Streets of Rage 3 (Mega Drive)

Jogo que fechou a trilogia clássica ficou marcado pela controversa mudança no estilo musical.

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Streets of Rage 3 (ベア・ナックル III, Bare Knuckle III no Japão) é um jogo do gênero beat ‘em up desenvolvido pela Ancient e Sega e publicado em 1994 para o Mega Drive. Foi o terceiro da série iniciada em 1991, também no Mega Drive, mantendo vários aspectos originais além de trazer novidades como novos golpes especiais, um enredo mais complexo, cutscenes com diálogos entre os personagens e múltiplos finais. Também marcou a estreia do personagem Dr. Zan.

Uma das mudanças foi no estilo de composição de Yuzo Koshiro, que adotou um método de criação de batidas aleatórias. Isso deu à trilha sonora um tom mais “automatizado”, recebido com ressalvas por parte da imprensa e jogadores. Streets of Rage 3 seria relançado anos mais tarde para o GameCube, PlayStation 2, Xbox 360, PlayStation 3 e console virtual do Wii.

Streets of Rage 3 - Axel x Shiva

História e desenvolvimento

Imagens de pré-lançamento mostram que originalmente havia uma seção em que os jogadores podiam pilotar motos. O recurso foi removido da versão final, mas ainda pode ser reproduzido (com erros) com um código de Game Genie na versão japonesa.

Música

A trilha sonora de Streets of Rage 3 foi composta por Yuzo Koshiro e Motohiro Kawashima, ambos retornando do jogo anterior da série. A maior influência foi a cena techno de Detroit, popular nas boates de Tóquio na época do desenvolvimento.

Koshiro criou para esse trabalho um novo método de composição chamado Automated Composing System, uma das técnicas de criação de música eletrônica mais avançadas da época, incorporando sequências aleatórias de batidas. O resultado foram sons inovadores e experimentais gerados automaticamente que, segundo Koshiro, “você normalmente nunca poderia imaginar por conta própria”. Desde então, o método se tornou popular entre os produtores de música techno e trance para obter “sons inesperados e estranhos”.

Enredo

Derrotado duas vezes, o chefe do sindicato do crime, Mr. X, abre uma empresa de pesquisa chamada RoboCy Corporation como fachada para suas atividades ilegais. O melhor roboticista do mundo, Dr. Dahm, é contratado para ajudá-lo a criar um exército de robôs hiperrealistas que deverão tomar o lugar das maiores autoridades da cidade. Mr. X planeja administrar a cidade através desses robôs usando um dispositivo de controle remoto. O Sindicato plantou bombas estrategicamente em toda a cidade para distrair a polícia enquanto lidam com a substituição das autoridades.

Um dos cientistas envolvidos, Dr. Zan, descobre o real intuito nefasto da pesquisa e entra em contato com Blaze Fielding, expondo detalhes do plano do Sindicato. Blaze rapidamente entra em contato com antigos colegas policiais, Axel Stone e Adam Hunter — eles formam uma força-tarefa para derrubar o Sindicato de uma vez por todas.

Axel rapidamente se junta ao grupo, mas Adam não consegue devido a suas atribuições da polícia; seu irmão, Eddie “Skate” Hunter, mais uma vez participa da luta. A história tem quatro finais possíveis, dependendo do nível de dificuldade e se o jogador vencer certos níveis no período de tempo determinado.

Jogabilidade

Streets of Rage 3 segue o padrão dos jogos anteriores da série: é um beat ‘em up de rolagem lateral, na qual até dois jogadores lutam contra ondas de inimigos que surgem de ambos os extremos da tela, e ocasionalmente por baixo e por cima.

Há quatro personagens controláveis, sendo três veteranos. Axel é o personagem mais equilibrado, Blaze tem mais agilidade e é hábil com armas, enquanto Skate é o mais ágil e leve, mas também o mais frágil. Junta-se a eles o Dr. Zan, um robô que converte armas obtidas em descargas de energia.

Ao cumprir certas condições, dois personagens adicionais controláveis podem ser desbloqueados: Shiva (oriundo de Streets of Rage 2 como capanga de Mr. X) e o canguru Roo. Há ainda um terceiro personagem desbloqueável, Ash, exclusivo para o lançamento japonês (ou na versão americana através de um código secreto).

Vários ajustes foram feitos na jogabilidade após Streets of Rage 2. Todos ganharam a habilidade de correr; ataques de blitz podem ser melhorados em níveis e uma barra recarregável permite realizar um ataque especial sem perder saúde se estiver cheia. Passou a ser possível também realizar ataques especiais com algumas armas, mas todas têm número limitado de usos antes de serem quebradas. Uma limitação é que os personagens desbloqueáveis ​​não podem usar armas.

Os cenários têm armadilhas, tal como nos jogos anteriores (buracos, prensas, etc) e e algumas fases têm rotas alternativas dependendo de determinadas ações — como o jogador eliminar todos os inimigos de uma sala antes que um personagem não-controlável seja morto por gás venenoso. A IA também foi melhorada e mais inimigos podem usar armas, bloquear ataques, fazer ataques cooperativos e até roubar itens de comida para recuperar a saúde.

Como no jogo anterior, o modo Battle permite que dois jogadores lutem entre si.

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Características

Diferenças regionais

A versão em inglês de Streets of Rage 3 sofreu alterações significativas em relação ao original japonês.

