The Last of Us (Playstation 3) – parte 5

Jogo da Naughty Dog foi um dos melhores da sétima geração, focando na narrativa com personagens marcantes.

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Esse artigo é parte de uma série. Veja aqui a primeira parte.

Enredo

ATENÇÃO: spoiler completo.

Nos subúrbios de Austin, no Texas, o carpinteiro Joel (Troy Baker) chega tarde do trabalho, sendo surpreendido pela filha de 12 anos, Sarah (Hana Hayes), ainda acordada. Ela o presenteia com um relógio de pulso pelo aniversário, 26/09. A menina adormece no sofá da sala e Joel a coloca para dormir.

Sarah acorda de madrugada com ruídos e vaga pela casa procurando Joel. São ouvidos uma explosão e sirenes. Chegando à sala, é surpreendida pela entrada do pai na sala, vindo assustado do quintal. Ele diz que tem "algo estranho" acontecendo com a família Cooper, que "parecem estar doentes", e para que fique longe da porta. O vizinho Jimmy irrompe pela porta de vidro, transtornado, e os ataca; Joel atira nele em defesa pessoal.

Joel tenta fugir de carro com o irmão Tommy (Jeffrey Pierce), mas estradas foram bloqueadas pelo exército e ruas estão congestionadas por pessoas evacuando a cidade. Diversos infectados atacam os motoristas e pedestres; na fuga, o carro da família é violentamente atingido por outro num cruzamento, capotando.

Sarah machuca a perna e Joel a carrega pelas ruas em caos, enquanto Tommy os protege atirando em infectados agressores.

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Sarah e Joel abordados pelo militar.

Tommy fica para trás contendo muitos infectados com uma porta, prometendo alcançar o irmão na estrada. Em certo ponto, Joel é interceptado por um soldado, que recebe ordem de abrir fogo contra qualquer indivíduo que se aproxime. A menina é baleada e antes que o militar mate Joel, Tommy os alcança e executa o soldado. Sarah morre nos braços do pai.

Vinte anos se passam

A civilização ruiu. A maioria das áreas está deserta, com a estimativa de que 60% da população morreu. A natureza retoma regiões urbanizadas e o resquício de governo existente controla zonas de quarentena, onde militares mantém infectados distantes, mas exercem forte vigilância e regras sobre os residentes. Contra eles, há um grupo paramilitar chamado Vaga-Lumes (Fireflies). Alguns infectados, décadas após o contato com o fungo, converteram-se em criaturas deformadas e canibais.

Joel se transformou num homem frio e sem apego aos antigos padrões morais, usando qualquer artifício para sobreviver. Estabelecido na zona de quarentena de Boston, atua como contrabandista com a "parceira inseparável" Tess (Annie Wersching), cujo temperamento é similar. O trabalho ilegal dos contrabandistas é transportar objetos para além dos muros, recebendo recompensas na forma de cartões de alimentação ou outros itens.

Tess acorda Joel pela manhã dizendo que seus contatos localizaram Robert (Robin Atkin Downes), negociante de armas que lhes devia um carregamento mas em vez de entregá-lo, mandou dois homens para matá-la. Os dois seguem ao local, enfrentando vários capangas até cercar Robert; torturado, ele diz que vendeu as armas para os Vaga-Lumes. Tentando se salvar, sugere parceria para atacar os Vaga-Lumes, já debilitados pelos confrontos com os militares. Mas Tess diz que é "uma ideia estúpida" e o executa.

A líder do Vaga-Lumes, Marlene (Merle Dandridge), aparece ferida procurando Robert. Ao ver que está morto, aceita devolver as armas se os contrabandistas levarem algo para fora. Os três seguem a um imóvel próximo e descobrem que "algo" é Ellie (Ashley Johnson), de 14 anos, que deve ser levada ao Capitólio de Massachusetts. Ellie reclama mas Marlene diz que conhece Tommy – ex-membro dos Vaga-Lumes – logo Joel seria de confiança, rebatendo outros protestos da menina.

Joel inicialmente recusa a ideia, mas Tess o convence de que Ellie "é só uma carga".

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Joel e Tess recebem de Marlene (à direita) a missão de levar Ellie aos Vaga-Lumes no Capitólio de Massachusetts.

Joel, Tess e Ellie partem rumo às proximidades da muralha que cerca a zona militar. Indagada se seria filha de alguém importante dos Vaga-Lumes, Ellie responde de forma lacônica e desconversa. Pelo caminho, Joel parece lembrar de Sarah; Tess nota seu comportamento estranho e o repreende, pedindo que mantenha o foco. Enquanto Tess vai conferir as armas, Joel e Ellie ficam num imóvel perto da muralha, esperando anoitecer para sair.

