Final Fantasy III (Super Nintendo)

Final Fantasy VI entrou para a lista dos melhores RPGs com um grande grupo de heróis e a mistura de magia com tecnologia.

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Final Fantasy III (ファイナルファンタジ) é um RPG desenvolvido e publicado pela Square, lançado em 1994 para o Super Nintendo como parte da série Final Fantasy. Ambientado num mundo fantástico, que mistura magia com um nível de tecnologia equivalente ao da Segunda Revolução Industrial, o game conta a saga de um grupo de rebeldes tentando derrubar um império ditatorial. São 14 personagens controláveis, o maior número na série até então.

No Japão, teve o título Final Fantasy VI, enquanto no Ocidente foi dado o número III, porque os três primeiros capítulos não foram lançados. Mesmo assim, muitos usuários referem-se a ele pelo nome original, como sexto game, e se tornou padrão chamá-lo de Final Fantasy VI, mesmo no Ocidente.

Foi o primeiro da série dirigido por outra pessoa que não seu criador, Hironobu Sakaguchi; o cargo ficou sob responsabilidade de Yashinori Kitase e Hiroyuki Ito. Yoshitaka Amano, antigo contribuidor da franquia, voltou como designer, enquanto o compositor Nobuo Uematsu assina a trilha sonora.

Aclamado pela crítica, Final Fantasy III foi um marco dos role-playing games e é frequentemente considerado como um dos maiores – e às vezes, o maior – games de todos os tempos, por mídia e jogadores. As versões de SNES e PlayStation venderam quase 3.5 milhões de cópias, além de 750 mil cópias como parte das coletâneas japonesa e americana.

Foi portado pela Tose, com licença da Square Enix, com diferenças mínimas, para o PlayStation em 1999 e o Game Boy Advance em 2006. Foi relançado para o Virtual Console no Wii em 2011, para a linha Clássicos do PlayStation em 2011, e numa versão personalizada para Android e iOS em 2013.

História e desenvolvimento

Hironobu Sakaguchi
Hironobu Sakaguchi, criador da série, foi produtor em Final Fantasy VI

Final Fantasy III entrou em desenvolvimento logo após o lançamento do anterior, em dezembro de 1992, levando só um ano para ser completado. O criador e diretor da série, Hironobu Sakaguchi, não pode participar de forma tão intensa por estar envolvido em outros projetos e responsabilidades de sua nova função na Square – vice-presidência executiva, assumida no ano anterior. Assim, ele ficou como produtor, deixando o principal posto, diretor, dividido entre Yoshinori Kitase e Horiyuki Ito. Kitase cuidou de cenários, enquanto Ito lidou com aspectos de batalha. Sakaguchi supervisionou a direção das cutscenes de Kitase e garantiu que o projeto se mantivesse coeso.

A ideia era que todos os personagens fossem protagonistas na história. Todos os membros da equipe participaram do processo com personagens e suas micro-histórias; assim, Locke e Terra foram concebidos por Sakaguchi; Celes e Gau, por Kitase; Shadow e Setzer, pelo diretor gráfico, Tetsuya Nomura; Edgar e Sabin, pela designer Kaori Tanaka. Kitase teve a responsabilidade de unir a base passada por Sakaguchi com todos esses elementos soltos do time, para criar algo consistente.

Final Fantasy VI conceitos
Esboços de Tetsuya Nomura para o visual dos principais personagens de FF III

Os cenários de Final Fantasy III foram criados por um grupo de 5 pessoas, entre elas Kitase, com vários pontos essenciais da trama, como a cena da ópera, a tentativa de suicídio de Celes e todas as aparições de Kefka. O conceito artístico de Yoshitaka Amano serviu de referência para os full-motion videos usados no relançamento para o PlayStation. Tetsuya Takahashi, um dos diretores gráficos, desenhou as armaduras Magitek da introdução. Já os sprites dos personagens foram feitos pela artista Kazuko Shibuya. Pela primeira vez na série, foi possível animar esses sprites com expressões faciais. O game também foi um dos que mais fizeram uso do Mode 7 (rotação, escala e simulação de 3D) do SNES.

