Streets of Rage 2 (Mega Drive)

O segundo jogo da trilogia beat 'em up da Sega manteve o alto nível de trilha sonora e ganhou novidades na jogabilidade.

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Streets of Rage 2, lançado no Japão como Bare Knuckle II: The Requiem of the Deadly Battle e Europa como Streets of Rage II, é um game do gênero beat’em up em side scrolling, produzido e lançado pela Sega em 1992 para Mega Drive. O game também entrou na coleção Sonic’s Ultimate Genesis Collection, compilação com 48 títulos da Sega para PlayStation 3 e Xbox 360, em 2009. Foi o segundo da trilogia Streets of Rage.

O game apresentou os novos personagens controláveis Max Thunder e Eddie “Skate” Hunter (ou Sammy na versão japonesa), irmão de Adam Hunter do primeiro game, e um novo sub-chefe estrela, Shiva, braço-direito do já conhecido Mr. X. Adam deixou o time dos controláveis, mantendo posição importante no enredo.

Trouxe importantes modificações para a série, como o fim da ajuda do carro de polícia, golpes especiais e melhorias técnicas gerais. Foi sucesso de crítica e público, sendo frequentemente listado entre os melhores games de todos os tempos, e especialmente entre os melhores beat ‘em ups.

Enredo

Os eventos se passam um ano após o final do primeiro jogo. Para celebrar o aniversário da vitória sobre Mr. X e o sindicato do crime, Adam Hunter, Axel Stone e Blaze Fielding se encontram e relembram a cruzada vigilante do ano anterior. Axel e Blaze mudaram-se da cidade após o fim da onda de crimes; Axel começou a trabalhar como segurança pessoal e Blaze, a dar aulas de dança. Adam reintegrou-se à polícia e vive na mesma casa com seu irmão mais novo, Eddie “Skate” Hunter.

Na manhã seguinte ao encontro, Axel recebe uma ligação de Skate, que ao chegar da escola, viu a casa destruída e constatou o desaparecimento de Adam. Na porta da frente, estava fixada uma foto de Adam acorrentado a um muro, aos pés de Mr. X. Os criminosos começam a infestar novamente as ruas, e o caos volta a reinar, ainda pior que antes.

Percebendo que o sindicato de Mr. X quer vingança contra a cidade, Axel e Skate procuram Blaze em busca de ajuda para uma nova investida contra os criminosos. Junta-se a eles Max Thunder, lutador profissional e amigo de Axel, e assim o grupo inicia a missão de resgate, partindo das ruas da cidade e passando por uma ilha, até chegar ao esconderijo de Mr. X, onde deverão enfrentar seu principal capanga, o perigoso Shiva.

Spoiler
Ao contrário do primeiro game, que tem a possibilidade de final ruim (bad ending), em Streets of Rage 2 só é possível um final, com Adam resgatado. O grupo reunido parte de helicóptero da ilha após derrotar Mr. X mais uma vez.

Jogabilidade

Max Streets of Rage 2
Max, um dos dois novos personagens em Streets of Rage 2

Carregando praticamente todos os elementos do primeiro jogo (com exceção notável sendo a falta do carro da polícia), SoR 2 adicionou muito mais golpes, inimigos e técnicas. Entre elas, o golpe “dash” aplicado com dois toques na mesma direção + botão de ataque, e um golpe especial com o botão A, substituindo o carro de combate. O especial de Axel, uma sequência de socos seguida de uppercut similar ao Shoryuken de Street Fighter, entrou na versão final do game, já que no desenvolvimento o comando acionaria um chute helicóptero (similar ao Hurricane Kick, também de Street Fighter). As voadoras também foram melhoradas, com variações simples e para baixo, combate corpo-a-corpo e rico uso de armas brancas; todas podem ser empunhadas ou jogadas sobre um inimigo, desaparecendo na sequência.

As fases são divididas por sub-estágios, começando por exemplo na rua, e terminando dentro de um bar, passando por parques, ilhas e praias. Os itens dão pontos (dinheiro, ouro) ou energia (maçãs e frangos), e armas empunháveis são espada, cano de ferro, faca, kunai (uma ponta de lança ninja) e bombas — essas lançadas por inimigos, podem ser pegas e lançadas de volta, mas pelo pouco tempo antes de explodir, é muito difícil fazê-lo.