Eles escapam da quarentena à noite, mas são abordados por militares com aparelhos para diagnosticar infectados. Ellie reage durante o scan; Joel e Tess matam os soldados mas descobrem que Ellie tem o Cordyceps no organismo. Pressionada, ela revela que foi mordida por um infectado três semanas antes mas não apresenta qualquer sintoma – o tempo máximo de desenvolvimento da doença é dois dias. Os Vaga-Lumes querem estudá-la para a possível criação de uma vacina.

Joel não acredita, mas surgem patrulhas e o grupo foge, enfrentando também infectados até alcançar o Capitólio. Lá encontram os Vaga-Lumes mortos. Joel quer voltar, mas Tess insiste que Ellie deve ser levada para Tommy, que saberá o que fazer. Na discussão, a mulher revela que foi mordida e que seu ferimento, feito horas antes, já está mais grave que o de Ellie, então a imunidade deve ser real.

Mais soldados chegam e sob protesto de Joel, ela fica sozinha para combatê-los de forma suicida – pois não quer se transformar pela infecção. Tess morre no tiroteio enquanto Joel e Ellie escapam.

tess e joel the last of us
Tess em seu pedido final a Joel.

Para levar Ellie ao distante vilarejo de Jackson, onde Tommy vive, Joel procura Bill (W. Earl Brown), sobrevivente que lhe deve um favor. O sujeito vive recluso numa cidade cheia de armadilhas, em total isolamento. Bill os ajuda a contragosto a obter um carro funcionando, com o qual a dupla segue viagem.

Passando por Pittsburgh, a pista está bloqueada e Joel é obrigado a entrar na cidade. Ellie observa impressionada os prédios, mas são interrompidos por um sujeito pedindo ajuda, aparentemente ferido. Joel diz a Ellie para colocar o cinto de segurança pois "ele sequer está ferido" e acelera – o homem saca uma arma, revelando a emboscada. Joel o atropela e vários outros atacam, os atingindo com um veículo sobre trilhos; Joel perde o controle, invade uma loja e bate, perdendo o carro.

Passando furtivamente pelas ruas, Joel e Ellie veem que os Hunters usam um carro de combate blindado para assassinar e roubar "turistas", como chamam estranhos na cidade. Ellie fica chocada ao vê-los perseguir e matar um casal só para descobrir que não tinham nada de útil.

Os dois começam a se relacionar melhor, apesar de Joel se recusando a permitir que ela carregue uma arma. Ellie às vezes conta piadas de seu livro de bolso e Joel lembra da vida antes da pandemia, porém sem revelar que teve uma filha.

Enquanto exploravam um prédio, Joel cai no poço do elevador, para grande preocupação de Ellie. Enquanto voltava para buscá-la, Joel é atacado por um Hunter, que quase o afoga numa poça d'água. Ellie pega sua arma no chão e mata o agressor, salvando sua vida. Apesar de chocada por nunca ter matado uma pessoa, Joel a repreende e retira a pistola de sua mão. Ellie se revolta, mas ele é agressivo e diz apenas que precisam seguir em frente.

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Ellie mata uma pessoa pela primeira vez para salvar Joel.

Mais adiante, encontram o caminho cercado por outro grupo de Hunters e no alto de um andaime, Joel entrega um rifle nas mãos de Ellie e a ensina como engatilhar, advertindo sobre o coice. Ele pede que faça "cada tiro valer a pena" enquanto estiver lá embaixo procurando um caminho para que escapem. Antes de descer, admite num esboço de agradecimento que a situação anterior era "ele ou eu" e sai depressa; Ellie satisfeita responde "de nada" para si mesma.

Ellie mata vários Hunters e ao reencontrar Joel, pergunta como se saiu; ele finalmente lhe entrega uma pistola, dizendo que é "só para emergências". Na rua, são de novo alvo do carro blindado, procurando abrigo em prédios mais altos, longe da visão do veículo. Ao invadir um imóvel, Joel entra em luta corporal com um homem e fica sob a mira da arma de um menino.

Ao ver Ellie e perceber que Joel não é um Hunter, o agressor pede que o menino abaixe a arma. Os dois revelam-se como os irmãos Henry (Brandon Scott) e o caçula Sam (Nadji Jeter), de 12 anos. Henry convence Joel a ajudá-los a escapar da cidade. Ellie e Sam ficam rapidamente amigos.

O grupo decide fugir à noite mas durante a ação, Hunters atacam com um carro blindado de combate. Sob intenso fogo, Henry não consegue ajudar Joel e foge com o irmão. Joel e Ellie são obrigados a pular num rio e como ela não sabe nadar, quase se afogam, sendo resgatados por Henry. Joel ameaça matá-lo mas Ellie o impede, afirmando que Henry os salvou e a situação se acalma.