Apesar de finalizado dentro do prazo estipulado e mantendo o orçamento original, o game foi muito trabalhoso e exigiu incrível dedicação de todo o time. Kitase descreve o período final, de debug do código, como “exaustivo”; mesmo com todo o empenho em tornar o jogo o mais limpo possível, ainda assim ele tem vários glitches e bugs. Nobuo Uematsu, autor da trilha sonora, lembra de quanto recompensador foi concluir o projeto:

Lembro que durante a festa de lançamento de Final Fantasy VI, o notoriamente implacável Sr. Sakaguchi fez um discurso. “Obrigado a cada um de vocês – nós criamos o melhor jogo do mundo! Ou melhor, do universo! Obrigado!” Eu chorei. As lágrimas no meu rosto me fizeram perceber o quanto eu havia investido de mim mesmo no projeto. Espero que os games Final Fantasy continuem sendo uma fonte de diversão não só para fãs, como para desenvolvedores! – Nobuo Uematsu

Versões

Final Fantasy VI super famicom art
No Super Famicom, o game foi o sexto da série.

A tradução para inglês, feita por Ted Woolsey, teve alterações em relação ao game japonês, o que causou certo desconforto nos jogadores que conheciam a original. Nomes como Tina e Holy foram trocados por Terra e Pearl. Algumas cenas tiveram diálogos com erros de gênero. Como o próprio Woolsey explica, essas imperfeições ocorreram por dificuldades que ele teve durante o trabalho:

Eu tinha uma equipe pequena para trabalhar, mas basicamente, não tinha como fazer nada com o texto enquanto não conseguisse reduzi-lo até caber onde iria. Não havia uma coisa do tipo compressão naquele tempo, era um algoritmo bem tosco que eles usavam. Então eu traduzi o game, com muito cuidado. Tive 30 dias para fazer isso, o que não é muito tempo. Acho que tinha bem umas 1300 páginas de texto e elas não era contíguas, estavam quebradas em partes.

Ou seja: todo o texto foi traduzido em partes. Era fácil que em muitas partes, como missões paralelas, o sentido fosse quase incompreensível, pois não era nada linear — Woolsey precisava associar mentalmente cada linha aos diálogos do game em japonês, que já havia jogado. Muito da tradução que seria fiel teve que ser cortada ou alterada, por questões de direito autoral da Nintendo na América, assim como houve a necessária redução e readaptação do texto a cada revisão.

Minha primeira tradução entregue em Tóquio era maior que o necessário em 300 ou 400%. Fiquei abismado, porque fui muito conciso e a achava boa. Gostei de como havia captado muito do humor escatológico, que claro, teve que ser removido pelos métodos da Nintendo. Algumas das referências à cultura pop, que pra mim eram bacanas e inteligentes, foram deixadas de lado por causa de licenças, registros e essas coisas. De qualquer forma, eles [a equipe da Nintendo] disseram “volte lá e diminua isso“. Repassei todo o texto e devolvi a eles, que olharam e continuava muito grande. Então voltei com ele e dessa vez, joguei minha tradução original no lixo, revisei cada seção e tentei reimaginá-las.

Final Fantasy III - KefkaMuitos sprites foram também censurados, por apresentar nudez em invocações e personagens, entre eles Siren, Alluring Rider, Goddess, Chadarnook, etc. A cigarrilha de Misty também foi removida (assim como de seus similares). Essas alterações de sprite foram desfeitas no relançamento do PlayStation, que usou os japoneses. O nome do “dinheiro” original, Gil, foi traduzido como GP, de Golden Pieces (peças de ouro).

No lançamento para o Game Boy Advance, a tradução foi refeita, para ficar mais fiel ao texto original, mas mantendo trechos considerados clássicos e marcantes da tradução de Woolsey. Nessa também vieram novos espers (Leviathan, Gilgamesh, Cactuar e Diabolos), novos dungeons e uma nova fonte foi usada nos textos. No iOS, surgiu um music test nas opções, adição de Achievments, batalha automática e novo design de menus.

Enredo

Mil anos antes dos eventos do game, três entidades travaram um conflito conhecido como a War of the Magi (Guerra dos Magi). Essa guerra tomou proporções catastróficas, espalhando energia mágica pelo mundo e transformando humanos em seres chamados espers, que foram usados como soldados na guerra.

Ao notar a calamidade que o conflito causou, as entidades devolveram o livre arbítrio aos espers e selaram seus poderes consigo, transformando-se em estátuas. A unica condição foi que os espers garantissem que o poder da tríade continuasse isolado, distante do mundo dos humanos, para evitar novas tragédias.

