Phantasy Star (Master System)

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Phantasy Star é um game de RPG, desenvolvido e lançado pela Sega para o Master System, em 1987. Primeiro do que se tornaria uma série, é reconhecido como um dos pioneiros do gênero, qualidade gráfica, e um dos primeiros a focar na história lançados no mercado ocidental.

Foi também um dos primeiros protagonizados por uma mulher, a heroína Alis. Lançado no Brasil adaptado para o português pela Tectoy, Phantasy Star foi o primeiro RPG de muitos jogadores no país. Seu sucesso levou a três continuações no Mega Drive, e sequências não-canônicas e remakes em outros sistemas desde os anos 2000.

História e desenvolvimento

O desenvolvimento de Phantasy Star foi inspirado pelo sucesso de Dragon Quest, da Enix. O Master System vinha perdendo por vasta margem a disputa do mercado japonês, e a Sega decidiu apostar num RPG. Foram solicitadas ideias de game design à equipe, e Chieko Aoki tinha uma história em mente. Sua ideia foi retrabalhada até chegar ao rascunho do enredo de Phantasy Star.

No conceito original de Phantasy Star, havia quatro planetas. Pela dificuldade em representá-los e a questão de memória (só 4 megabit, ou 512 kB, muito para a época) foram reduzidos para três. Aoki trabalhou pesado, e mesmo nos estágios iniciais de desenvolvimento, quase todos os diálogos já estavam escritos.

Concept art de Phantasy Star para o personagem Lutz.

Segundo Rieko Kodama, principal designer do game, nos primeiros esboços, Noah não tinha sexo definido. Sua figura era andrógina, e o sexo seria definido conforme o jogo progredisse, de acordo com ações de Alis. Mais para o final do pré-desenvolvimento, acabaram optando pelo personagem masculino. Ainda segundo ela, o personagem Myau foi criado pela designer creditada como Choko. Alguns inimigos também nasceram com histórias; segundo a designer Miki Morimoto, os Centauros deveriam ser mostrados como cavaleiros a serviço de Lassic, algo descoberto ao conversar com eles usando a magia Tele, de Noah.

O título foi inspirado na música Nagisa no Fantasy, da cantora japonesa Noriko Sakai. Yuji Naka gostava da música, e por isso decidiram usaram “Fantasy”. Segundo essa versão que é da própria Kodama, portanto, Final Fantasy não teve qualquer influência — lembrando que Final Fantasy 1 foi lançado apenas dois dias antes de Phantasy Star no Japão.

O jogo tem óbvia influência de Star Wars. Kodama não apenas não negou, como justificou:

Pegue Dragon Quest, por exemplo. Pensava nele como um jogo de fantasia puro, simples, então queria fazer algo diferente. Como Star Wars, talvez… Não a coisa toda, mas algumas partes. Quanto às partes – bem, em Star Wars, não parece que eles pegaram a cultura ocidental e adicionaram coisas japonesas aqui e ali às vezes? Quero dizer, é um filme de Star Wars, mas os trajes de Luke parecem um uniforme de judô, e os sabres de luz usados parecem muito com espadas de samurai…

Desenhando o mundo de Phantasy Star, queria usar o que havia aprendido em Star Wars, pegando emprestado algo de um universo completamente diferente. Então é por isso que pensei que seria ótimo se as pessoas neste mundo vestissem roupas medievais, mesmo sendo uma história como a de Star Wars e havendo robôs andando por ali. Esta é a imagem que eu tinha em mente quando fiz este mundo.

O conceito dos labirintos 3D estavam desde o início. A proposta veio para “fazer algo que o NES não era capaz”, como lembrou o designer Kotaro Hayashida:

Acho que o sucesso de Phantasy Star reside no fato de que o time de desenvolvimento teve liberdade de fazer do jogo o que queria, sem restrições ou controle. Eu queria criar algo que o Famicom não tivesse possibilidade de fazer, então quis os labirintos em 3D.

Yuji Naka soube que as ideias do time de design não estavam sendo alcançadas pelos programadores, e por conta própria, fez uma engine de wireframes 3D especialmente para Phantasy Star. Naka também fez correções durante o trabalho, já que nas primeiras demos, a velocidade de movimentos nos corredores “fazia sua cabeça girar”, como descreveu Hayashida. Segundo Morimoto, “o movimento era tão rápido que fazia sua cabeça girar”.