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Henry e Sam ao conhecer Joel e Ellie.

O grupo explora o litoral e encontra uma galeria. Lá enfrentam vários infectados, mas saem do outro lado, chegando a uma área suburbana. Sam e Ellie jogam dardos e brincam; Joel conta a Henry que seu irmão é ex-Vaga-Lume e pode ajudá-los. Atacados por um sniper e vários Hunters, Joel mata o atirador e toma sua posição, mas surge uma horda de infectados e ele não consegue mais neutralizar as ameaças. O grupo se refugia numa casa para passar a noite.

Durante uma refeição, Joel conta sobre uma viagem de moto e Henry faz piadas – mas assim que Ellie sai da sala, admite em tom sério que seu grupo deve estar morto e não sabe como contar ao irmão. No quarto, Sam está arredio e triste; ele puxa assuntos sérios com Ellie, como vida após a morte, medos e a possibilidade dos infectados serem pessoas conscientes mas "sem nenhum controle do corpo". Ellie admite que tem medo de ficar sozinha, mas o tranquiliza dizendo que a personalidade dos infectados "não está mais ali" e que não acredita muito em paraíso.

Para mudar o clima sombrio, Ellie entrega um brinquedo que Sam havia tentado levar mais cedo. Ela deixa o quarto e Sam joga o brinquedo no chão, desanimado. Revela-se que foi ferido na perna e infectado. Na manhã seguinte, Ellie volta ao quarto e Sam, sob controle do fungo, a ataca. Joel pega a arma para matá-lo, mas Henry o impede com um tiro de alerta; vendo Ellie ser atacada, Joel insiste mesmo sob risco de ser baleado. Antes que faça algo, Henry atira em Sam e o mata.

Transtornado por não proteger o irmão caçula, Henry aponta a arma para Joel dizendo "É tudo sua culpa". Em seguida aponta para a própria cabeça e suicida-se, para horror de Joel e Ellie.

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Henry aponta a arma para Joel e em seguida tira a própria vida.

No outono, Joel e Ellie chegam as proximidades de Jackson, no Wyoming, onde Tommy vive. Numa hidrelétrica, o encontram com a esposa Maria (Ashley Scott). Tommy revela que esteve na antiga casa deles no Texas e tenta lhe entregar uma foto de Sarah que recuperou, mas Joel recusa, cortando depressa o assunto. O irmão diz que vai guardá-la.

Joel conta sobre a imunidade de Ellie a Tommy e pede que a leve aos Vaga-Lumes. O irmão se recusa, alegando não ter mais contato com o grupo. Os dois discutem; Tommy diz que tem pesadelos sobre o que fizeram no passado pós-pandemia e que "não valeu a pena" a ajuda de Joel. A discussão fica acalorada, mas são interrompidos quando a instalação é atacada. Joel ajuda a matar os invasores enquanto Ellie fica sob a proteção de Maria.

Após o ataque, Tommy vê a preocupação de Joel com Ellie e entende seu problema. Ele aceita levá-la aos Vaga-Lumes sob protestos da esposa. Ellie ouve a discussão e pergunta a Joel se é o motivo daquilo, mas ele desconversa. Mesmo assim, a menina percebe do que se trata e inconformada, foge à cavalo. Joel e Tommy seguem seus rastros até um rancho abandonado.

Joel desconversa sobre querer livrar-se dela. Ellie pergunta qual seu medo, já que ela é imune e não pode ter o destino de Sam, mas ele segue convicto sobre deixá-la com Tommy. Dizendo "Não sou ela", Ellie revela que Maria lhe contou sobre Sarah. Pego de surpresa, Joel a alerta sobre estar tocando num assunto "muito delicado". A menina lembra que também perdeu pessoas e ele insiste que Ellie "não tem ideia do que é perda".

Num desabafo, ela exclama que todas as pessoas com quem se importava morreram ou a abandonaram – exceto Joel.

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Ellie foge ao saber que será deixada com Tommy e depois confronta Joel por querer livrar-se dela.

Um grupo de Hunters ataca e após estarem em segurança, os três seguem quase em silêncio rumo a Jackson. Tocado pela discussão no rancho, Joel muda de ideia e decide continuar com Ellie. Notando o irmão se afeiçoando à menina, Tommy insiste que pode levá-la, mas Joel dispensa a ajuda. Tommy indica uma base dos Vaga-Lumes na Universidade de West Colorado e diz que haverá lugar para eles em Jackson na volta.

Joel e Ellie encontram o local, mas só há infectados. Em anotações, descobrem que Vaga-Lumes deixaram o local há anos e estão num hospital em Salt Lake City. Antes de partir, são atacados por um grupo de desconhecidos e Joel é gravemente ferido, transfixado por uma barra de ferro. Ellie o retira do prédio à cavalo, atirando em agressores enquanto ele quase perde muito sangue.

