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Review: competições colegiais em 8-bit com Field Day (arcade)

A Taito resolveu dar uma surfada na onda da série Track & Field da Konami, mas com umas colegiais em jogos estranhos.

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Nem só de clássicos se fez o mundo dos games. Vou tentar, pelo menos de vez em quando, revisar também jogos que você nunca ouviu falar. Ou talvez tenha ouvido falar, mas nunca jogou. Ou se jogou, não jogou muito, porque são obscuros e estranhos. Não necessariamente ruins, mas fora do padrão, aqueles que virtualmente ninguém lembra porque passaram batidos.

Estava eu fuçando numa enorme pasta de arquivos do MAME que tenho no PC. São dezenas de gigabytes de cartazes, artes, documentos e outras tralhas; você que tem aquelas instalações gigantes do MAME sabe do que estou falando. Uma imagem de repente me chamou atenção. Várias moças, talvez escolares, num jogo de cabo de guerra. Ao redor, várias cheerleaders e uma galera assistindo.

"Que diabo será isso?", pensei cá com meus botões. Sei que no Japão saiu muito jogo que os ocidentais nem imaginam que existe. Seria o caso?

Aliás, dá pra acreditar que fizeram videogame de cabo de guerra em 1984? Pois é, e se não sabe, saiba que é um esporte com federação mundial e tudo mais. E bem perigoso: se usar uma corda inadequada, há risco de lesões de extrema gravidade, incluindo amputações de dedos e braços, e até mortes.

Mas voltando ao jogo: pesquisando um pouco cheguei ao obscuro Undoukai - Dokoka no Gyoshiryoo no Undoukai, produzido e distribuído pela Taito. O arcade foi lançado em maio de 1984 no Japão, rodando num hardware 8-bit, o TAITO 40-0 (seu primeiro jogo foi um de tênis com esse nome). No Ocidente, foi chamado de Field Day, e teve uma aparição em consoles em 2007, na coletânea Taito Memories II Joukan, para o PlayStation 2.

Basta olhar um pouco pra sacar qual a fonte da chupinhação inspiração: Track & Field, lançado pela Konami em setembro de 1983. Ao jogar, você tem o mesmo feeling; até animações são parecidas, como aquela dos atletas no fim das provas. A tela de hi-scores, o placar... Nem tentaram disfarçar muito.

O diferencial é que em vez de uma competição de atletismo típica, apelaram ao undoukai. E o que vem a ser isso? Pesquisando mais, descobri que são gincanas de esporte amador típicas do Japão. Acontecem entre pessoas de um grupo local, como uma comunidade, escolas ou clubes, e tem várias provas peculiares. Boa sacada da Taito: conseguiu ficar no tema "olímpico", mas explorando algo diferente (ainda que tão localizado).

Ball-toss, um dos jogos de Field Day

Quem compete são colegiais. Sim, só mocinhas com típicos uniformes de colegiais numa aula de Educação Física. Geralmente são loiras contra morenas, se bem que isso não deve ser parte do enredo e sim questão técnica.

Espere modalidades no mínimo incomuns. Além do cabo de guerra, estão lá:

  • Bell-Ring - marretar uma base para fazer subir um peso e acertar o sino, como brinquedos de parque de diversões.
  • Ball-Toss - parecido com uma disputa de lances livres de basquete, mas são bolas num cesto colocado num poste.
  • 3-Legged Race é uma corrida de 100 m com duas moças unidas por uma das pernas com uma fita. Como se fosse uma pessoa de três pernas.

E outras mais. A corrida com obstáculos inclui barreiras e traves para passar por cima, se equilibrando. Bem diferente, mais ainda para o público que nunca ouviu falar de undoukai.

Simples ou simplório?

A jogabilidade é simples: pressionar botões. No Ball-Toss, por exemplo, um botão aumenta o ângulo do arremesso — que vai caindo o tempo todo — e outro lança a bola. É só ficar apertando como desvairado o botão de ângulo e arremessando, sempre de olho no ajuste do ângulo. No 3-Legged Race, é preciso apertar botões alternadamente, para correr de forma coordenada ou as meninas caem.

Simples desde que saiba o que fazer. Além de não receber qualquer dica de controle, é cruel: não atingiu a marca mínima, toma game over, sem perdão. Jogar Field Day no arcade devia ser um inferno. Tente aí, mas imagino que vai enjoar antes de chegar à última modalidade.

Gráficos são igualmente elementares. Considerando o hardware, até que não é dos piores, mas inferiores aos de Track & Field (que também rodava num 8-bit, o 6809). O desenho tem o nível de detalhamento que a máquina permite, ou seja, não muito; as animações também não são tão boas quanto no produto da rival Konami.

Rostos — pelo menos dos personagens controláveis — têm olhos e até dá pra notar expressões, como o esforço durante o cabo de guerra. Os fundos usam padrões mas várias partes são animadas, como plateia batendo palmas ou levantando os braços. Aceitáveis para seu tempo.

Cheerleaders na tela-título e em vez de olimpíada, uma gincana de colegiais.

Os sons incluem músicas como o prelúdio de Carmen (mais conhecida como "música do pódio da Fórmula 1") e o Cancan de Offenbach durante o placar em caso de objetivo alcançado. Nas provas rola também a Overture de Guilherme Tell, de Rossini. Elas cabem ali, pois dão uma atmosfera animada e divertida às competições — ao contrário do clima tenso de uma competição como Olimpíadas. E tem até umas vozes (meio roucas, mas estão lá) e poucos mas funcionais efeitos sonoros.

Apesar de esquisito e de jogabilidade paupérrima, faz a gente imaginar como seria algo assim hoje. Talvez o que mais próximo seja Dead or Alive, naqueles jogos de peitos e bundas festival como Dead or Alive Xtreme 3.

Gráficos: 6.00
Efeitos Sonoros: 5.00
Música: 5.00
Jogabilidade: 3.00
Controles: 4.00
Criatividade: 5.00
Enredo: 5.00
Carisma: 4.00
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