Seriados: Voyagers, os Viajantes do Tempo

Transmitido na primeira metade dos anos 80 pelo SBT, Voyagers! era acima de tudo um seriado educativo, cheio de lições de história.
Por: MacGaren
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Juntei-me ao blog sob convite do meu amigo Daniel para falar de qualquer assunto que quisesse, desde que relacionado às décadas de 80 e 90. Em vez de games, neste primeiro post resolvi relembrar uma velha série de TV (não, não vou falar do maldito Jaspion!, pelo menos por enquanto), que foi ao ar pelo SBT na primeira metade dos anos 80: Voyagers!

Com certeza, muitos que agora são adultos curtiram esse seriado, que apesar do pouco tempo no ar, deixou saudade. Produzida pela rede americana NBC entre os anos de 1982 e 1983, Voyagers! mesclava os gêneros ficção científica e fantasia, contando a história de dois aventureiros que, graças a um artefato especial, viajam pelo tempo lutando para impedir que a história seja modificada.

A série foi criada por James D. Parriott, nome importante da ficção em TV com um currículo que inclui O Homem de Seis Milhões de Dólares, A Mulher Biônica e a versão mais conhecida no Brasil de O Incrível Hulk, que trazia Bill Bixby como o Dr. Banner e exibida também naquele período. Todos estes seriados foram grandes na década de 80, marcando a geração que nasceu nos anos 70.

Flying Voyagers stars

Os heróis da vez são um adulto e um garoto. Phineas Bogg, o adulto (interpretado por Jon-Erik Hexum) é membro de uma sociedade de viajantes do tempo conhecida como Voyagers. A trama começa quando Bogg, o típico herói conquistador e atrapalhado (com um quê de Jack Sparrow, e inclusive conta a história que ele teria sido pirata também), vai parar acidentalmente na Nova York do ano 1982. Os Voyagers, para auxiliá-los em suas tarefas, tinham como ferramentas o Omni, um estranho relógio de bolso com jeitão de astrolábio que controlava e "engatilhava" as viagens, e um manual - um livro de história, que sendo impresso no futuro, servia como referência para que o Voyager realizasse sua missão de manter tudo em seus devidos lugares na época em que estava visitando.

Se a história estivesse saindo diferente do que devia ser, o Omni mostrava uma luz vermelha; se tudo certo, luz verde e o viajante tinha cumprido a missão.

Voyagers - Omni
Luz vermelha: alguma coisa está fora dos eixos históricos...

Além de cair no tempo errado, Bogg acaba envolvendo um garoto local, o órfão Jeffrey Jones, interpretado por Meeno Peluce, na enrascada. Acontece que ao errar em sua viagem para o futuro, Bogg aparece dentro do apartamento dos tios de Jeffrey, onde o garoto mora (a contragosto daqueles, desde que ele ficou órfão), e acaba atacado pelo cachorro Ralph. Enquanto tenta acalmar o cão, Jeffrey cai pela janela do apartamento, e para salvá-lo, Bogg se atira também e o agarra no ar, ativando o Omni para escaparem vivos rumo à alguma posição aleatória no tempo.

Para piorar, o manual de história de Bogg fica na boca do cachorro, em 1982, e sem ter muito conhecimento das coisas - era um péssimo aluno - ele vai precisar da ajuda de Jeffrey, garoto estudioso e grande conhecedor da matéria. Esse é o começo de muitas aventuras da dupla, que entre outras, ajudam Thomas Edison a inventar a lâmpada e os irmãos Wright a criarem seu avião, entre outras inserções históricas.

Ralph - Manual
Ralph brincando de osso com o manual de Bogg.

Apesar das peripécias românticas de Bogg a cada episódio (em cada época que visitavam, sempre havia uma bela a ser conquistada), o seriado tinha alto teor educativo, pois inúmeros fatos históricos eram usados como base das tramas.

Com o desenrolar da série, alguns detalhes vão sendo revelados, como o passado de Bogg e do menino Jeffrey; descobre-se que a morte de seus pais não teria sido totalmente ao acaso e que na verdade seu destino era exatamente aquele: tornar-se um Voyager.

