhamente, no PCE as cores ficaram pobres, com um roxo carregado em tudo, até nas sombras do cenário. Até o Mega conseguiu ficar perto da qualidade do PCE, e é a único que tem a lua.

No cenário da Índia, talvez o melhor desempenho do SNES entre todos. Sua superioridade em sombras e luzes aqui fica bem clara, como nos elefantes e fundo da sala, e cores muito similares ao arcade. O PCE até tenta acompanhar, com uma aparência geral mais "apagada". O Mega usa um monte de dithering no chão pra recriar o efeito de degradê — em TVs ligadas por RF fica digno, mas nas altas resoluções de hoje, dá pra ver o quanto é pior. Mas não chega a ser ruim no geral.

Japão (casa de banho), Brasil e EUA (quartel)

No Japão de E-Honda, um banho do SNES sobre os rivais. A disputa ficaria de novo entre SNES e PCE, mas no primeiro há mais qualidade, contraste em especial nas sombras: as dos lutadores são quase invisíveis no PCE, misturadas com a cor do piso.

Sabe-se lá porque colocaram duas daquelas lanternas vermelhas no SNES — no arcade, só há uma na lateral direita da tela. No Mega, o enfeite está presente, mas sumiram as divisões entre ladrilhos no símbolo do sol (tudo em cinza sólido) e vários objetos de fundo como uma banqueta e uns potes bem ao fundo do salão. No SNES ficou reproduzido um pouco melhor o desenho que os ladrilhos formam. A banheira ficou melhor desenhada no PCE, mas não tem movimento na água. As cores do chão e do fundo no Mega aproximaram-se do arcade, apesar de mais pobre no desenho.

Brasil: todos as versões tiraram as crianças que assistiam à luta. As cores ficaram estranhas no PCE, saturadas demais no chão e na cabana, e sem vida na árvore e nos carinhas do lado direito, além de não ter o torcedor com o peixe. Como de costume, o SNES ganha em cores e contraste (veja as águas), além de ser o único com scroll nas nuvens, mas o Mega não faz feio e visualmente é mais agradável que o PCE, apesar de detalhes como a flor verde no pé da árvore, roxa nos outros.

A cor do chão no SNES foi a que ficou mais parecida com o arcade e há mais pessoas assistindo a luta de dentro da cabana, tal como no PCE, o que difere do arcade; no Mega, as pessoas na janela estão na mesma quantidade e disposição, e há tábuas mais escuras na cabana, tudo como no arcade, ao contrário de SNES e PCE com tábuas todas iguais.

Base aérea: a falta de contraste / sombras do PCE é evidente pelo efeito achatado entre cenário e avião, muito claro. O Mega está saturado e perdeu quase todos os detalhes atrás / abaixo do jato, com um chão de cor única, enquanto os outros são em degradê. Em termos de cores, é o pior cenário do Mega Drive junto com a Espanha, repare nos tons horríveis do símbolo central e da faixa azul.

A moça patolando o soldado do arcade ? foi removida em todos exceto no Mega, que também é o único com as granadas no chão. O SNES reproduz melhor cores, sombras e detalhes de toda a cena. O cockpit só teve detalhes do arcade no PCE, ficando praticamente só a silhueta no SNES e Mega Drive.

China, EUA (porto) e EUA (Las Vegas)

China: no arcade há muitos detalhes em segundo plano (pessoas, mesas com objetos, placas com letras, etc), tudo bastante colorido e logo, difícil de refazer, mas SNES e PCE foram bem, virtualmente idênticos, com ligeira vantagem para o SNES nas cores, um pouco mais próximas do arcade. No Mega ficou tudo um exagero de iluminado e as cores sofreram, com verdes e azuis feios (olha esse céu...).

Pra compensar, só o Mega tem algumas animações como a água escorrendo junto da moça lavando numa bacia e o carinha em pé com uma bicicleta e usando chapéu, sem movimento nas outras versões. A placa verde dentro do estabelecimento, abaixo da mesa, claramente mostra "JOE" no Mega Drive, mas o J ficou quase ilegível nos outros. A mensagem em chinês no poste central só está inteira no PCE, perdendo o último símbolo no Mega e SNES (não entendo chinês, mas parece que a Capcom mudou o sentido da frase ali).