No inverno, Ellie cuida de Joel que fica à beira da morte por sepse. Numa saída para caçar, ela abate um cervo mas é abordada por David (Nolan North) e James (Reuben Langdon), que pedem a caça. Após grande tensão, Ellie aceita trocar a carne por antibióticos, mas enquanto aguardam a volta de James com o remédio, infectados atacam.

Os dois trabalham juntos e já seguros, David revela que os homens da faculdade eram de seu grupo, e que foram atacados por "um homem louco acompanhado de uma menina". Ellie foge assustada, levando o remédio e o rifle de David.

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Ellie encontra David e James durante caçada.

De volta ao abrigo, Ellie aplica o antibiótico em Joel mas vê que foi seguida. Ela deixa Joel inconsciente na cabana – para evitar sua captura e morte certa – e tenta fugir à cavalo, atraindo os homens de David, sendo dominada e capturada. David se revela membro de um grupo canibal, oferecendo adesão e segurança à Ellie. Ela recusa a oferta e quebra seu dedo, sendo mantida numa jaula.

Joel desperta fraco e sai para procurar Ellie em meio à nevasca. Ele tortura e mata dois canibais, descobrindo para onde a menina foi levada para ser "o próximo pet" de David. Já na mesa de abate, Ellie reage, mata James e escapa, mas é encurralada por David num velho restaurante em chamas. Subjugada e prestes a ser enforcada, Ellie alcança um facão e mata o canibal com múltiplos golpes. Joel aparece e a conforta como fazia com Sarah, a abraçando pela primeira vez.

Na primavera, a antes bem-humorada Ellie demonstra-se quieta e distante, traumatizada pela experiência com David. Joel se abre, falando até de Sarah, assunto antes proibido. Ellie entrega a foto dele com a filha, que roubou dos pertences de Tommy. Joel agradece e promete ensiná-la a nadar e tocar violão quando tudo terminar, mas nada parece animá-la.

Pouco antes do hospital, encontram um grupo de girafas e Ellie fica encantada. Enquanto observam o grupo de animais, ela volta a demonstrar algum otimismo.

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Ellie se encanta com as girafas nas proximidades do hospital.

Após passar por diversos infectados no acesso ao hospital, a dupla encontra o caminho bloqueado por uma forte correnteza. Ao usar um ônibus tombado como ponte, Joel cai, Ellie tenta ajudá-lo e os dois afundam. Joel traz Ellie à superfície aparentemente afogada e enquanto tenta reanimá-la, são abordados por uma patrulha dos Vaga-Lumes. Joel leva um golpe e apaga, acordando num leito do hospital, com Marlene e o soldado Ethan.

Marlene explica que os Vaga-Lumes os davam como mortos há tempos. Joel credita o sucesso em alcançar o hospital à Ellie, que "lutou muito" por isso. Mas ao pedir para vê-la, Marlene nega e avisa que ela está sendo preparada para uma cirurgia. O cirurgião extrairá o fungo modificado que se espalhou por todo o cérebro, causando sua morte. Joel não aceita e fica agressivo, mas Marlene ordena a Ethan que o escolte para fora do prédio, atirando se necessário.

Joel desarma Ethan e antes de matá-lo, atira duas vezes em sua barriga para fazê-lo dizer onde fica a sala de cirurgia. Soldados ouvem os tiros e começa uma caçada nos hospital; Joel mata diversos até alcançar a sala. O cirurgião o ameaça com um bisturi, dizendo para pensar "em todas as vidas que vamos salvar". Joel o mata, tira Ellie inconsciente da maca e escapa, perseguido por soldados.

No estacionamento, Marlene tenta convencê-lo da necessidade do sacrifício pela possível vacina.

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Marlene intercepta Joel no estacionamento do hospital.

Ellie desperta no carro. Joel diz que os Vaga-Lumes desistiram de uma vacina após examinar vários outros imunes. Um flashback mostra que na verdade, Joel atirou em Marlene com uma arma que trazia escondida e enquanto ela implorava pela vida, respondeu "Você iria atrás dela" e a executou com um tiro na cabeça.

Joel e Ellie voltam à Jackson, mas Ellie demonstra sofrer de culpa de sobrevivente pelas mortes que presenciou. Perto da cidade, revela que não estava sozinha ao ser mordida, quando perdeu a melhor amiga, Riley. Lembra também das mortes de Tess e Sam, mas Joel argumenta que nenhuma dessas mortes é culpa dela. Ela o interrompe e pede que jure que tudo que contou sobre o hospital era verdade. Joel jura, sob um olhar dúbio de Ellie, que apenas responde "ok".

Fim dos spoilers.