É incerto se o programador participou durante todo o desenvolvimento. Falando sobre um dos eventos do game (a quest por um bolo encontrado dentro de um labirinto), disse Hayashida:

Quando Yuji Naka voltou dos Estados Unidos, após terminar Sonic 2 [o que aconteceu só em meados de 1992], lembro que ele viu aquilo e disse “Por que diabos alguém está vendendo bolo num labirinto?”. É, todo mundo achou estranho.

Por outro lado, foi Naka, segundo Kodama, quem “espremeu” o código do game já quase finalizado. Graças a isso, conseguiram inserir a imagem final que aparecesse no final, do grupo de Alis.

Phantasy Star foi projetado com bateria para salvamento das partidas. No projeto, chegou a ser considerado o uso de passwords, mas elas ficariam muito longas. “A password seria tão longa que exigiria duas telas para ser escrita — não seria o tipo de coisa simples de anotar”, lembrou Hayashida.

Entre as várias adaptações para que tudo coubesse na ROM disponível, uma foi reaproveitar frames dos movimentos. Em alguns casos, causou efeitos indesejados, como nos Zombies, que atacam com um “vômito”: em vez de desenhar os frames do líquido caindo, ele faz o movimento inverso, voltando para o inimigo.

Outra abordagem foi a de refletir os cenários para poder criar gráficos de tela inteira sem ocupar muita memória. Cada cena de batalha ou fundo de menu só existe pela metade, sendo a outra a mesma imagem refletida. Isso criou problemas como sombras impossíveis no mundo real, como a vista aos domos da cidade de Camineet.

Várias cenas de fundo em Phantasy Star são “espelhadas”, ou seja, apenas metade foi desenhada na memória, com a outra sendo a mesma imagem invertida horizontalmente.

O projeto foi desenvolvido por cerca de 9 pessoas, e todos como relatado por Morimoto, “Bo [Tokuhiko Uwabo] e o resto da equipe tinham muito amor por aquele jogo. Todos trabalhavam juntos, na mesma sala: som, planejamento, programação. Foi também onde Bo fez quase todas as músicas e sons”. Se parecia desorganizado para padrões modernos, por outro permitia um feedback mais imediato entre cada setor. “Podíamos espiar o trabalho uns dos outros. Eu podia conferir onde os game designers estavam, e eles como as músicas iam”, lembrou Uwabo.

Enredo

Enredo segundo o informativo da Sega, 2006:

“Algol, primavera de AW 342. O primeiro planeta do sistema solar, Palma, prospera sob o rino de Lassic. Mas de repente, uma variedade de monstros apareceu por toda parte de cada pleneta, ameaçando a vida das pessoas.

O jovem Nero, que descarregava trabalhadores do porto espacial na cidade Camineet, na área residencial central de Palma, acaba sendo descoberto quando explorava sozinho os passos de Lassic. Capturado pelos policiais robôs, ele acaba caído na rua. A última coisa que Alis ouviu de Nero morrendo é que ‘Lassic trouxe um enorme desastre para esta estrela’. Alis abraçou a espada curta do irmão junto ao peito e prometeu derrotar Lassic.”

Lassic teria “vendido” o sistema em troca de vida eterna (informativo JOYJOY 15, Sega do Japão).

Jogabilidade

Phantasy Star é um RPG de turnos. O jogador começa controlando Alis, e conversando com personagens não-controláveis na cidade de Camineet e arredores, vai descobrindo detalhes sobre o mundo do game. Ao enfrentar combates, Alis ganha pontos de experiência, que acumulados, aumentam o nível do personagem, e por consequência melhora seus números máximos de força, resistência, magia, etc.

O sistema solar Algol é formado pela própria estrela, e três planetas. Cada planeta tem diferentes características, como o clima e as tribos. Embora uma cultura única tenha sido formada para cada planeta, as forças de Palma estão se fortalecendo, uma vez que o plano de colonização de Palma possibilitou o movimento interplanetário da nave espacial.

Palma: verde e exuberante, Palma é de onde parte o desenvolvimento para o resto do sistema. Sob governo do Rei Lathyme, habitantes de Palma foram os primeiros a fazer viagens interplanetárias, alcançando primeiro Motávia, de onde coletaram recursos implementando a colonização. Nos eventos do jogo, o governo planeja construir um espaçoporto em Dezori.