As roupas de Axel, Blaze e Sammy foram alteradas em relação a suas cores nos jogos anteriores da série. Inimigos passaram a usar roupas menos reveladoras e um subchefe chamado Ash — um gay estereotipado — foi removido, embora ainda esteja acessível como personagem controlável por meio de um código. Efeitos de voz também foram alterados, com o mais notável grito de Axel, “Grand Upper”, sendo substituído por “Bare Knuckle”.

Outra diferença importante é o enredo: a versão japonesa começa com uma nova substância explosiva chamada Raxine, descoberta por um personagem chamado Dr. Gilbert (verdadeira identidade do Dr. Zan), que explode na cidade e mata milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, um general militar chamado Ivan Petrov desaparece. Mais tarde, descobre-se que Mr. X orquestrou o desaparecimento do general e planeja usar Raxine para iniciar uma guerra global.

Na versão em inglês, todas as referências a Raxine foram removidas, o general Petrov foi substituído pelo chefe de polícia da cidade e a trama envolve um esquema para trocar as principais autoridades da cidade por clones robóticos e assim controlar a cidade.

Outra diferença é que no original, se o jogador não salvar o general, ele segue para o que parece ser a Casa Branca. Isso foi alterado na adaptação em inglês e se o jogador não salvar o chefe de polícia, o jogador deve ir à prefeitura — o prédio que representa a prefeitura ainda é claramente baseado na Casa Branca, não houve troca de sprites.

O final ruim do jogo japonês mostra uma cidade devastada, enquanto o texto narra o fracasso do jogador. Isso foi removido nas versões ocidentais e o texto rola para cima sobre um fundo preto. Os créditos foram removidos do final ruim da versão ocidental possivelmente para indicar que não era o final verdadeiro, enquanto na versão japonesa eles ainda aparecem.

A dificuldade também foi alterada na versão em inglês, com a configuração Normal sendo mais difícil até que a configuração Hard da versão japonesa. Além disso, a versão em inglês não pode ser concluída na configuração Easy, na qual o jogo termina após a quinta fase.

Axel e Skate estão ausentes da arte européia das caixas; o novo personagem Zan aparece ao lado de Blaze. Isso ocorreu porque a arte que seria para a caixa foi originalmente usada como capa de uma revista. Outra diferença significativa entre as versões é que os ataques especiais consomem menos da saúde do jogador na versão em inglês.

Recepção e legado

Streets of Rage 3 foi bem recebido em relação aos gráficos e jogabilidade, com algumas ressalvas quanto à trilha sonora. A revista GamePro comentou que o jogo é um pouco diferente dos anteriores da série, mas elogiou os novos movimentos e o suporte ao controle de seis botões do Mega Drive. Os quatro revisores da Electronic Gaming Monthly elogiaram os novos movimentos e as fases maiores, embora dois tenham criticado a trilha sonora, considerada “bem abaixo do padrão usual de Yuzo Koshiro”. A nota geral foi 7,25/10. A revista Digital Press deu nota 8/10, e a revista Mega colocou o jogo na 25ª posição no “Melhores do Mega Drive de Todos os Tempos”.

Entre brasileiras, a revista SuperGamePower destacou a “superioridade gráfica em relação aos antecessores” graças ao cartucho de 24 megabit. A Videogame deu nota geral 7,75/10, também elogiou os “belíssimos gráficos”, mas lamentou que o jogo continuava muito fácil como os anteriores e também não viu positivamente a música. A Ação Games deu nota baixa apenas ao critério Desafio, vendo o jogo “na mesma linha” dos anteriores, mas melhorado, e elogiando a trilha sonora.

A trilha sonora teve recepção mista na época, mas desde então tem sido considerada inovadora. Segundo a Mean Machines, a “leva algum tempo para se acostumar à música — ironicamente, ela precede a era do trance, que ocorreu pouco depois do lançamento”.

Relançamentos

A versão japonesa da compilação Sonic Gems Collection, lançada para GameCube e PlayStation 2 em 2005, incluiu Bare Knuckle I, II e III (Streets of Rage 1, 2 e 3). Os jogos ficaram fora da versão ocidental da coletânea para obter classificações etárias mais baixas. Streets of Rage 3 apareceu mais tarde na coleção Sonic’s Ultimate Genesis Collection, lançada para PlayStation 3 e Xbox 360 em 2009. Em 2012, o jogo foi lançado na plataforma Steam, tanto como jogo independente quanto como parte do Sega Genesis Classics Pack 5.

Streets of Rage Collection, lançado como parte da série Sega Vintage Collection (Xbox 360 e PlayStation 3) em 2012, apresenta a trilogia original e permite ao jogador escolher entre as versões japonesa, europeia ou americana.

Sequência

Em 2018, a produtora francesa Dotemu anunciou no final de agosto que uma sequência da série seria desenvolvida. Streets of Rage 4 contou com participação de membros da equipe original de designers e músicos, entre eles os compositores Yuzo Koshiro e Motohiro Kawashima.

O visual deixou o pixel art de lado, adotando um estilo mais cartunesco, com todos os sprites e cenários desenhados. Além do retorno do trio clássico Axel, Blaze e Adam, Streets of Rage 4 marca a estreia de dois personagens: Cherry (filha de Adam) e Floyd Iraia.

Personagens

Axel

Blaze

Sammy

Dr. Zan

Editaram esse artigo: Daniel Lemes

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