Vale a pena ter um Sega CD? 10 games para dizer sim

O senso comum garante que o Sega CD é um lixo total. Será que é bem assim?

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"O Sega CD foi um lixo igual ao 32X."

Quem teve Sega CD sabe que essa opinião é ignorante e carente de argumentos válidos, mas antiga e corriqueira. É quase consenso entre quem não conhece o acervo de jogos do dispositivo (ou nutre antipatia infantiloide pela Sega) repetir essa bobagem. É verdade que sua irrelevância frente a máquinas populares da época colabora na impressão negativa. Mas apesar de limitado em quantidade, alguns jogos nele merecem o adjetivo "imperdível".

Lançado em 1991 no Japão, o Mega-CD foi uma aposta da empresa para conter o ímpeto do PC Engine e seu CD-ROM². Também serviu como laboratório para a tecnologia fadada a dominar o mercado em breve: os CDs. E curiosamente, foi a porta de entrada da Sony no ramo dos videogames, pois como parceiros, assinaram vários títulos com o estúdio Sony Imagesoft. Se dependesse só do trabalho com o Sega CD, o PlayStation teria sido uma máquina conjunta de Sega e Sony, já pensou?

Por problemas diversos como um crescente interesse da indústria em plataformas 32-bit — inclusive a Sega, tão obcecada que até cometeu o 32X antes do Saturn —, o Sega CD recebeu menos atenção do que deveria. Praticamente afogado num mar de FMVs, não entregou a qualidade que o público gostaria, pelo menos não em quantidade.

Mas quando desenvolvedoras se dedicaram, conseguiram resultados interessantes. Ele oferecia efeitos como escala e rotação superiores ao hardware do Mega Drive (sim, o Mega fazia essas coisas com os "truques" certos de programação), e apesar do gargalo da paleta de cores, teria sido boa plataforma para conversões de arcades. Sem falar das grandes séries da Sega que jamais chegaram ao CD, como Streets of Rage, Super Monaco GP, Alex Kidd, Space Harrier, Toe Jam & Earl e Phantasy Star. Um desperdício.

Leia também → A História do Sega CD

De qualquer forma, sempre me pareceu válido, ao contrário do 32X com seus não mais que cinco jogos dignos. Para você que ainda acredita na cretinice afirmação que abre o post, uma pequena lista de títulos que valem a pena no CD-ROM da Sega.

Snatcher

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O segundo jogo de Hideo Kojima ganhou ainda mais status depois que Metal Gear virou o que virou, mas já na época, Snatcher era reconhecido como bom título. Restrito ao idioma japonês rodando em MSX2 e PC-8801, foi no Sega CD que o Ocidente finalmente teve acesso ao jogo em inglês.

Diálogos e detalhes foram alterados para dar uma "leveza" ao roteiro e gráficos, mas apesar das mudanças regionais que muita gente odeia, a essência ainda estava lá — com imagens e sons infinitamente melhores. Para quem gosta do tema cyberpunk, é um disco obrigatório. Se não conhece, confira nosso especial de Snatcher.

Sonic CD

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Entre tantas versões clássicas, a do Sega CD segue como uma das mais comemoradas, e não à toa. Lançado em 1993, foi o primeiro jogo de Sonic em CDs, abusando dos recursos e espaço com muitas animações, trilhas sonoras com canto, e novos personagens (Metal Sonic e Amy Rose).

A mecânica de linhas do tempo alternativas, entre outras inovações, foi bem aceita e o jogo aparece tranquilo em listas de melhores games do Sega CD, e até em listas de melhores jogos de plataforma já feitos.

Lunar: Eternal Blue

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Com Lunar: The Silver Star, de 1992, a Game Arts já havia entregado um RPG de respeito no Sega CD, com muitas animações, narrações e áudio soberbo. O jogo ficou muito tempo exclusivo do mercado japonês, onde foi recordista de vendas do console.

Mas com a sequência, Eternal Blue, a fama de Lunar se espalhou e não fosse por ter chegado um tanto tarde (1995 no Ocidente, com os 32-bit prontos e o Sega CD praticamente esquecido), teria muito mais reconhecimento. Ainda assim, ganhou versões e sequências no Saturn, PlayStation, Game Boy Advance e PSP.

Shining Force CD

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Se a Sega foi preguiçosa / desatenta o bastante para não colocar algumas de suas grandes franquias no Sega CD, pelo menos com Shining Force foi diferente. A série de RPGs táticos chegou ao CD em 1994, baseada nos games para Game Gear (Shining Force Gaiden 1 e 2, exclusivos do Japão).

Incluindo dois episódios exclusivos e dois como remakes de Gaiden, ele não diferiu quase nada da jogabilidade conhecida do Mega Drive, mas trouxe novo conteúdo para quem já era fã. Imperdível para quem curte estratégia.

Heart of the Alien

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Out of this World (ou Another World) começou nos computadores mas teve ainda mais reconhecimento no SNES e Mega Drive. Com cutscenes carregando no drama ou suspense, eventos quick-time e toda aquela atmosfera de cinema, foi um ar de renovação em tempos de plataformas sem fim.

A sequência "quase oficial" (foi desconsiderada como canônico pelo criador de Another World, Éric Chahi, já que foi feito só pela equipe da Interplay) foi exclusiva do Sega CD, e teve reviews muito positivos. O disco também tem o jogo original com áudio melhorado.

Eternal Champions: Challenge from the Dark Side

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Quando a Sega resolveu se meter no segmento dos jogos de luta, muita gente torceu o nariz para Eternal Champions, no Mega Drive. Mas a sequência, Challenge from the Dark Side, levou forte influência de Mortal Kombat e seus fatalities, mas com personalidade.

Para quem procurava opção ao dueto MK + SF, era perfeito, com controles e estilo bem diferentes. Foi sucesso nos Estados Unidos, onde teria vendido mais que a própria versão de Street Fighter II para Mega Drive. Mas quando a Sega do Japão priorizou Virtua Fighter, a série foi simplesmente abandonada.

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