Ghouls'n Ghosts, bom old school pra quem curte plataformas e desafio

A aventura do Rei Artur era hit dos botecos antigamente, e não à toa: grande desafio e um terror cômico que ainda vale umas fichas.

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Ghouls'n Ghosts, arcade da Capcom de 1988, é a sequência de Ghosts 'n Goblins, que trouxe melhorias como a possibilidade de atirar no ar e para cima ou baixo, gráficos muito bem feitos e sons que acompanham a linha tenebrosa. Mas possíveis novatos: não pensem que isso facilitou (Ghosts 'n Goblins já era um jogo bem complicado).

A aventura de Arthur é difícil, lembrando as jogabilidades de ninja que os desenvolvedores adoravam soltar com o esquema "um hit e já era". É a pura e concentrada dificuldade old school de arcades. Na verdade, nesse caso são "dois hits e já era", mas não muda quase nada, já que levar dois acertos no meio de um caos de inimigos e perigos por toda a parte é normal.

Até decorar a fase, como agem os inimigos e os padrões de movimentos, novatos sofrerão bastante. Depois você liga no automático e vai embora - e é bom mesmo, já que será preciso enfrentar a saga duas vezes.

Visão geral

Ghouls n Ghosts fase 1
Parar pra respirar? Claro, se você não se importar com mortos-vivos brotando da terra o tempo todo...

G'n G é o típico arcade de sua geração, com ação sem fim sobre plataformas e movimento lateral na maior parte do tempo. Você controla o Rei Arthur, que parte no resgate da alma de sua amada Princesa Prin, sequestrada tal como as demais almas de seu reino pelo diabão Lucifer (o próprio, mas deram aquela suavizada nos consoles, virando Loki).

São cinco fases sombrias, cheias de coisas como diabretes voadores de fogo, crânios, pântanos e outros lugares feios, num ambiente bem de pesadelo. Mas o clima fica um tanto relaxado por certa carga cômica, como o rei correndo de cueca samba-canção depois de perder a armadura, e seus pulinhos ridículos.

Gráficos

Numa das primeiras produções para a placa CPS (o nono de 31 games) , a Capcom mostrou serviço. Apesar da ambientação funesta, com cemitérios, pântanos e buracos similares, tudo é bastante colorido, visualmente vivo, efeito ampliado por grande quantidade de detalhes móveis no cenário e fundo, e sprites-inimigos em ação. Visualmente é muito interessante.

Inimigos e o próprio Arthur foram feitos com qualidade. Inesquecível a cena patética do cavaleiro perdendo a armadura e ficando com sua "elegante" cueca, assim como o design dos monstros, uma miríade que inclui flores que cospem crânios, porcos armados de tridente que vomitam em você (!), cipós ao estilo terror com tentáculos, feiticeiros, hordas infinitas de mortos-vivos e muito mais.

A movimentação é suave, não há cortes visíveis de quadro. Inimigos, na verdade, me parecem a estrela do game. Aparecem aos porrilhões, o tempo todo (experimente ficar parado um pouco pra ver) e alguns são da altura da tela, como os chefes. A apresentação usa um efeito bacana de envelhecimento (com algumas partes coloridas, splash color).

Aqui:

Som

Efeitos de fogo, metal batendo no chocar das lanças arremessadas por Arthur, feitiços sendo lançados: são poucos, mas tudo é muito bom. Não tem um fora do lugar, estridente ou exagerado.

A trilha sonora, de Tamayo Kawamoto (de Forgotten Worlds), funciona bem na ambientação; suave como tinha que ser, pela dificuldade e necessidade de repetir até aprender o caminho das pedras, é provável que você as ouça muito tempo... A da primeira fase é bem terror com humor, dessas que fazem pensar na Família Addams. Na segunda, um instrumental com simulação de flautas mais parecida com temas de caveleiros e reis dos RPGs. O resto segue a linha de criar tensão, e não há nada brilhante ou muito marcante, mas é funcional e bem colocado.

Apesar de uma velha reclamação de que o áudio da CPS soa um tanto abafado, não se nota isso muito na trilha de G'n G. Algumas sequências têm boa simulação de instrumentos, lembram até MIDI, como a flauta da segunda fase.

Gameplay e dificuldade

Ghouls n Ghosts fogo
Colunas de fogo que viram diabretes, junto com plantas assassinas e muitos poços de chamas. Quer moleza? Procure outro game.

É onde o bicho pega. A tela fica o tempo todo povoada por perigos estáticos (guilhotinas, buracos, etc) e móveis, que vêm de todas as direções possíveis. Brotam da terra, saem de trás das árvores, voam, colunas de chamas surgem do teto, crânios voam, é um inferno - sem duplo-sentido.

Para vencer tudo isso, nosso Arthur pode atirar lanças, machados ou mágicas quando coleta o item pra isso, e seria suficiente se não fosse o fato de perder uma vida com apenas dois acertos. No primeiro, adeus armadura, e no segundo, ele é reduzido a um monte de ossos.

Pra piorar, seu pulo é bem baixinho, não há salto duplo. Baús são encontrados pelo caminho e podem conter coisas boas, ou sair um feiticeiro de dentro que o transforma num velhinho de bengala mais lento que o Danilo do Corinthians, ou num inofensivo pato.

Há baús secretos, que normalmente dão uma armadura extra com poderes como lançar raios ou criar um "clone" mágico de Arthur. Dependendo de onde estamos as armas podem ajudar mais ou menos, então não dá pra sair pegando tudo que encontrar, tem certa estratégia na escolha.

A movimentação passa pelo tradicional sidescroll com plataformas, escadas e buracos, e movimento horizontal, como na fase do elevador. Em certos trechos a movimentação é difícil, com vento que te empurra na direção contrária. Outras obrigam o jogador a correr que nem louco pra não ser esmagado. Como inimigos brotam o tempo todo do chão, céu e onde mais puderem, o negócio é passar ligeiro pelas fases, sem ficar morgando muito, senão complica.

A ação dos inimigos é repetitiva e o padrão é aprendido depois de algumas (muitas) tentativas e erros e muita raiva. Pelo menos o controle é preciso e dá pra usar continues infinitos, voltando sempre aos pontos intermediários; isso é um alento pra quem quer ver o final e não consegue com um só crédito.

Se você gosta de desafio, da tradicional jogabilidade dos arcades clássicos, daquela sequência frenética de inimigos, tem que jogar - ou voltar a jogar G'n G. Se prefere ação mais leve, passe batido.

Conclusão

Pela quantidade de ports que teve (praticamente todos os sistemas domésticos), nota-se que Ghouls'n Ghosts foi sucesso, com qualidade geral um pouco acima da média e principalmente, ótimo desafio. Se você aprecia Contra, ninjas, inimigos por toda parte e games que exigem reflexo e aprendizado de padrões a partir de repetição, não pode ignorar esse. Mesmo com décadas nas costas, ele continua bonito, divertido e desafiador.

Mas prepare-se: para ver o verdadeiro final, será preciso terminá-lo duas vezes, e acredite, depois de enfrentar os estágios finais, poucos ainda terão ânimo.

Gráficos: 7.00
Efeitos Sonoros: 7.00
Música: 7.00
Jogabilidade: 7.00
Controles: 6.00
Criatividade: 7.00
Enredo: 6.00
Carisma: 8.00
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