Porto do Ken: talvez o melhor do PCE, manteve quase todos os detalhes (até por ser um cenário simples, com muitas áreas planas no navio e um céu de fundo), perdendo só partes da "textura", visíveis no arcade na porção inferior do barco. Vantagem mínima do SNES pela maior qualidade nas sombras e cores. O Mega tem os detalhes de envelhecimento do barco e no geral foi até bem, mas perde pelas cores terríveis e baixa qualidade do céu, com nuvens roxas e céu alaranjado.

Las Vegas: o cenário de Balrog é um dos mais bonitos, cheio de detalhes, pessoas e luzes. O PCE conseguiu dentro do seu limite recriar a maioria, ignorando o degradê do piso onde ficam os carros; no SNES tentaram, mas ficou mal feito. A aparência geral do PCE me parece melhor. O Mega foi bem pela complexidade do cenário, e apesar da pobreza dos degradês de cor e sombra, tem um efeito interessante nos brilhos, característica forte do arcade.

Nenhuma versão manteve o padrão de cores dos carros: um preto e um azul, mas ambos azuis nos consoles. O SNES tem muitas luzes com animação, ponto em que o Mega levou a maior desvantagem. As roupas dos carinhas no centro da tela foram alteradas: no SNES, o que usa roupa toda laranja ganhou uma calça azul, e no PCE, o outro perto das moças de biquíni, que usa casaco branco e calça marrom no arcade, ficou original só no Mega, vestindo calça azul no SNES e PCE. Mas os biquínis ficaram ambos azuis no Mega Drive, mantendo o azul e vermelho do arcade nos outros.

Espanha e "Tailândias"

Espanha: a Capcom mandou bem no PCE, com alguns detalhes menos interessantes no fundo como o efeito das luzes que não convenceu. No SNES detalhes das dançarinas e dos tijolos no fundo são melhor acabados, mas tem gente a menos nas mesas, hein... Cadê os caras tocando violão no SNES e Mega? Sumiram, mas estão lá no PCE, que também manteve a cor das roupas do cara sentado à mesa.

No Mega, o pior trabalho de cores de todo o jogo: efeitos das luzes na parte de baixo, atrás da grade, mais parecem uma pintura na parede, um daqueles desenhos em pixel art grosseiros e mal feitos. Nenhuma versão manteve a cor do chão do arcade, optando por um tom de verde (o Mega tentou, mas ficou mal feito). O luminoso "Mesan Bela Tabern", normalmente atrás das barras de energia, não foi incluído no PCE.

Tailândia (Sagat): cenário mais simples de todos, e mesmo assim conseguiram fazer burrada no céu do Mega Drive, com um tom artificial de azul e nuvens sem forma. O PCE foi melhor, mas com pouco contraste, a estátua menos proporcional em relação ao arcade, e cores não tão fiéis ao arcade. O SNES chegou mais perto do cenário original, tanto em formas quanto cores.

O piso central ficou bem largo no PCE. O Mega é o único em que a camada onde ficam as torres ao fundo do cenário tem scroll vertical, perceptível quando o personagem pula e o horizonte se mexe. O SNES é o único em que as cores das pedras foram mantidas (marrom em vez de cinza como Mega e PCE). Nenhum console teve a iluminação suave em azul sobre a estátua, presente no arcade.

Tailândia (Bison): no Mega, o céu ao fundo foi simplificado e não há a camada de nuvens, só a silhueta da palmeira sob um fundo azul. Mas o PCE não fez muito melhor, desaparecendo com a grade na construção lá atrás e mudando o desenho do sino. No SNES todos esses detalhes foram mantidos, com uma paleta próxima da original, exceto no sino e no chão — o Mega Drive tem o chão mais parecido em cores com o arcade.

Nenhuma versão tem o tom de azul do céu do arcade, optando por um mais escuro. A capa de Bison ficou parecida nas cores SNES, num tom roxo forte no PCE, e num cinza estranho no Mega Drive.

Música e vozes

No geral, todas as versões reproduziram bem as músicas, mas características de hardware fizeram um ou outro mais ou menos próximos ao arcade.