Os espers, então, isolaram-se num mundo próprio, mantendo as estátuas (e os poderes) distantes dos humanos. Com o passar de gerações, o conceito de magia foi se perdendo, enquanto a ciência e tecnologia progredia. A nação presente vive numa cruel ditadura do Imperador Gestahl e seus generais: Kefka, Celes e Leo. Cerca de 800 anos antes dos eventos iniciais do jogo, a barreira entre o mundo dos espers e dos humanos enfraqueceu. O império aproveita-se disso para atacar a terra dos espers e capturar diversos deles.

Usando os espers como fonte de poder, Gestahl pesquisa um jeito de combinar mágica com engenharia e infundir esses poderes em humanos e máquinas, resultado na tecnologia conhecida como Magitek. Kefka torna-se o primeiro na linha de soldados criados por magia, chamados Magitek Knights. Essas inovações permitem a criação de um grande exército meio-mágico e meio-tech. Kefka torna-se muito poderoso, mas completamente insano.

O império está prestes a redescobrir o poder total da magia reabrindo o portal para o mundo dos espers, mas o domínio militar de Gestahl é confrontado pelos Returners, um grupo rebelde. Eles conseguem apoio até de antigos membros do governo, como da ex-general Celes.

Jogabilidade

Como nos games anteriores, Final Fantasy III é baseado em 4 tipos básicos de gameplay: mapa, cidades e labirintos, cenas de batalha e a tela de menus. O mapa é uma versão redimensionada do mundo fictício do game, por onde os jogadores levam os personagens a diversos locais, alcançando cidades, cavernas, etc.

As três formas principais de andar pelo mundo são:

  1. a pé;
  2. sobre chocobos (aves usadas como montaria);
  3. voando.

Exceto em alguns pontos estratégicos da trama, inimigos são encontrados aleatoriamente quando se caminha a pé. A tela de menu é onde os jogadores tomam decisões sobre uso equipamentos, mágicas, além de configurações variadas. É também usado para gerenciar a experiência e níveis dos personagens.

O enredo descortina-se conforme seu progresso. Pessoas nas cidades oferecem informações e alguns têm lojas de equipamentos e itens. Os labirintos aparecem em áreas diversas como cavernas, esgotos, florestas e edifícios, e frequentemente têm baús de tesouros como itens raros, que não são encontrados em lojas. Itens podem ser encontrados em potes, caixas e outros lugares “secretos”.

Combates

Final Fantasy III - batalha
A barra de ação esvazia quando o personagem age, e vai encher aos poucos, de acordo com características dele. Alguns agirão mais rápido, então suas barras encherão mais depressa depois de “gastas”.

Baseado em menus nos quais o jogador seleciona ações de uma lista, como lutar, magia ou uso de item. Um máximo de 4 personagens são usados em batalhas, no tradicional sistema “Active Battle” que foi introduzido em Final Fantasy IV. Com ele, cada personagem tem uma barra de ação que se enche de acordo com sua característica. Se um personagem age, sua barra esvazia, e enquanto isso, outros personagens e inimigos continuam ativos, também com suas respectivas barras de ação.

Cada personagem tem também uma habilidade única. Locke, por exemplo, sabe roubar itens do inimigo, enquanto Celes consegue absorver a maioria dos ataques mágicos durante um turno. Outro elemento é um ataque muito forte, desferido ocasionalmente pelo personagem quando sua energia está muito baixa. Essas características apareceram em versões posteriores de Final Fantasy, às vezes com outros nomes.

A recompensa pelas vitórias em batalhas são pontos de experiência e dinheiro (GP). Ao alcançar certo valor em pontos de experiência, o personagem avança um nível, melhorando suas características gerais, aprendendo novas ações, etc.

Os personagens podem ser equipados com armas, armaduras e acessórios, conhecidos como Relics, para aumentar suas estatísticas e ganhar habilidades. A maioria serve para mais de um personagem, e cada um pode equipar-se com até duas Relics, que tem muitas funções: alterar comandos básicos de batalhas, permitir o uso de múltiplas armas ou de armas com as duas mãos, alterar o status durante batalhas, proteção mágica, aumentar a velocidade, etc.

Só 2 personagens começam o jogo com habilidades mágicas, mas quase todos podem aprendê-las. Personagens podem usar Magicites, pedras que guardam o poder de espers como Ifrit, Shiva, Bahamut e Odin, invocados através delas. Se um personagem estiver equipado com uma Magicite, ganhará Magic Acquisition Points (pontos mágicos) após as batalhas. Conforme ganha AP, ele aprende novas mágicas da Magicite que possui.