Motavia: o segundo planeta em desenvolvimento, que cresceu principalmente após a construção do espaçoporto na capital Paseo. Sendo o planeta mais próximo da estrela Algol, tem clima desértico, com quase toda a superfície seca. Os habitantes indígenas, “motavianos”, tem o corpo todo coberto de pêlos, vestindo um capuz para evitar a luz solar forte.

Dezori: o mais distante do sol, coberto de gelo. A cada 100 anos, tem um eclipse solar por causa de Palma, ficando na sombra do grande planeta verde por 10 dias. Os indígenas de Dezori são chamados de “dezorianos”, não têm pêlos, têm corpo longo e pele verde, algo entre um cachorro e um macaco.

Recepção e legado

Vários elementos fundamentais da série foram definidos no primeiro Phantasy Star, como a moeda meseta, e a nomenclatura dos planetas. Foi o primeiro do que se tornaria uma série, sendo reconhecido como um dos pioneiros do gênero, pelo gráficos avançados e por ser um dos primeiros jogos com foco na história lançados no mercado ocidental.

Foi também marcante por ser um dos primeiros protagonizados por uma mulher. Phantasy Star foi lançado no Brasil adaptado para o português pela Tectoy. Teve três sequências no Mega Drive (Phantasy Star II em 1989, Phantasy Star III em 1990, e Phantasy Star IV em 1994), além de sequências não-canônicas (como Phantasy Star Online, de 2000) e remasters e relançamentos em outros sistemas.

Personagens

Alis

Alis, 15 anos, natural de Palma, é uma jovem guerreira, que parte em vingança contra o Rei Lassic depois que seu irmão Nero é assassinado por soldados do governo do tirano.

Myau

Myau é um tipo de gato, que além de falar com humanos, também tem capacidade de lutar. Desempenha um papel fundamental na missão de Alis.

Odin

Odin, 28 anos, é um guerreiro que lutava contra a Medusa quando foi transformado em pedra. Cabe a Alis encontrá-lo, já que foi o último conselho de seu irmão antes de morrer.

Noah

Noah, 27 anos, é um poderoso e arredio feiticeiro, que adere ao grupo de Alis depois de receber uma carta do governador de Motavia — que segundo alguns, teria diferenças pessoais com Lassic.

Nero

Nero, 18 anos, é o irmão de Alis. Ambos perceberam cedo sobre a relação entre as anomalias de Palma e Lassic, e começaram a investigar. Mas Nero foi descoberto e assassinado pelos robôs-policiais do governo.

Lassic

Lassic é o rei de Palma, que um dia foi benevolente, mas transformou-se num tirano depois de se aproximar de uma estranha religião que prometia vida eterna.

Dark Falz

Mais conhecido como Dark Force, é uma entidade maligna que reaparece em Algol a cada mil anos. Além de manipular Lassic, Dark Falz será o grande inimigo final de Alis.

Dr. Luveno

Um cientista genial que por razões desconhecidas, acaba preso num dungeon ao sul de Gothic. Capaz de construir naves espaciais, tem como assistente o robô Hapsby.

Dr. Mad

Como indica o nome, é um cientista que ficou louco. Por alguma razão, tem fixação em fazer experimentos com animais, e quer a todo custo usar Myau em seus testes geralmente fatais. Fixou-se em Albion.

Golden Dragon

Um gigantesco dragão que guarda a fortaleza de Lassic. Combate qualquer ameaça que se aproxima do castelo.

Tajim

Feiticeiro bastante idoso, foi o mestre de Noah, cujo último teste é enfrentar e vencer seu mestre.

Galerias

Créditos

Expandir
Kotaro Hayashida: planejamento geral, Chieko Aoki: história, Kotaro Hayashida: escritor de cenário, Finos Pata: assistência de coordenação, Otegami Chie: assistência de coordenação, Miki Morimoto: assistência de coordenação, Rieko Kodama: design geral, Kazuyuki Shibata: design de monstros, Naoto Ohshima: design, Koki Sadamori: design, Takako Kawaguchi: design, G Chie: design, Hitoshi Yoneda: design, Tokuhiko Uwabo: som, Akinori Nishiyama: checagem de software, Com Blue: assistência em programação, Masahiro Wakayama: assistência em programação, Asi: assistência em programação, Yuji Naka: programação principal.Presented by Sega
FONTEMemória BIT - Entrevista com a equipe de Phantasy StarSMS Power - Videofenky interviews Rieko KodamaSega Japão - História de Phantasy Star (arquivo)Sega Japão - Mundos de Phantasy Star (arquivo)
Quem editou este artigo: Daniel Lemes