Características

Diferenças regionais

blaze bare knuckle streets of rage calcinhaDiferenças regionais. a versão japonesa foi ligeiramente alterada para posterior lançamento na Europa e América, com censura de certos elementos considerados inadequados ou inaceitável pelo público destes continentes. A calcinha branca visível durante a voadora de Blaze em Bare Knuckle II foi removida, com os sprites totalmente redesenhados, já que suas pernas ficavam abertas durante o golpe. O chefe final Mr. X fuma charuto na versão japonesa, o que também foi removido com a exclusão de 4 frames da animação dele jogando o charuto fora antes de começar a lutar. Outra confusão foi com o nome do personagem irmão de Adam: no Japão foi batizado Sammy, e no Ocidente, Skate, mas manuais de regiões PAL e NTSC o mostram como “Eddie Hunter”.

Na versão americana, a tela de título mostra um número 2. Já na europeia, foi usado a numeração romana.

Gráficos e som

Houve importante evolução gráfica, com personagens maiores, melhorias de cenário e jogabilidade. A trilha sonora foi composta mais uma vez por Yuzo Koshiro, com contribuições de Motohiro Kawashima. O trabalho foi feito num então já ultrapassado NEC PC-8801 e uma linguagem de programação pessoal de Koshiro. De acordo com o compositor e programador:

Para Bare Knuckle, usei um PC88 e uma linguagem de programação original, que eu mesmo desenvolvi. A original se chamava MML, Music Macro Language, baseada no BASIC da NEC, mas bastante modificada. Era mais uma linguagem em estilo BASIC a princípio, mas eu a modifiquei para ficar mais tipo assembly. Eu a chamei de “Music Love”. Foi usada em todos os games Bare Knuckle.

Recepção e legado

Streets of Rage 2 recebeu grande aprovação crítica, com notas acima de 90% na maior parte das revistas da época, considerado por muitos como um dos melhores games já feitos. Nos Estados Unidos, a GamePro deu nota máxima (5 estrelas), afirmando que “contra os Final Fights e Super Double Dragons da vida, SoR2 mais do que se garante“, concluindo que era o game de “luta de rua em side-scrolling a ser batido“. A GameFan teve quatro revisores, com duas notas 97/100 e duas 95/100. A Mega Play teve reviews com notas 84/100 e 80/100, definindo-o como “um dos melhores games do gênero para o Genesis“, mas julgando os golpes especiais muito poderosos, o suficiente para causar certo desequilíbrio e tornar as partidas muito fáceis. Em 2004, leitores da revista Retro Gamer americana elegeram o jogo como o 64º melhor da história, e o staff da revista o coloStreets of Rage 2 Abadedecou no top 10 do Genesis. No Japão, a Famitsu revisou o game com nota 26/40.

No Brasil, a Supergame em sua edição 19 deu nota média 90/100 ao avaliar a versão beta, dizendo que as primeiras fases impressionavam. A Ação Games nº 29 deu ao game seu selo “The Best of Ação Games”, não recebendo nota máxima apenas no critério Desafio. A Videogame nº 24 destacou a evolução gráfica e principalmente de som, graças “ao talento de Yuzo Koshiro, um dos músicos mais disputados entre as softwarehouses“, dando nota 7,25/10.

A trilha sonora teve grande repercussão entre a comunidade gamer e fora dela. O chiptune com batidas techno impressionaram tanta gente (especialmente levando-se em consideração as reduzidas capacidades de áudio do Mega Drive), que Yuzo Koshiro passou a apresentar-se com frequência em clubes noturnos como DJ. Em 1993, a revista Electronic Games listou os dois primeiros games da série como as melhores trilhas sonoras já ouvidas, descrevendo Koshiro como “universalmente reconhecido como o mais talentoso compositor trabalhando atualmente na área dos games“.

A estética e jogabilidade foram base para a sequência, Streets of Rage 3, de 1994, que enriqueceu golpes especiais e uso de armas, mas teve uma guinada sonora, com composição por um sistema automático de criação de batidas muito mais próximas de um techno industrial / experimental. Com o declínio dos games em 2D, graças ao advento dos consoles da 5ª geração, a série foi esquecida pela Sega após o terceiro jogo, ficando assim qualquer influência direta restrita aos lançamentos daquele fim de geração, entre 1993 e 1995.

Em 2015, Axel reapareceu em Project X Zone 2, crossover de personagens da Bandai, Capcom e Sega para Nintendo 3DS.