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Super Mario Kart: 20 anos de corridas muito loucas

Nos 20 anos, relembre a história do mais bem sucedido spin-off do universo Mario, que continua firme e forte.
Por: Daniel Lemes
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Há 20 anos, surgia o que poderia ser só mais um na miscelânea de mundos explorados pelo mascote-mor da Nintendo, mas acabou ganhando lugar especial no coração dos fãs (e no catálogo da empresa): Super Mario Kart. A inusitada corrida entre o bigodudo e seus colegas de outras aventuras como Bowser, Peach, Yoshi e Luigi foi sucesso imediato, abrindo caminho para a bem-sucedida série paralela.

Desde então, as corridas já aconteceram em consoles de mesa, portáteis e até arcades, como parte importante no sucesso (e faturamento) da franquia Mario, que nasceu nas plataformas e estendeu-se por gêneros como RPG e esporte. Nesses vinte anos, a jogabilidade permaneceu intacta, assim como o grosso das características centrais: itens, circuitos, personagens e carros.

Como na Corrida Maluca, o desenho clássico de Hanna-Barbera (do Mutley, Penélope Charmosa e Dick Vigarista), em Mario Kart o negócio não se resume à pista e motores: sobre seus possantes, os personagens podem sabotar-se mutuamente com armadilhas ou tirar vantagens de power ups como super turbos e invencibilidade. O cenário é cheio de perigos como buracos, rampas e obstáculos, que vão de marmotas que saem do chão e saltam em frente ao carro, siris e bonecos de gelo.

A chance de ir de último para primeiro com uma boa sacaneada nos rivais eleva a diversão a níveis incalculáveis.

Mas de forte apelo infantil, nada é parecido com jogos "sérios" tipo Road Rash: armas são cascas de banana, raios, cascos de tartaruga e outros elementos comuns do universo colorido de Shigeru Miyamoto.

Super Mario Kart 20 anos

Vamos dar uma passeada pela franquia motorizada de Mario e ver como ela se desenvolveu.

Super Mario Kart

Super NES, 1992

Super Mario Kart, SNESMiyamoto teve participação fundamental (produtor). A ideia inicial era um game de corrida para 2 jogadores em tela dividida — ele queria algo diferente de outra de suas crias, F-Zero, que apesar do sucesso, só tinha modo single player. No protótipo não se sabia ao certo quem estaria sentado no kart, havia um personagem genérico; só com uns meses de desenvolvimento ficou decidido o uso do mascote. Quer dizer, a ideia do kart já estava decidida antes de pensarem no Mario piloto.

A jogabilidade se consagraria: um ou dois jogadores, tela dividida, uso de itens espalhados pelas pistas, armadilhas como buracos e obstáculos móveis, e a impressionante (para a época) rotação e escala do Mode 7. São duas categorias: 50 e 100 cilindradas, e se não chegar entre os quatro primeiros colocados, você não se qualifica para a corrida seguinte.

O sucesso foi estrondoso, com resenhas muito favoráveis e culminando em mais de 8 milhões de cópias — o que faz dele o 3º título mais vendido do Super Nintendo, atrás só de Super Mario World (20 milhões) e Donkey Kong Country (9 milhões).

Viciante, cheio de diversão para todas as idades.

Super Mario Kart

Mario Kart 64

Nintendo 64, 1996

Mario Kart 64Quatro anos mais tarde, foi a vez do 64-bit receber as corridas, agora com todo o poderio da nova plataforma da Nintendo. Claro que foi tudo muito enriquecido, com novidades como pistas tridimensionais e o modo para 4 jogadores, além de vozes — o tradicional "Mama Mia! de Mario quando é sacaneado por outro corredor é um clássico. Os personagens não mudaram quase nada, o único novo foi Wario no lugar da tartaruguinha Koopa Troopa.

Com desenvolvimento iniciado em 1995, a versão beta tinha Kamek no lugar de Donkey Kong, e seria chamado Super Mario Kart R; o título foi mudado (dizem) para evitar problemas com a Sega, que já tinha registrado o Sonic R.

Game excelente que teve cerca de 5.5 milhões de unidades vendidas, e um posterior relançamento no Virtual Console. A série dava mostras que tinha muito o que correr.

