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Review Batman: Return of the Joker: um surto de 16-bit no NES

Um grandíssimo game que extrai quase tudo do NES. Quase perfeito trabalho da Sunsoft.
Por: Daniel Lemes
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Depois de quase duas semanas sem fazer nada em videogames a não ser jogar Gran Turismo (coisa viciante do inferno), larguei um pouco o osso do PS1 pra falar aqui de uma obra de arte do NES: o excelente Batman: Return of the Joker.

Produzido pela Sunsoft em 1991, o game é sucessor do Batman: The Video Game (1989), inspirado no filme de Tim Burton, mas muito melhor (pelo menos tecnicamente, sem dúvida) que aquele.

Com gráficos de primeira linha e um som de tanta qualidade que mais lembra jogos de 16-bit, esse título entra fácil em qualquer lista de melhores games do Nintendinho. Só conferindo pra acreditar no trabalho primoroso da Sunsoft.

Sequência de peso

Os gárgulas de Batman Return of the JokerSe o primeiro já é lembrado como um dos games mais divertidos — e difíceis também — dos 8-bit, na versão seguinte a Sunsoft realmente botou a mão na massa, e livre da obrigação de seguir o script do filme, criou um jogo denso, cheio de qualidades, com dificuldade acentuada (bota acentuada nisso) em alguns momentos. É um dos poucos jogos do morcego baseada em quadrinhos e não em filmes, embora tenha elementos do cinema.

Batman usa sua gama de bat-geringonças para enfrentar a gangue do Coringa, lutando contra máquinas e robôs, veículos, tanques e muito mais. Ele é menos acrobata e mais atirador, disparando contra seus inimigos com um tipo de arma na luva, e ela aumenta de poder conforme itens são coletados nas fases, geralmente poderes escondidos dentro de caixotes de madeira (sabe-se lá o sentido, deve ter algum). As fases são em ação lateral, e o heroi usa equipamentos até para voar.

Com power ups, Batman fica "dourado" e dá tiros até esvaziar a barra
Com power ups, Batman fica "dourado" e dá tiros até esvaziar a barra

Os gráficos são fantásticos quando levamos em conta ser um simples NES. Personagens grandes, chefes e inimigos que ocupam boa parte da tela, bem desenhados, cores bacanas. Fundos fazendo uso de efeitos como paralaxe para simular profundidade, como nas cenas de perseguição aérea, nuvens em camadas em movimento. Fantástico o trabalho que fizeram, tranquilamente melhor que certos jogos de 16-bits.

Os cenários tem um clima obscuro nas partes de cidade, desenhando a Gotham City caótica, e tecnológica em outras, sempre com muitos detalhes como partes móveis em árvores; a pouca variedade de cores não foi limitação para uma boa escolha delas. E não pense que o tamanho dos objetos influi na movimentação: ela e os controles são igualmente bons, com um pequeno detalhe para o movimento um pouco vagaroso, que pode incomodar alguns, mas nada comprometedor.

A jogabilidade é rica e funcional, incluindo práticas típicas de sidescroll com plataformas, como salto com tiro, além de ter estratégia ao saltar obstáculos e elevadores. Batman também desliza pelo chão (como um carrinho de futebol), mas use com calma para não ir direto para buracos. Sem contar as fases especiais de "shooter", quando Batman usa suas ferramentas hi-tech para voar.

Na fase "aérea", Batman usa as geringonças voadorasA dificuldade não é tão feroz como no game prévio, mas não deixa de apresentar um belo desafio. Com estágios relativamente curtos, ao morrer volta-se ao início e não há formas de encher a energia no caminho, uma coisa meio arcade. Há continues infinitos e você vai precisar deles até pegar a manha de cada fase nova.

Como disse antes, Batman é um cara de ação e tiro nesse jogo, mas a prática em atirar, ainda que talvez a mais importante, precisa ser combinada com saltos difíceis sobre buracos, plataformas que se movem rapidamente e pontes com partes soltas que demandam atenção.

Curiosamente, os chefes usam uma barra de energia diferente: em vez de medidores comuns, o sistema é por pontuação, e conforme se apanha, a pontuação diminui. Nos primeiros chefes Batman é o maior (sempre começa com 80000 pontos), mas avançando isso vai mudando, com chefes cada vez mais fortes.

A terceira fase é onde começa a complicação no game
A terceira fase é onde começa a complicação no game... prepare-se para sofrer

O som é um caso especial: músicas muito bem feitas, com batidas que lembram muito (sério mesmo) games medianos / bons de Mega Drive e Super NES. A Sunsoft tirou muitos coelhos da cartola nas trilhas e sfxs, com efeitos de tiro, explosão e tudo para tornar o ambiente mais rico. É surpreendente. Coisa parecida em 8-bit, só nos games em FM do Master System e olhe lá.

Conclusão

Se você nunca jogou Batman: Return of the Joker do NES, deve fazer isso logo, para enfim dizer que experimentou um dos mais bem-feitos games desse console. Merece ser conhecido e apreciado. Os únicos pontos que realmente podem decepcionar jogadores são um pequena instabilidade de controle e a dificuldade: iniciantes terão muita dor de cabeça especialmente a partir do estágio 3-1; por outro lado, os hardcore reclamarão do game ser um tanto curto.

De qualquer forma, quem busca diversão e desafio vai se encantar (ou reencantar) com esse título. É quase uma aparição dos 16-bit no seu Nintendinho.

Stage Clear de Batman: Return of the Joker

Gráficos: 9.00
Efeitos Sonoros: 10.00
Música: 10.00
Jogabilidade: 9.00
Controles: 9.00
Criatividade: 8.00
Enredo: 6.00
Carisma: 6.00
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