Especial Snatcher (Sega CD) – parte I

Acompanhe as etapas no progresso do game Snatcher (Sega CD), grande aventura cyberpunk de Hideo Kojima.

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Essa é uma seção que eu precisava de tempo e principalmente disposição para começar, e como as recentes alterações me deixaram satisfeito resolvi tomar a iniciativa. Manterei — e espero que também os colaboradores — um diário dos progressos em determinados jogos, e vamos chamar a seção de "Especial..." Criativo, não?

Como você sagazmente notou pela "parte I", dividirei cada especial em várias partes, porque já não temos o tempo livre de outrora para virar a noite jogando, e também terei que lidar com prints, anotações durante o jogo para não esquecer de detalhes, etc.

Então, se estiver com muita pressa de ver o que o dito jogo oferece, terá que esperar (a não ser que esteja lendo isso quando todas as partes já estiverem postadas).

Atualização: aqui estão as outras partes do especial:

Sem mais enrolação... O escolhido para a estreia é Snatcher, do Sega CD.

Sobre Snatcher

Lançado em 1988 em sua versão inicial para computadores, foi o segundo game do Hideo Kojima, mais conhecido pelo brilhante Metal Gear. É um adventure clássico, em que investiga-se o cenário através de ações como apontar, procurar, dialogar, além de uns tiroteios pra relaxar.

Snatcher Sega CD

A história é um tanto manjada em vários elementos, mas envolvente ainda assim: em 1996 (1991 na original japonesa; mudaram pra deixar o enredo mais atual, pois só foi lançado no ocidente em 1994), uma arma biológica conhecida como Lucifer-Alpha vasa de uma usina acidentada na Rússia. Levada pela atmosfera, ela mata 80% da população da Eurásia — ou seja, metade da população mundial. A área contaminada fica décadas inabitável, até que enfim o Lucifer-Alpha se converte numa forma não-letal. A tragédia é batizada como "A Catástrofe" (sim, muito original).

Cinquenta anos depois, uma ameaçadora linhagem de máquinas orgânicas conhecidas como Snatchers aparece misteriosamente em Neo Kobe, ilha artificial no Japão. As máquinas matam suas vítimas e tomam seu lugar, e como elas sangram e suam como os humanos, são difíceis de detectar (já vi isso em algum lugar... Conta tudo pra sua mãe, Ridley!).

O personagem central é Gillian Seed, um cara sem memória que recebeu treinamento militar e junta-se ao J.U.N.K.E.R., força-tarefa incumbida de caçar Snatchers. Suspeita-se que Seed e a ex-esposa (também desmemoriada) tenham ligação com a presença dos bichos.

Quartel-General do J.U.N.K.E.R., em Snatcher
Quartel-General do J.U.N.K.E.R., onde começa a história

Muito da trama foi chupinhado descaradamente de dois ícones da ficção: Blade Runner e Terminator. Os Snatchers são quase idênticos ao Exterminador clássico, tanto que na versão americana trataram de mandar uma cor verde azulada nas suas carcaças pra disfarçar. A temática é adulta, especialmente na versão japonesa, com bolinações e garotas sub-18 seminuas, mas na americana (que vou usar, porque infelizmente não entendo patavinas de japonês) tudo foi suavizado. A tal sub-18, por exemplo, que no original tinha 14 anos, ficou "de maior" na América.

Mesmo assim, quem jogou ambas garante que a diversão está intocada; Gillian ainda flerta com a mulherada, e por sinal há muitas no decorrer da história. Pode-se dizer que Snatcher é um game bem-humorado, recheado de situações cômicas, além de referências que Kojima tratou de colocar, como seu nome que aparece num computador e o assistente robótico chamado "Metal Gear".

A interface é aquela coisa adventure: olhar, investigar, usar itens em momentos e lugares certos, falar, misturada com cenas de ação com tiro; dá até pra usar a Justifier (a.k.a. "38tão azul para matar bandidos no Lethal Enforcers") pra atirar.

Confira a animação da abertura, talvez desperte sua curiosidade.

Antes de tudo, aviso sobre a necessidade real de manjar um pouco de inglês, inclusive de ouvido. Várias cenas são só faladas (com um excelente áudio e diálogos bem claros) e se ficar dependente 100% da legenda (também em inglês) vai dançar. Talvez você consiga avançar sem entender o diálogo, na base da tentativa e erro, mas será ruim, deixará de aproveitar a história, parte fundamental da diversão.

Quero lembrar também que será minha primeira incursão nesse mundo. Apesar de ter um Sega CD nos tempos "áureos", esse foi um que nunca joguei, nem as locadoras grandes da região tinham.

Isso tudo posto, vamos ao jogo. Mas não hoje, porque já escrevi muito... Começo na parte II 😉

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