Comparativo Master System FM x PSG

O Master System FM acabou não nos fazendo tanta falta, mas teria sido legal aproveitar aquela qualidade de áudio superior...

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O Master System passou longe (muito longe) do sucesso do concorrente direto, o NES, mas teve seus momentos, especialmente na América do Sul, Europa e Oceania. Aqui no Brasil todo mundo sabe o tamanho que ele foi, graças à empreitada da grande TecToy. A Sega iniciou importantes séries nele, ganhou experiência e principalmente, arrumou uma legião de fãs que seguiram fiéis até o Dreamcast.

Pena que para todos fora do Japão, uma das características mais bacanas do oriente jamais chegou: o som FM. Introduzido ainda no Mark III através de um módulo independente, o FM Sound Unity, trazendo mais canais mono com a síntese FM do Yamaha YM2413. Com esse add-on, os timbres um tanto monótonos do velho Master ganham um encorpamento diferente, muito mais interessante nos graves.

Quando o console foi redesenhado para o lançamento na América, a unidade jamais deu as caras, portanto todos os games programados para tirar vantagem dele ficaram restritos aos quatro canais do Master System. De qualquer forma, foi incapaz de fazer frente ao NES.

ym2413 no master system japonês
YM2413 no Master System japonês: pra nós da América, nada de FM...

Conectado entre a saída do Mark III e o televisor, o módulo parecia um tanto trabalho para sua função, então quando relançado no Japão, já como Master System, o FM foi embutido na placa-mãe do videogame, provavelmente porque os jogadores locais já conheciam os games que o usavam.

Não dava pra ter feito isso com o Master americano, pô? Será que encareceria tanto o produto final?

O mais louco é que apesar da preocupação em dar retrocompatibilidade com o Master System ao Mega Drive, a Sega não incluiu o chip nem no console, nem no Power Base Converter, deixando a tecnologia completamente restrita ao mercado japonês. Mesmo rodando os games do Master no Mega Drive, nada de FM pra nós =(

fm sound unit mark 3

O YM2413 no console americano (e nacional, claro) teria dado outra cara, ou melhor, ouvido aos sons do Master, que nem sempre caía na mão de um programador / compositor bom o bastante pra fazer algo com os 3 geradores de onda quadrada do SN76489, que resultavam naquele repertório sem fim de bips agudos, irritantes e repetitivos.

Provavelmente seria inútil em relação ao sucesso (ou falta dele) da Sega na América, já que havia uma "força maior" — os contratos da Nintendo com desenvolvedoras — agindo, mas que seria bacana, seria.

Para quem joga por motivos nostálgicos, o fato de não conviver com o FM nos "bons tempos" o faria perder o sentido hoje, mas é fantástico ver o quanto melhor soariam alguns games. Phantasy Star conseguiu ser clássico e ter uma grande trilha sonora sem ele, mas tal como outros do nível de Double Dragon e Space Harrier, ganharia demais.

Em alguns jogos a diferença é absurda de melhor em FM. Repare a qualidade na trilha de Miracle Warriors, e como soa terrivelmente pobre, ordinária no PSG. Mas como em "O Pequeno Príncipe", o som FM pode ser lindo como for, mas não é aquele que nos cativou. Por isso a maioria prefere os guinchos do áudio PSG, mesmo quando sangram ouvidos...

Se ainda assim gostaria de experimentar o Master System FM com seus cartuchos, há opções concretas e possibilidades:

1. A mais óbvia é arrumar um Master japonês, ou um Mark III com a FM Unit. Por pouco mais de R$500,00 pelo videogame e mais uns US$250 pela unidade, você se realiza no eBay. Brincadeira meio cara, exceto para colecionadores.

Mark III com FM Unit

2. Console mod. Alguns caras produziram mod kits instaláveis em seu Master System "comum", inclusive o da TecToy, mas requer conhecimento em soldagem (pelo que vi, nada de muito avançado, dá pra fazer tranquilo em casa). O kit pode ser adquirido aqui por AU$66 (dólares australianos).

No site há instruções detalhadas do procedimento para diversos modelos de Master System. O Sega-16 tem um belo post sobre o tema. Um fato a considerar é que alguns games têm verificação de região antes de funcionar o som FM, então além do chip FM, é preciso mudar a região do sistema.

master system mod fm

3. Mod no Mega Drive: não achei nenhuma explicação, mas é possível para gente com experiência em eletrônica modificar o Mega Drive, embutindo nele o YM2413, aí seria só usar o PBC parar jogar já em FM. A vantagem é que a modificação estaria no console e não no adaptador, que poderia ser qualquer um.

4. Mod no PBC. Mais fácil, porém, é posicionar o chip no Power Base Converter, numa função parecida com a do FM Sound Unity. Há pouco espaço dentro do PBC para inventar, mas já deram contorno nisso (o mesmo cara que fez o mod para Master System). Tem também esse, que coube num cartucho de Mega Drive!

DBelec FM Sound Power Base Converter
O Power Base Converter da DBElec traz o YM2413 embutido: a maravilha que a Sega deveria ter feito 20 anos atrás...

5. Emulação. Se ter o console é missão impossível, resta a emulação. Todos os principais emuladores de Master System como Kega, Dega, Meka, etc, emulam o YM2413.

 

O som é o único fator técnico em que o Master tomava pau do Nintendinho, que normalmente já ganhava (veja o nosso review de Batman: Return of the Joker, grande jogo e trilha sonora) e ainda abusava de chips especiais para trilhas fantásticas no Famicom. Pena que a Sega tenha dado tão pouco valor ao FM.

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2 COMENTÁRIOS

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  1. Só não esqueçam que o MS e o Mark III não são o mesmo console até porque o MS era o Mark IV, são apenas similares iguais os SG-1000.

    • Já respondi no artigo sobre o Master System, mas pra quem não leu: não exatamente. Mark IV é só uma nomenclatura não oficial; o hardware do Mark III é basicamente o mesmo do Master System, que foi um redesign principalmente estético visando o mercado ocidental. Tanto que com um adaptador para o formato de cartucho, jogos americanos rodam tranquilo no Mark III.

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