A “versão perdida” de Street Fighter Alpha no CPS Changer

A Capcom tentou algo mais ou menos parecido com o Neo-Geo, mas não funcionou. E para "consolar" clientes, fizeram uma versão de Street Fighter Alpha que pouca gente sabe que existe.

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Street Fighter Alpha foi mais que um reinício na série. Quando lançado em 1995, era a primeira grande mudança depois de Street Fighter II e família (Champion Edition, Hyper, etc). A série precisava de atualização, mas ninguém sabia como seria, o que aconteceria. Teria a mesma aceitação do anterior? O parâmetro era muito alto.

Aproveitando o que aprendeu, a Capcom fez um jogaço. Novos personagens, combos, super combos... Consoles mais recentes como Saturn e PlayStation tiveram suas versões, e essa fase Alpha acabou tendo três partes.

Mas tem uma versão que muita gente desconhece.

Arcade em casa

Naquela época, ainda havia um abismo de tecnologia entre o que se jogava em casa e na rua. O topo de linha dos arcades até podia ser enfiado num console, mas o preço não o faria competitivo, em tempos de sistemas simples dominando.

Mas alguém tinha que tentar. A primeira a investir nesse nicho — do arcade em casa — foi a SNK, quando em 1990 lançou o Neo-Geo nas versões AES e MVS. Enquanto o Multi-Video System era o arcade típico, o Advanced Entertainment System era um console para a família se divertir literalmente com a mesma qualidade.

A Capcom tentou algo mais ou menos assim quando lançou em 1994 o CPS Changer, que mostramos aqui. "Mais" porque tal como o outro, tinha a proposta de oferecer qualidade comparável ao arcade na TV de casa. "Menos" porque em vez de um ser um console robusto, o Changer pouco passava de uma interface.

Baseado no hardware de arcade CPS-1, o "console" em si era isso aí embaixo: uma caixinha com portas para controle e saída para vídeo e áudio. Espertamente, a Capcom o fez compatível com controles do SNES, podendo até usar o CPS Fighter, aquele controle espetacular tipo arcade. Parecia que ia arrombar a concorrência — se é que tinha alguma.

Toda a galera que implorava por Street Fighter II em casa ganhava um produto mais acessível do que placas JAMMA, monitores RGB e demais complicações.

O CPS Changer podia ter sido o "Neo-Geo da Capcom", mas... Foto: Nintendo Life

Perfeição, você diz? Ahn, não.

Presente final

Caro e mal distribuído, o CPS Changer flopou nervoso, e dois anos depois a Capcom o descontinuou pra continuar focada em arcades. Como prêmio de consolação para quem torrou uma grana no aparelhinho que ficaria mofando, desenvolveram um port de Street Fighter Alpha (Zero no Japão).

O curioso aí é que Street Alpha foi lançado no hardware CPS-2, enquanto o jogos da CPS Changer eram baseado na CPS-1. Apesar da mesma resolução máxima (384 x 224), o segundo modelo era bem mais potente. Em CPU, ganhava por 16 x 10 MHz; em sprites simultâneos, 900 x 256, e por aí vai...

Visualmente, numa olhada rápida, é idêntico ao da CPS-2. Quem jogou bastante a original vai notar de cara a diferença no som. É berrante a queda de qualidade de áudio, especialmente das músicas. Nada que chegue a ofender, mas inegável. Houve ainda perda em frames de animação; alguns personagens tem movimentos "recortados", com menos quadros. Fora isso, idêntico: cores, cenários, tudo.

A jogabilidade ficou intacta, ou quase. É virtualmente imperceptível se você está na CPS-2 ou no Changer. Talvez um profissional, nível torneios e coisas assim, note diferença em relação de caixas de colisão. Honestamente não percebi nada (talvez uma facilidade maior em algumas combinações, como rasteira baixa + tatsumaki do Ryu).

O jogo está incrivelmente preservado, num sistema supostamente inferior ao original. Qual foi o segredo?

Despedida cara

Basta lembrar que o CPS Changer tem pouco de hardware dentro dele. A maior parte do que valia para o jogo, vinha no próprio jogo. Imagine os principais chips de um Super Nintendo removidos e inseridos em cada cartucho, e o console servindo como base para fonte de energia, conectar controles, saída de vídeo, etc. Uma abordagem comum em arcades, mas incomum, quiçá única para sistemas domésticos.

Pior é que a Capcom fez o port supostamente como despedida de honra, mas com a alta procura, mandaram um preço nada simpático: ¥35,000 — em cotação atual, coisa de R$1400,00. Só depois e aos poucos, o valor caiu. Com essas e outras, como o Changer vendido exclusivamente via correios, o aparelho é bem raro e caro.

Se quiser experimentar, o jeito é emulação (a não ser que você seja ryco ou entusiasta). Uma busca no eBay só me mostrou um, acompanhado por Street Fighter II Turbo, por nada menos que 4 mil dólares. O jogo? Nem achei.

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