No Brasil, assim como nos Estados Unidos, o seriado teve boa aceitação. Transmitido pelo SBT à noite (se não me engano), muitas crianças aguardavam ansiosas para assistir as aventuras temporais e alguns brincavam de Voyager - qualquer tranqueira como uma pedra ou um relógio quebrado virava o Omni, e um livro ou caderno qualquer era o manual do Voyager (sim, eu era um dos que brincavam de Voyager).

Voyagers - episódio Worlds Apart
Falhas no Omni podiam colocar a dupla numa fria, literalmente...

Apesar do ingrediente educacional, a série não foi tolerada por órgãos de controle de conteúdo da TV americana, acusada de apresentar cenas de violência (havia sim algumas cenas com lutas de espada, tiroteios, brigas... nada muito forte nem apelativo). Como a NBC já estava com vontade de colocar um programa de variedades no lugar, após apenas 20 episódios Voyagers! foi cancelado. Além disso, os custos de produção eram muito altos para a época, mesmo que assistindo hoje pareça um tanto pobre, tanto em efeitos especiais quanto em produção. Recriar cenários históricos, trajes e toda aquela ambientação tinha alto custo.

Voyagers - Omni fechadoOs efeitos especiais eram pobres para os padrões atuais. Quando viajava no tempo, a dupla aparecia sobre um cenário espacial (em chroma-key), voando em direção a estranhas formas geométricas luminosas, e então apareciam no tempo que haviam escolhido. Só um pouquinho melhor do que Chaves quando Dona Florinda chuta Seu Madruga e ele voa pelos ares, ou Chapolin com suas cenas encolhido. Mas era divertido, especialmente crianças piravam.

Além de Bogg, outros viajantes apareciam com regularidade, como Drake, Susan e Olívia (quase sempre para livrar os personagens centrais de alguma enrascada). A cada início de episódio, a frase se repetia:

Nós viajamos através do tempo ajudando a história a seguir seu curso e dando um empurrãozinho quando preciso. Quando a luz vermelha do Omni acende quer dizer que a história está errada. Nosso trabalho é colocar as coisas de volta no eixo. Luz verde - é isso guri, conseguimos!

Por onde anda o elenco?

DVD Voyagers, os viajantes do tempo.
DVD com a compilação dos episódios de Voyagers

Jon-Erik Hexum, que viveu o Phineas Bogg, morreu de forma trágica aos 26 anos enquanto participava das filmagens do seriado Retrato Falado (Cover Up), onde fazia par com a atriz norte-americana nascida no Rio de Janeiro, Jennifer O'Neill. Com uma das armas cenográficas, sem saber que seu conteúdo de plástico e papel poderia ser fatal se disparado à curta distância, o ator fez uma brincadeira, colocando a arma na têmpora e disparando. Sofreu severo ferimento no crânio, com dano cerebral que o levou a morte cinco dias depois, em 12/10/1984. Antony Hamilton o substituiu no resto da série de 22 episódios.

Meeno Peluce, que interpretava Jeffrey, participou de várias outras séries clássicas da década, como Esquadrão Classe A, Starsky e Hutch, Arnold e Punky, a Levada da Breca. Já na vida adulta, trabalhou em filmes e tornou-se fotógrafo de certo renome.

Voyagers! foi lançado em coleção de 5 DVDs, dublado e remasterizado. Se você gostava da série e quer matar saudades, procure pois vale muito a pena. Ou mate um pouco a saudade com esses vídeos: abertura em português e um trecho do primeiro episódio.

Grandes lembranças!

voyagers phineas jeffrey

VIAVoyagers Guide Book
FONTERevista TVSeries
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3 COMENTÁRIOS

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    • Elogio do chefe, o fruto do trabalho eficiente! :mrgreen:

      Valeu Daniel, me falta um pouco de tempo, mas como te disse, vou usando umas horas livres e acabo escrevendo mais.

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