Divulgação e lançamento

The Last of Us foi anunciado em 10/12/2011, no Spike's Video Game Awards, com um trailer teaser que mostra Joel e Ellie, além de material para a imprensa com características do jogo. O anúncio despertou grande interesse e fez dele um dos lançamentos mais aguardados do PlayStation 3.

No vídeo de dois minutos, são apresentadas mecânicas e elementos básicos como stealth, combate, uso de armas de fogo e branca, scavaging e também inimigos como um hunter e os clickers. O trailer termina com uma visão geral dos cenários, como o interior de um hotel e as ruas com vegetação crescendo pela cidade.

Durante a produção do vídeo, a equipe se questionou se deveria ou não incluir os infectados, já que eles "não são o foco do jogo", segundo explicou Druckmann em 2012. Ellie tem o design original, que seria modificado – segundo a Naughty Dog, para ficar mais próximo das feições de Ashley Johnson.

O primeiro vídeo de gameplay, com cerca de cinco minutos, foi mostrado na E3 em 15/05/2012, com Joel e Ellie enfrentando hunters. Nele, a interface dos menus era bem diferente da versão final e algumas dicas na tela não eram exibidas. No dia seguinte, foi lançado o trailer The Sky Has Turned Grey, com a cena da dupla emboscada por hunters em Pittsburgh. Na San Diego Comic-Con de 13/07, um novo trailer revelou o personagem Bill.

O terceiro trailer foi lançado na Gamescom em 14/08/2012, com uma seleção de cenas ao som Alone and Forsaken, de Hank Williams. Foram lançados também vídeos sobre o processo de desenvolvimento e no PAX Prime daquele ano, um vídeo com bastidores da revelação de gameplay na E3. No Spike Video Games Awards em 07/12, foi revelado um story trailer com um pouco mais sobre a história.

Ainda em dezembro, foram revelados no dia 9 a capa oficial do jogo e os bônus da pré-venda. A Naughty Dog confirmou que trabalhava para que o jogo fosse lançado em 07/05/2013 e publicou uma arte de fim de ano em seu site. Segundo Druckmann, a capa foi alvo de discussão com pessoal não citado, mas provavelmente da Sony, que queriam menos destaque em Ellie . "Estive em discussões onde fomos pedidos para empurrar Ellie para o fundo [da arte da capa] e todos na Naughty Dog recusaram prontamente".

Em fevereiro de 2013, foi revelado que The Last of Us seria adiado de 07/05 para 14/06, para os últimos ajustes. Em março, um trailer para a TV foi exibido nos Estados Unidos logo após o último capítulo da terceira temporada de The Walking Dead, na AMC, incluindo cenas inéditas de gameplay e cutscenes.

O penúltimo trailer mostrou o modo online e as facções, em 04/06. O trailer final foi lançado no dia 11 – três dias antes do jogo – durante a E3 2013.

Easter eggs em Uncharted 3

A Naughty Dog colocou um easter egg citando o enredo de The Last of Us em Uncharted 3, lançado quase um mês antes do anúncio do jogo no Spike's Game Awards (dezembro de 2011). Há um jornal in-game chamado The Overseer com a manchete "Cientistas ainda lutam para entender fungo mortal".

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Referência ao enredo de The Last of Us em Uncharted 3, lançado quase um mês antes da revelação do jogo.

A ideia de inserir a referência foi do cochefe de design, Anthony Newmann. "O designer veio até nós e disse 'Você se importa se eu colocar esse easter egg? Então quando alguém jogar Uncharted 3 eles dirão tipo 'Ah, eles estavam falando de The Last of Us'", contou Druckmann, que concordou com a adição.

Contudo, o estúdio resolveu mais tarde revelar o jogo só em dezembro, depois do lançamento de Uncharted 3 e esqueceram de remover a referência. Isso fez do easter egg a primeira revelação do enredo de TLoU, ainda que o público não soubesse do que se tratava – ninguém sabia que a Naughty Dog tinha duas divisões em projetos diferentes desde 2009.

O público notou o jornal e começou a cogitar em fóruns online que fosse um novo jogo uma semana antes do VGA. "Estávamos numa reunião e recebemos uma mensagem de texto de um dos designers dizendo 'Deram com a língua nos dentes'. Ficamos tipo "O quê, como? Mantivemos o segredo por tanto tempo!", lembrou Druckmann, rindo. "Mostrei aquilo ao Evan [Wells, copresidente da Naughty Dog] e ele arregalou os olhos; tínhamos mais uns 10 minutos de reunião e estávamos suando".

