Antes de Street, o mahjong safadinho da Capcom

Antes de sucessos mundiais, o pessoal da Capcom estava ocupado com outras coisas...
Por: Daniel Lemes
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O Mahjong é um tipo de dominó chinês, um dos jogos mais antigos da humanidade. Sua enorme popularidade na Ásia levou à criação de vários games e — sabe-se lá por quê — muitos com conteúdo er0t1co. Em algum ponto, o pessoal do game design japonês concluiu que mahjong em si não era divertido, faltava um tempero.

O que melhor para atrair moleques do que uns peitinhos pixelados? Hadouken? Talvez, mas só dali uns quatro anos.

Assim nasceu uma onda de títulos das mais diversas produtoras. A maioria nanica, apostando naquilo para faturar um troco. Mas nem só de anãs foi feita a história dos mahjongs safadões; teve empresa grande na parada. Talvez você se surpreenda, mas até a Capcom andou metida no nicho. Disfarçada, mas estava lá.

Antes de Street Fighter, caras que desenharam Ryu e sua trupe desenhavam... você sabe.

Só pensam naquilo

As ilustrações de Akiman sempre tiveram uma tendência de mulheres exuberantes e homens fortes. Imagem: blog de Akiman.

A Capcom foi fundada no começo dos anos 80, e de seu primeiro arcade, Vulgus (1984) até Street Fighter (1987), não fez nada realmente muito lucrativo. A maioria das franquias top vieram a partir do fim da década, como Street Fighter II e Strider. Exceção notável foi Ghosts 'n Goblins, de 1986, que vendeu legal e mais tarde daria origem ao ainda mais famoso Ghouls 'n Ghosts.

Então, se havia um assunto dando dinheiro, o negócio era investir, por que não? No meio dos anos 80, arcades japoneses fervilhavam com jogos que iam de Space Invaders e Pac-Man aos obscuros mahjongs e carteados com mulheres peladas. Não havia lei que os proibissem — só na década de 90 apareceu um esboço de regulamentação — então o limite era autoimposto.

É quando surge a Yuga.

"Yuga Fire"? Não, Yuga desenvolvedora, que produziu Mahjong Gakuen - Sotsugyohen, um mahjong de conteúdo adulto com qualidade consideravelmente superior aos nanicos corriqueiros.

Mas o que a Yuga tem a ver com o assunto? Não pegaria bem para uma empresa do porte da Capcom, ou com suas pretensões, mergulhar com tudo em tal temática. Mahjong Gakuen foi produzido pela Capcom e lançado sob o nome Yuga.

Nos créditos, estão nomes bem reconhecidos. No design geral, um certo "Akiman": Akira Yasuda, desenhista de vários personagens de Street Fighter. Era seu primeiro trabalho na Cap..., ou melhor, na Yuga, antes de hits como o próprio Street e Final Fight. A produção geral é creditada a Yoshiki Okamoto, também de Street. A música é de Tamayo Kawamoto, compositora que esteve na Capcom de 1984 e 1990, produzindo trilhas para Ghouls 'n Ghosts, Last Duel e Forgotten Worlds, entre outros.

Mas e o jogo?

Fora o óbvio, ou seja, que é um mahjong, há uma série de personagens femininas apostando ██ █████. Derrotadas, elas aparecem "à vontade". A novidade é que há um botão específico para "interações".

Que tipo de interações? Despir, jogar líquidos, acender lanternas pra enxergar melhor as █████ delas, etc. Aparecem também mãos supostamente masculinas, que controladas pelo jogador, podem ████ as █████. Quanto mais rápido a "interação" for feita, mais elas ficam peladinhas, passo a passo. Funciona como um strip-tease, com menos roupa progressivamente, até que enfim o jogador pode █████ suas ███████. Isso mesmo que você pensou.

Vendo as personagens, nota-se que Yasuda já andava vislumbrando certas figuras. Há uma personagem um tanto parecida com o que seria Chun-li. Por motivos óbvios, não vou publicar imagens — o negócio é bem pesado. O desenho é de muito boa qualidade, visivelmente superior aos toscos de quase sempre.

Tá, eu menti. Algumas imagens (censuradas):

O jogo ficou tão explícito, que mesmo no Japão, virou meio que ovelha negra dos arcades. Só nos cantos mais escurinhos ele aparecia. Mesmo assim, ganhou um destaque poucas vezes visto no segmento. A Capcom o lançou até internacionalmente: Poker Ladies reaproveita os gráficos, trocando o tipo de jogo para algo mais aceito no Ocidente. Lógico que o lançamento foi por outra subsidiária-escudo, chamada Mitchell.

O sistema de interação foi inovador, refeito em games de outras empresas, como Lady Killer (Yanyaka) e Gals Panic S (Kaneko). Mesmo fazendo sacanagem, a Capcom conseguiu criar um conceito 😈

FONTEArcade History
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