O SNES tem o melhor som tecnicamente falando; músicas soam mais parecidas com o arcade no Mega Drive, que por outro lado tem as piores vozes por larga margem. O PCE tem músicas mais pobres, mas também fiéis às originais, com vozes excelentes. Há um grito de torcida nos consoles que não existe no arcade (estão no sound test, parece que a Capcom desistiu delas na última hora) e foi acrescentado também um efeito de fading no fim dos rounds.

Além disso, as músicas não tem a fase "dramática", que toca quando um dos lutadores tem pouca energia — a música padrão só é acelerada.

No PCE, as vozes estão quase todas em seus lugares. São bem feitas, claras, soando como o arcade apesar da qualidade inferior. Nem se comparam com as ridículas vozes roucas do Mega Drive e são superiores mesmo às do SNES, abafadas. Quando uma voz se sobrepõe, um canal deixa de tocar música, o que é nítido na bateria. A música em geral soa diferente do arcade, muito aguda, lembrando o som de videogames 8-bit.

No SNES, todos os sons são bons, mas abafados, efeito negativo da compactação de áudio. As vozes sofrem bastante com isso, além do estranho efeito da voz ser mais aguda ou grave dependendo da força do golpe (Shoryuken forte, o grito sai num pitch mais alto, infantilizado; se for o fraco, fica lento e grave). A música tem o efeito de fade out quando o round termina um pouco antes do que o PCE. As músicas foram refeitas para o kit de som do SNES, instrumentos são perceptíveis como guitarras e contrabaixos. Sem dúvida superior, mas não soa nada parecido com o arcade.

No Mega Drive, as músicas têm os mesmos timbres do arcade, já que o hardware do console é similar ao CPS 1 (versão inferior do chip de som Yamaha). Há uma clara redução de canais e sobreposição de instrumentos, mas cada timbre remete ao som da versão original, sem abafamento ou ruído. O fade da música ao terminar o round acontece também um pouco antes que o PCE. As vozes, em compensação, são as piores, numa qualidade baixíssima que as deixaram roucas. O hadouken parece um ruído metálico, muito ruim. É inacreditável como podem ter lançado o jogo com as vozes tão ruins.

Geral

Nenhuma versão teve o bônus com as latas pegando fogo. No Mega e SNES, ela foi substituída por uma fase esdrúxula de quebrar tijolos, e no PC, simplesmente removida. A destruição de barris que caem de uma esteira teve mudança gráfica no PCE, com a coluna central ficando vertical em vez de diagonal. Os barris de fundo ficaram menores em todos, e os três consoles tem cores parecidas, com vantagem em degradês para o SNES, mais natural.

No bônus do carro, o Mega Drive teve cores mais alteradas, com o céu simplificado ao máximo e contrastes ruins na água. Apesar da água melhor, o PCE também tem cores estranhas no céu, e de forma geral, o SNES tem a versão mais fiel ao arcade.

No modo VS., Mega Drive e SNES tiveram telas de seleção e pós-combate exclusivas, que o PCE não usa — em vez dela, é o mapa normal do modo arcade. A tela de high scores do Mega usa o mesmo fundo todo preto do arcade, enquanto PCE e SNES usam um fundo com nuvens.

A jogabilidade de todos é muito similar, e ótima. Como o jogo do PCE é baseado na Champion Edition, não tem o modo Turbo dos demais. No SNES, as velocidades acima de quatro estrelas só são acionáveis através do "Capcom Code" (o velho ↓ R ↑ LYBXA na tela da Capcom). No Mega Drive, até 10 estrelas estão disponíveis por padrão.

Conclusões?

O que parece inegável:

  • O SNES, em média, foi o que mais se aproximou graficamente do arcade, com cores e sombras excelentes. Vozes ficaram abafadas, coisa que não aconteceu com o PCE. O Mega pecou nas cores e nas vozes, pontos reconhecidos como fracos dele, mas manteve mais características do arcade, como animações e backgrounds.
  • O PC Engine teve uma versão espetacular, quase comparável ao SNES, o que pra ele não é pouco. Especialmente vozes ficaram excelentes.

Fica por sua conta tirar conclusões, já que nem sempre ter um port fiel ao arcade significa diversão. É certo que donos dos três videogames se divertiram muito. O propósito do artigo não é enfiar na cabeça de ninguém que jogo do console X ou Y era "melhor", mas mostrar a diferença entre elas, e como cada plataforma usava seus recursos para contornar a inferioridade frente ao arcade.

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