Fomos ao setor de design, o designer que colocou aquilo vem até mim tipo "Quero que você saiba que você aprovou, você aprovou!" e eu "Aprovei o quê?" Então ele vai ao NeoGAF ou algo assim e tinha alguém "Tem um jornal ali". Eu "Ah não, fomos descobertos". E aí o mais legal é... não sabemos como, mas todos estavam "Não pode ser da Naughty Dog, porque acabaram de lançar Uncharted 3. Eles devem estar fazendo algum favor para a Sony Santa Monica!''

Druckmann contaria pouco antes do lançamento que aquilo foi uma falha porque o plano original era revelar TLoU na E3 em junho, quase cinco meses antes do lançamento de Uncharted 3 – quando fosse jogado, todos já saberiam do que a referência se tratava.

Curiosamente, o pub em que o jornal é encontrado chama-se Pelican Inn em Uncharted 3. Ele aparece também em The Last of Us, mas com o nome O'Sullivan's Irish Pub. A Naughty Dog usou o mesmo asset e embora não tenham referência canônica, tudo isso levantou uma teoria: de que os jogos se passariam no mesmo universo, a epidemia teria começado em Uncharted e todos nele estão mortos nos eventos de The Last of Us, inclusive Nathan Drake – daí viria a existência do pub totalmente destruído.

O problema da teoria é que em Uncharted 3, o pub fica em Londres; em TLoU, fica em Pittsburgh. Ao explicar a reutilização do bar, Newmann confirmou em tom de piada:

Se você voltar ao The Last of Us, há mesmo uma parte na área de Pittsburgh em que reutilizamos aquele pub. Nós entramos pelos fundos, o que é um pouco estranho, é bem escuro e talvez você não veja... Mas é o mesmo pub, está todo quebrado e tem lixo pra todo lado. Sim, é exatamente isso, com certeza [em resposta se isso confirmaria a teoria].

Druckmann brincou que "Uncharted 4 é só um sonho, todos já morreram".

pelican inn uncharted easter egg

Edições promocionais

Para promover as vendas, a Naughty Dog criou demos jogáveis e edições especiais com conteúdo extra. Todas tiveram o mesmo conteúdo básico, formado pelo disco do jogo e adesivos da Naughty Dog; além disso, quem comprou o jogo na pré-venda recebeu também o download de avatares personalizados na PSN, tema dinâmico do PS3, o disco de áudio Sights and Sounds e o Survival DLC Pack – tudo isso foi incluído nas demais edições.

O Surival DLC Pack incluía:

  • Pontos de bônus para o modo multiplayer;
  • Um booster nos combates corpo a corpo do modo multiplayer;
  • Dinheiro extra no início do jogo;
  • Itens especiais customizados de cada personagem para o multiplayer;
  • Duas skins especiais para Joel e Ellie ao completar a campanha single player.

Além desse conteúdo básico, cada edição teve características próprias:

Survival Edition: versão miniatura da história em quadrinhos American Dreams #1, um art book e estojo steelbook.

Joel Edition e Ellie Edition: história em quadrinhos American Dreams #1 em miniatura, art book em miniatura, case de lona, cartazes do personagem de cada edição, skin de cada personagem para o Sackperson em LittleBigPlanet e skin de cada personagem para o Dualshock 3. Essas edições traziam apenas um adesivo da Naughty Dog cada.

Post-Pandemic Edition: história em quadrinhos American Dreams #1, steelbook e estatueta de Joel e Ellie de 12 polegadas da Project Triforce.

Collector's Edition: história em quadrinhos American Dreams #1, art book, steelbook, skins de Joel e Ellie para o Sackperson em LittleBigPlanet, skins de Joel e Ellie para o Dualshock 3, estatueta de Joel e Ellie, camiseta e postcards.

Foram lançadas também versões exclusivas regionais, como a edição de colecionador das lojas GameStop da Itália, que incluíam skin para o PlayStation 3 e capa para celular.

Limited Edition Press Kit foi uma edição numerada em 2505 unidades, enviada a revisores da mídia; incluía embalagem personalizada (imitando efeito de tiro), livreto de artes, disco de review (como jogo idêntico à versão pública), códigos para o download de conteúdo adicional e de assets para a imprensa e a trilha do jogo em um pen drive imitando uma fita cassete.

Junto com o jogo foi lançado um guia oficial chamado The Last of Us Strategy Guide, publicado pela Brady Games. O livro teve duas edições:

Limited Edition: livro de 256 páginas com capa dura, é um guia com walkthrough composto por mapas ilustrados de cada área do jogo, dicas e táticas para cada arma e habilidade, biografias completas dos personagens, dicas da edição Signature Series e detalhes de inimigos, equipamentos, armas e itens. Acompanhava um exclusivo chaveiro imitando os pingentes dos Fireflies no jogo.

