Análise: Olympic Games Tokyo é divertido mas tem prazo de validade

Olympic Games Tokyo 2020 – The Official Video Game foi lançado no fim do mês passado pela Sega. O título oficial das Olimpíadas de Tóquio traz uma coleção de 18 modalidades, algumas incomuns – para tal tipo de jogo. Outras são tradicionalíssimas da natação e atletismo, como 100m rasos, 110m com barreiras, salto em distância e nado 4 x 100.

A desenvolvedora investiu no estilo cartunesco, tal como aquele jogo das Olimpíadas do Rio para mobile – e bem diferente do London 2012, mais realista e que eu adoraria ver de novo sendo explorado.

Mas é o que temos pra hoje, então vejamos...

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O apelo ao estilo cartoon com minigames simplificados parece continuar funcionando em jogos tipo olimpíada.

O design é bom mas vai fazê-lo pensar numa olimpíada dos Sims ou algo assim 🤣. Cenários são muito bonitos, como estádios cheios e piscinas e quadras detalhados. Os ângulos de câmera, especialmente antes e após as provas, são bem fiéis às transmissões de TV, incluindo a famosa câmera subaquática na natação e o infalível replay.

A interface, por blocos, lembra outros jogos de esporte. É fácil de navegar e com opções de idioma, inclusive áudio em português. A aparência geral é agradável e quem curte o estilo cartoon vai adorar.

Chama atenção o foco além do atletismo. Esportes coletivos e modalidades menos "clássicas" estão no pacote, como o BMX, escalada esportiva e tênis de mesa. Esportes coletivos foram contemplados, mandando a tríade futebol, basquete e vôlei (de praia), além de tênis, rugby e baseball. A jogabilidade é fácil, com partidas curtas.

Mas por "fácil" não entenda que "vou ganhar só surrando botão", como no tempo do Decathlon. Pequenos elementos são fundamentais no resultado.

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A natação tem uma das jogabilidades mais elaboradas, com uso de botões e dos dois analógicos. Demorei um pouco para pegar.

As lutas de judô, por exemplo, envolvem agarrar o oponente e depois bombar o botão A para mover o indicador numa barra. Se parar no lugar certo, aplica um waza-ari ou um ippon. Nas provas de corrida, basta apertar depressa A. Simples, não?

Você até pode brincar fazendo essas ações, mas não vai ganhar medalha se não dominar os controles. O botão X aterrissa o atleta de forma correta no salto em altura e dá um impulso extra ao voltar do mergulho na natação. O LB dá a inclinada final da linha de chegada.

Sem esses incrementos, você verá estupefato que seu resultado, que parecia ótimo, não vale de nada na final olímpica. Talvez não sirva nem para chegar à final. Podemos considerar um daqueles jogos "fáceis de aprender, difíceis de dominar".

Provas de velocidade (inclusive BMX) mantém um padrão. O botão A é usado para a largada e pressionado várias vezes para correr, mas sempre com algum outro complementando a mecânica. Ao lutar boxe, o controle já é pelos analógicos, com defesa automática.

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As dicas desbloqueáveis podem melhorar bastante seu desempenho.

A Sega faz o máximo para tornar Tokyo 2020 acessível. Além de controles intuitivos, há o modo de treino, dificuldade ajustável de adversários e um sistema de dicas reveladas de forma progressiva. É para agradar desde a criancinha até o vovô, ou jogar com uma galera zoando. Aquela vibe dos tempos do Wii Sports, mas sem o Wiimote...

Embora a maioria sirva ao propósito de fast-fun, alguns esportes não fluem tão bem. O  baseball e o futebol são desajeitados e as lutas de boxe um tanto caóticas. Também pode ter dificuldade em achar o timing da natação e dos saltos no BMX – demorei várias partidas para captar legal a natação, que inclui botão para saltar na água, analógicos para as braçadas e outros para sprint e voltar depressa do mergulho.

Fantasia

Como o estilo cartoon sugere, Tokyo 2020 não tenta ser realista, oferecendo movimentos especiais. Ao encher uma barra durante as provas, seu atleta pode aplicar um super golpe que nocauteia o adversário, dar uma corrida surreal ou uma raquetada quase indefensável.

O movimento é decorado por "fogo", lembrando mais a série esportiva com Mario do que uma Olimpíada.

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Não é alguém pegando fogo no ringue, é o replay do seu lutador ou lutadora aplicando o uppercut com a barra carregada no adversário.

Para manter o jogador entretido, a Sega adicionou vários elementos. Um é o "construtor de atleta", com opções como tom de pele, formatos de nariz e rosto, estilos de cabelo, três tipos físicos (atlético, obeso ou magro), tom de voz, etc. Melhor que muito RPG, na verdade. Também são customizáveis o número do uniforme e o título do seu atleta, que começa como "Novato" e pode ser alterado para coisas como "Estrela em Ascensão", "Pés de Mola", "Lobo" e "Prodígio".

Conquistas liberam novos títulos, como três cortadas seguidas no vôlei de praia ou vencer atletas de elite. Ao progredir, o jogador acumula pontos para a compra de novos trajes. No guarda-roupa estão desde novos uniformes até cosplays de astronauta, pirata e princesa.

As roupas podem ser definidas por modalidade. Se quiser, você pode definir seu atleta nadando com roupa do judô ou lutando boxe vestido de Sonic. Tudo isso, junto aos placares mundiais, acrescenta valor ao jogo, que enjoaria depressa sem objetivos adicionais. Boa investida da Sega.

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Outro ponto que reforça a fantasia é que não há divisão por gênero. Homens e mulheres competem juntos. O mesmo vale para a criação do personagem. Quer jogar como uma mulher barbada que luta de terno? Um homem com voz de mulher usando uniforme de estudante japonesa? Vale tudo.

Um problema sério é o desequilíbrio na dificuldade. Eventos são vergonhosamente fáceis na etapa classificatória, mas escalam um absurdo nas semifinais e finais. Deixa a sensação de que a gente foi sacaneado pela IA só pra perder o ouro. Mas na disputa do bronze, a dificuldade desaba de novo. Melhor ter alguém pra jogar contra.

No geral, Olympic Games Tokyo 2020 – The Official Video Game é diversão rápida, bem feita e sazonal como o evento. Não espere enorme valor de replay, ainda que firulas que a Sega colocou ali ajudem. Diverte por um tempo, mas alguns esportes (como o futebol) parecem dispensáveis. Não faz jus à grandiosidade dos Jogos Olímpicos, mas foi um bom esforço.

Daniel Lemes
Fundador do MB, quase mil artigos publicados em dez anos pesquisando e escrevendo sobre games. Ex-seguista, fã de Smashing Pumpkins e Yu Suzuki.

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