Características

Som e música

A trilha foi composta por Nobuo Uematsu, com músicas para cada para cada personagem principal, batalhas, chefes e cenas intermediárias. Um ponto marcante é o extensivo uso de leitmotiv, recurso oriundo de ópera e bastante empregado no cinema – um toque musical característico que surge sempre que o personagem inicia eventos-chave da trama. A faixa “Aria di Mezzo Carattere“, tocada durante uma cutscene de Celes, tem um vocal ininteligível que harmoniza com a melodia – isso devido a uma limitação técnica do SNES.

A trilha foi lançada em 3 CDs no Japão como “Final Fantasy VI: Original Sound Version“, e nos EUA como “Final Fantasy III: Kefka’s Domain“, com diferenças em nomes de faixa e algumas adicionais. Versões da trilha também foram produzidas, como discos de piano, orquestra sinfônica e até de metal progressivo (uma versão da faixa Dancing Mad, tocada pela banda The Black Mages, do próprio Uematsu).

Recepção e legado

Final Fantasy III foi elogiado a cada lançamento (original e relançamentos), sempre com destaque para a quantidade de personagens e a trama grandiosa, além de gráficos de ponta e som marcante. Publicações deram notas altas em resenhas, como a GamePro (5/5 estrelas), EGM (9/10) e Famitsu (37/40). Na premiação da revista EGM para os melhores games de 1994, FF VI ganhou em várias categorias, como Melhor Game de RPG, Melhor RPG Japonês e Melhor Música.

Com cerca de 3.5 milhões de unidades vendidas, sendo mais de 2.5 milhões no Japão, Final Fantasy VI aparece sempre em listas de melhores jogos da história, seja no gênero RPG ou em estilos diversos. O personagem Kefka aparece entre os maiores vilões já criados, com citações clássicas como:

Vida… Sonhos… Esperança… De onde eles vêm? E pra onde vão…? Estas coisas sem sentido… Destruirei todas elas!

Inúmeros elementos surgidos no sexto game continuaram aparecendo ou servindo de referência em sequências.

Personagens

Terra Branford

Garota meio esper, passou a maior parte da vida como escrava do Império.

Locke Cole

Caçador de tesouros simpatizante dos Returners, é um habilidoso ladrão (ou segundo ele, "caçador de tesouros") de ímpeto heroico.

Edgar Figaro

Rei de Figaro, Edgar mantém uma falsa aliança com o Império, ao mesmo tempo em que ajuda os Returners.

Sabin Figaro

Irmão de Edgar, abandonou a corte em busca de seu caminho, que encontrou num dojo de artes marciais.

Shadow

Mercenário ninja de passado nebuloso. Sempre acompanhado por seu cão, Interceptor.

Celes Chere

Ex-general do Império, junta-se aos rebeldes depois de ser presa por questionar as políticas imperiais.

Cyan Garamonde

Cavaleiro fiel ao reino de Doma, perdeu a família quando Kefka envenenou o reservatório de água do castelo.

Gau

Abandonada pelo pai, a criança cresceu selvagem entre monstros e animais, na terra conhecida como Veldt.

Setzer Gabbiani

Jogador inveterado que tem a única aeronave do mundo, Blackjack.

Mog

Moogle falante que vive na Caverna de Narshe com os outros de sua espécie.

Strago Magus

Ancião descendente dos guerreiros da Guerra dos Magi e avô de Relm.

Relm Arrowny

Personagem mais jovem do grupo (10 anos), é uma grande artista com poderes mágicos.

Gogo

Misterioso mestre na arte da mímica, é um dos personagens secretos.

Umaro

Personagem secreto, é um yeti (pé-grande). Não pode ser controlado diretamente, ataca sozinho com uso de Relics.

Gestahl Gastra

Ditador comandante do Império, obcecado pelo poder mágico no reino dos espers.

Kefka Pallazzo

Principal general do império, niilista e psicótico, trai o imperador. É o antagonista principal.

Leo Cristophe

Um dos generais, recusa-se a receber poderes mágicos. Sua honra o leva a cair numa armadilha.

Cid Del Norte Marquez

Cientista do império, criador da Magitek. Volta-se contra o ditador em apoio a Celes.

Maduin

Pais de Terra, Maduin é um esper.

Madeline

Mãe de Terra, é uma humana que teve filha com o esper Maduin.

The Warring Triad

Doom, Poltergeist e Goddess são os seres que originaram a guerra e os espers.

Banon

Líder dos Returners.

Galerias

Quem editou este artigo: Daniel Lemes
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