Signature Series: guia de 304 páginas com dicas de técnicas como stealth gameplay e como localizar objetos, inclui relatos do time da Naughty Dog sobre a história e desenvolvimento dos personagens, walkthrough, informações sobre inimigos, objetos úteis e perfis e descrições dos personagens e pessoas encontradas ao longo da jornada.

Recepção e legado

The Last of Us teve grande expectativa da mídia e público, considerado capaz de "mudar a indústria", e teve ampla recepção positiva quando lançado. Foi considerado por muitos revisores como um dos jogos mais importantes da sétima geração de consoles, aparecendo desde então em diversas listas de melhores jogos da história. Apareceu em várias listas de melhores jogos de 2013, vencendo em categorias diversas. Recebeu nota máxima nos reviews da Game Informer e da IGN. Segundo o site de reviews públicos Metacritic, o jogo teve "aclamação universal" até os 98 reviews publicados, com nota média 95/100, sendo o sétimo melhor do PlayStation 3 no site.

Review da IGN chamou TLoU de "obra-prima" e "melhor exclusivo do PlayStation 3", e a Edge o considerou "o épico dirigido pela história mais sólida e emocionalmente ressonante". O Eurogamer viu o jogo como uma "luz de esperança" para o gênero de survival horror.

Vários revisores deram destaque à narrativa, com ênfase na relação entre Joel e Ellie. A Game Informer disse em seu review que ela era "tocante" e "bem desenhada", e a Eurogamer, que os personagens foram desenvolvidos com "paciência e habilidade", apreciando o valor emocional. A Joystiq chamou a relação de "genuína e emocionante, e a IGN a considerou o ponto alto do jogo. O site Polygon escreveu que Ellie era um personagem crível, o que tornava fácil para o público se conectar com ela. O enredo do fungo que sofre uma mutação para infectar humanos foi considerada plausível pela revista Scientific American.

O sistema de combate foi elogiado pela Game Informer que apreciou a vulnerabilidade durante as lutas. A IGN disse que o sistema de combate ajudou no valor emocional da narrativa, ao tornar os inimigos mais "humanos".

A Eurogamer opinou que a tensão dos combates e encontros adicionou valor a jogabilidade, enquanto a Gamespot achou que a inteligência artificial afetou o combate de forma negativa, com inimigos frequentemente ignorando os companheiros do protagonista. A Polygon achou o combate "injusto", especialmente quando se enfrentam os infectados, quando ocorrem "inconsistências na inteligência artificial".

Os gráficos e visuais foram amplamente elogiados. A arte foi chamada de "excepcional" pela Eurogamer; a IGN viu os gráficos como fator de contribuição ao realismo, enquanto a Game Informer os considerou "sem precedentes em consoles". A Gamespot, contudo, viu a representação do mundo pós-apocalíptico como "mundana", pois já havia sido feita de forma similar muitas vezes. O review do site Destructoid achou o visual impressionante mas que aspectos técnicos tiveram impacto negativo, como algumas texturas "borradas e básicas" no início do jogo.

A Edge publicou que o design de níveis foi bem ajustado à história, e a Game Informer achou que o mundo jogo refletia "efetiva e graciosamente a solidão" da trama. A IGN elogiou elementos gerais do mundo, como as notas escondidas e cartas.

O som do jogo também recebeu muitos elogios. A Eurogamer sentiu que o design era sensivelmente mlehor que em outros jogos e a Game Informer o classificou como "fantástico". A Gamespot afirmou que o áudio adicionava bastante a jogabilidade, especialmente quando o jogador estava se mantendo escondido de inimigos. A trilha sonora foi elogiada nos reviews da Game Informer e do Destructoid.

O elevado nível de violência do jogo foi alvo de muitas análises. O site Engadget achou o foco constante do jogo em combates era "um mal necessário para levar a frágil dupla de protagonistas para a segurança"; a Kotaku publicou que a violência era "pesada, consequencial e necessária" e não gratuita. O site US Gamer disse que o jogo reforçava a negatividade associada à violência, ao forçar os jogadores a praticar atos que os deixavam desconfortáveis durante os combates. Segundo o artigo, as mortes no jogo não eram desnecessárias ou injustificadas, o que tornava a história "mais poderosa". A Eurogamer afirmou que a violência não era "insensível ou vazia", e a Game Informer notou que ele levava o jogador à fazer questionamentos morais de suas escolhas. A Joystiq disse que a violência era desenhada para ser desconfortável, afirmando que isso contribuía com a criação da personalidade de Joel. Antes do lançamento, o site The Guardian escreveu que a violência seria aceitável de acordo com o contexto no jogo.