Mario Kart 64

Mario Kart: Super Circuit

GBA, 2001

Mario Kart Super Circuit, Game Boy AdvanceConhecido no Japão como Mario Kart Advance, a primeira versão portátil da série foi um misto de vários elementos das duas primeiras. Os personagens são os mesmos do Nintendo 64, enquanto a jogabilidade é muito similar a de Super Mario Kart. É o mais parecido com o jogo original, até pelo menor poder de hardware do Game Boy Advance se comparado aos consoles que estavam no mercado na época, ou mesmo com o Nintendo 64, último a hospedar as corridas.

São três categorias — 50, 100 e 150 cc — e é preciso chegar entre os 4 primeiros para seguir nos campeonatos. Há novos recursos tipo o Random (escolha aleatória de personagem) e vários modos de jogo, como o Battle, VS, Mario GP e Ghost Trade.

Muito divertido e perfeito pra quem jogou no Super Nintendo conferir a evolução que 9 anos trazem para uma série.

Mario Kart Super Circuit

Mario Kart: Double Dash!!

GameCube, 2003

Mario Kart Double Dash!!, GamecubeEm sua quarta versão, a jogatina chegou ao GameCube, trazendo, além das melhorias esperadas, carros com dois lugares, partidas em rede com até 16 jogadores simultâneos e 20 personagens, sendo onze novos. Entre os que estrearam como pilotos estão Diddy Kong, Birdo e Waluigi.

Desenvolvido desde 2001, o desafio da equipe de criação era ter um game que pudesse ser curtido mesmo por quem tivesse o primeiro contato com a série; deveria ser o mais acessível já feito. Miyamoto deu total liberdade à equipe para tomar decisões quanto aos gráficos, deixando só uma série de caminhos técnicos a serem seguidos.

Double Dash!! teve boa recepção dos jogadores, com 4 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos, mas foi também a versão que recebeu mais críticas, direcionadas especialmente às vozes muito repetidas e à simplicidade — com o intervalo de sete anos entre este e o game anterior (sem contar a do portátil GBA), esperava-se um enorme salto de qualidade, mas não chegou a isso.

Isso não significa que seja ruim: técnicas de largada, jogos em rede, gráficos muito bonitos e a tradicional jogabilidade cheia de diversão fazem dele um dos ótimos títulos do GameCube.

Mario Kart Double Dash!!

Mario Kart DS

Nintendo DS, 2005

Mario Kart DSO quinto da série levou doze personagens para correr nas telinhas do portátil DS. Na tela superior, uma visão tridimensional da pista, enquanto na inferior (durante a corrida) tem-se visão aérea bidimensional do circuito. Quase todos os modos de antes voltaram, incluindo as já tradicionais categorias por cilindradas, jogos em rede via Nintendo Wi-Fi Connection ou conexão local sem fio. Muito do game clássico foi recriado, para dar uma sensação mais nostálgica a quem tivesse jogado no Super NES. É um jogo rápido, bem feito, com replays das corridas e muitos itens.

Foi o primeiro da série a não ter Miyamoto como produtor; ele é creditado como "produtor geral", ficando o cargo principal para Hideki Konno (co-produtor em Super Mario Kart e Mario Kart 64). Também pela primeira vez, as partidas online tiveram papel de destaque na produção — na verdade, foi pensado prioritariamente para ser jogado em rede. Segundo Konno: "[Queria que] todos jogassem online, pois já tínhamos a tecnologia e o momento certo para isso acontecer".

Mario Kart DS foi muito bem-sucedido, com notas altas em quase todas as resenhas. A IGN o nomeou "Melhor Game de Corrida de 2005". Um título que engrossou legal o caixa da Nintendo, sendo o terceiro mais vendido para o DS com quase 23 milhões de cópias.

Mario Kart DS

Vida longa e próspera

No arcade foram dois jogos: Mario Kart Arcade GP, em 2005, fruto de parceria entre Nintendo e Namco (Pac-Man surge como piloto) e Mario Kart Arcade GP 2, em 2007. Sem dar sinal de cansaço, a correria continua firme nos videogames atuais, como em Mario Kart Wii (2008) e Mario Kart 7 (3DS).

Tudo indica que ainda virão muitos GPs do encanador pela frente. Segundo Konno, há planos sólidos (alguém achava que não?) de Mario Kart no Wii U. "Queremos criar um novo e formidável game, que use as funções exclusivas do Wii U".

Que assim seja, com mais vinte e muitos outros anos de Mario Kart, pela diversão de marmanjos saudosistas e da garotada que ainda porá as mãos nesses volantes.

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