Review Seaquest (Atari 2600), um clássico no fundo do mar

Para manter o nível, a Activision quebrou tudo com o sensacional Seaquest no Atari 2600.
Por: Daniel Lemes
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Em tempos de gráficos quase reais, tridimensionais, som em alta definição e outros rococós, é até difícil acreditar que um simplíssimo aglomerado de pixels coloridos se movendo pela tela podia divertir tanto. Mas nos idos de 1983, a grande Activision, que continua aprontando das suas até hoje, já fazia arte no velho Atari 2600, tirando da cartola clássicos do nível de Seaquest.

Desenvolvido por Steve Cartwright, responsável por outras pérolas como Megamania e Frostbite, Seaquest é um jogo de tiro com submarinos, tema pouquíssimo explorado na história dos games (quantos jogos de submarino você lembra, pensando rápido? Meia dúzia no máximo).

No comando do tal submarino, sua missão será resgatar um monte de mergulhadores que por motivos desconhecidos — e totalmente irrelevantes — estão no fundo do mar. Acontece que fazê-lo não será tão simples, porque o possante veículo explorador das profundezas não pode tocar em nada que não sejam os próprios mergulhadores. Tubarões e submarinos inimigos farão o possível para te acertar.

Os gráficos são bonitos, no azul das águas, com detalhes como o fundo esverdeado e uma transição colorida do céu perto da superfície. O submarino amarelo é bem desenhado, assim como os inimigos — um estranho peixe, que mesmo se fosse um tubarão (como sugere a capa do game) ficou desproporcional em relação à uma nave desse porte, além de submarinos inimigos. Um deles faz ronda à superfície, e se tocar nele, perde uma vida.

Seaquest
Conforme avança, as telas vão ficando coalhadas de inimigos

Como grande parte dos jogos de 2600, Seaquest não tem música de fundo, mas isso não atrapalha a diversão: os efeitos sonoros são muito bons, com explosões, disparos e o característico som de algo enchendo (o tanque de oxigênio) quando levamos o submarino à superfície. O timbre do 2600 caiu perfeitamente para o ambiente, só ouvindo para sacar do que estou falando. Destaque para o que ninguém quer ouvir: o barulho quando você é atingido, um alarme seguido da explosão. Muito bacana.

A ação é simples: controlar a nave pela tela, atirando em tudo que vier pela frente, enquanto coleta os mergulhadores. O botão funciona em turbo, mantenha apertado para disparar. Quando tiver o número necessário de mergulhadores resgatados, ouvirá um "plim": hora de voltar à tona e receber a pontuação, passando ao estágio seguinte.

A barra de oxigênio, na parte inferior da tela, determina quanto tempo você pode ficar submerso coletando mergulhadores. Cada subida à tona custa um mergulhador (por mais estranho que isso seja), e se subir sem ter nenhum, perde uma vida.

É preciso ficar frente à frente, alinhado com o inimigo para acertá-lo, pois como em outros games de 2600, o tiro dado se move junto com a nave (questões técnicas?). Não tem a mamata de lançar o disparo bem de longe e desviar, o tiro desvia junto. Com exceção disso, o controle é preciso e a nave se move veloz como a sua destreza permitir. A cada avanço a coisa aperta, com inimigos mais rápidos e em bandos maiores.

Em fases adiantadas haverão blocos de naves e tubarões em seu caminho, e se bobear morre mesmo. Se tiver o azar de enfrentar um grupo e não começou a atirar logo que surgiram na tela, tem boa chance de ser morto antes de perceber a ação — isto quando estiver além dos cem mil pontos. Ficar perto dos cantos da tela então, nem pensar, pois os peixes entram em ziguezague superveloz e baterão em você.

Submarino que fica na superfície, do game Seaquest, Atari 2600
O submarino na superfície fica passando pra ver se te pega dando sopa por ali

Pra piorar, os mergulhadores não parecem interessados em salvação; se você atirar num peixão que protege um, o cretino vira e sai nadando ligeiro na direção contrária. Se você estiver longe e atirar no peixe "protetor", com certeza perderá o mergulhador que fugirá para o canto da tela. Às vezes dá pra usar isso em seu favor: se o peixe estiver quase fugindo, atirar nele pode fazer o mergulhador voltar para o seu lado.

A pontuação é uma forma de ganhar vidas, uma nova nave a cada dez mil pontos. Os mergulhadores valem mil pontos depois de resgatados e quanto mais oxigênio tiver ao subir com a missão completa, mais pontos receberá como bônus.

Acima de tudo, Seaquest é um jogo viciante, rápido, capaz de prender qualquer fã de games por muito tempo. A dificuldade crescente te desafia a saber até onde pode chegar. Cada nova marca de pontuação é o objetivo, já que não há diferença importante entre fases a não ser pela dificuldade.

Mergulhador e inimigo juntos em tela do game Seaquest, de Atari 2600
Veja como o peixe fica "escoltando" o mergulhador. Se você atira no peixe, é comum o nadador fugir na direção contrária.

No mundo dos games de tiro que até então apelavam muito a temas espaciais, uma nave se movendo em 4 direções num cenário marinho não pode ser lembrado por menos que inovador. Esse foi Seaquest, com a Activision fazendo estrago no Atari 2600 e levando-o a profundezas virtuais.

Gráficos: 8.00
Efeitos Sonoros: 10.00
Música: 5.00
Jogabilidade: 9.00
Controles: 9.00
Criatividade: 7.00
Enredo: 6.00
Carisma: 8.00
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