Também chamou atenção dos críticos a representação de personagens femininos em TLoU. A Edge elogiou a falta de personagens femininas sexualizadas, dizendo que isso "oferecia um antídoto inovador ao sexismo e as atitudes retrógradas de gênero na maioria dos jogos blockbuster". A Eurogamer elogiou Ellie como "alguém forte, às vezes vulnerável, mas nunca um clichê". A revisora senetiu que a personagem foi inicialmente estabelecida como uma "donzela em apuros", mas de forma subvertida. A GameSpot elogiou as personagens femininas como "moralmente conflituosas e simpáticas", enquanto o The New York Times reconheceu que Ellie era "às vezes poderosa", mas que no fim, The Last of Us era "na verdade a história de Joel", e "outro videogame feito por homens, para homens e sobre homens".

The Last of Us também foi avaliado por mostrar personagens LGBT. O site GayGamer sentiu que a revelação da sexualidade do personagem Bill "adicionava ao personagem sem estigmatizá-lo", e a fundação american GLAAD nomeou Bill um dos "mais intrigantes personagens LGBT de 2013", o classificando como "profundamente falho mas totalmente único".

A Forbes, em artigo chamado "Porque The Last of Us pode ser o melhor jogo de 2013" disse que os pontos fortes não eram a jogabilidade de tiro em terceira pessoa "decente" como qualquer jogo do gênero nem os gráficos, que se alinhavam ao melhor feito no console, mas que o real poder estava no "conto de Joel e Ellie". Segundo o revisor, após experimentar as dificuldades de cada personagem, ele considerou o final do jogo um dos melhores já feitos.

A recepção aos atos de Joel no final foram mistas, com alguns o classificando como "monstro" e outros entendendo que ele agia como um pai típico diante da potencial perda de outra filha. Druckmann disse que ficou surpreso com artigos que tentavam classificá-lo como herói ou vilão, já que ele precisava ser necessariamente uma coisa ou outra. "Ele não pode ser só um personagem complexo que teve decisões boas e ruins? É aberto à interpretação". Também disse que viu artigos perguntando "Qual a sensação de jogar com um monstro?", mas que em sua visão Joel ou Marlene (que estava disposta a sacrificar Ellie) não pareciam monstros.

Alguns jogadores e revisores, como o da Forbes, questionaram a decisão da Naughty Dog pelo jogador controlar Joel na cena da cirurgia em vez de usar uma cutscene, chamando as escolhas de design da cena de irreais – o médico morre mesmo que Joel atire em seu pé, mas é totalmente invulnerável a determinadas agressões. Parte do público também questionou a razão dos Fireflies decidirem sacrificar Ellie tão depressa, ao que Straley respondeu que era necessário para a história que queriam contar e que o jogador "não sabe quanto tempo Joel ficou desacordado".

The Last of Us vendeu mais de 1,3 milhões de cópias na primeira semana, o que fez dele o maior lançamento entre videogames de 2013. Em três semanas, tinha alcançado 3,4 milhões de unidades, se tornando o jogo mais vendido em menos tempo naquele ano para o PlayStation 3. Também seria o jogo mais vendido da história da PlayStation Store para o console (recorde mais tarde quebrado por Grand Theft Auto V). Entre todos os consoles, foi o 10º jogo mais vendido do ano 2013.

O jogo liderou as vendas no Reino Unido, França, Estados Unidos, Irlanda, Itália, Holanda, Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Espanha e Japão. Até agosto de 2014, somando as versões original e Remastered, TLoU vendeu mais de oito milhões de cópias, e até outubro de 2019, mais de 20 milhões.

A Naughty Dog foi reconhecida como Estúdio do Ano e Melhor Desenvolvedora nas listas do The Daily Telegraph, Edge, no Golden Joystick Awards e outros. Baker e Johnson receberam múltiplas indicações pelo trabalho no jogo. Baker ganhou prêmios da Hardcore Gamer e no Spike VGX; Johnson no British Academy Video Games Awards, DICE Awards, VGX e do The Daily Telegraph.

Para Druckmann, The Last of Us foi sua chance de deixar uma contribuição positiva para os padrões femininos na indústria:

Todos os sacrifícios que fazemos como pais é para dar aos nossos filhos ferramentas para quem tomem suas próprias decisões. É o que quero para minha filha; ainda que eu esteja ao lado dela, ela vai crescer e se tornar uma pessoa com sua própria vida. Espero deixá-la com as ferramentas para ser melhor que eu, e grande parte disso está na oportunidade que tive de criar padrões melhores. [...] The Last of Us só foi lançado há alguns meses mas estou bastante orgulhoso do impacto até aqui.

O modo online foi descontinuado em 2019. A sequência, The Last of Us Part II, foi anunciada em 2016 e lançada em junho de 2020 para o PlayStation 4. Do núcleo original, apenas Straley não participou, com o retorno de Druckmann na direção geral, além de Baker e Johnson nos papéis de Joel e Ellie, além de novos personagens.

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