Review Mega Man (NES) - o começo do mito

O início da lendária franquia da Capcom, Mega Man é um clássico e o jogo mais difícil da série! Mesmo com alguns probleminhas, foi um ótimo começo para o Blue Bomber.
Por: Glauber Tanaka
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Em dezembro de 1987, eu tinha 3 aninhos e você não era nem nascido ainda, tenho certeza. Nas paradas de sucesso, quem tava bombando era o George Michael com seu single "Faith"; na área da informática (pois é, criança, nessa época já existia computador) a Microsoft lançava a versão 2.0 do Windows.

Em terras brasileiras, Nelson Piquet ainda comemorava o seu tricampeonato de Formula-1 e a cidade de Brasília acabara de ser declarada como um Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

E exatamente no dia 17 de dezembro o primeiro game do Mega Man era lançado no Japão, com o nome de Rockman, através da sensacional produtora Capcom (sou fã mesmo, pega eu!) para o Famicom.

Aliás, só uma curiosidade: um dia após o lançamento de Mega Man, a Square jogava no mercado japonês a primeira versão de Final Fantasy, também para Famicom. O mês de dezembro foi bem generoso com os japas, mas o Final Fantasy fica pra uma próxima postagem.

Esses caras e seus estágios vão fazer você chorar de raiva
Esses caras e seus estágios vão fazer você chorar de raiva.

O gênio por trás de Mega Man é Keiji Inafune, que comandou a pequena equipe da Capcom que criou o jogo. É engraçado lembrar que, naquela época, a Capcom concentrava suas forças nos arcades e não nos consoles caseiros.

Além de ajudar na criação do conceito de Mega Man, Inafune criou toda a parte gráfica do game, desde seus personagens até os cenários, além de criar, também, o logo da versão japonesa do jogo. Como a equipe de criação do jogo era enxuta (umas 6 pessoas, pra ser mais exato), também fez as ilustrações da caixinha do cartucho japonês, seu manual de instruções e, não bastasse isso, ainda transformou os desenhos dos personagens em pixels para o game. Pouco talentosa e esforçada a criança, né?

Um dos elementos que chama atenção em Mega Man é sua jogabilidade não-linear, onde o jogador pode escolher começar por qualquer um dos 6 estágios do jogo (a ordem que você escolhe não influencia na história do jogo) e, ao fim de cada estágio, enfrenta um Robot Master (os chefões!) e, vencendo esse robô, ganha uma arma referente a ele que permite ao Mega usar a habilidade do "falecido" (falecido entre aspas, porque robô não morre, vira ferro velho).

Apesar de não ter sido um sucesso de vendas (é, isso mesmo! Na época, Mega Man não fez aqueeele sucesso), a crítica elogiou bastante o game, com boas referências sobre seus gráficos, jogabilidade e, em especial, sua dificuldade BEM elevada.

Mesmo sem o devido reconhecimento (que só viria mais tarde), a lenda estava criada.

E enredo? Tem?

Mega Man possui as fases mais difíceis da história dos games. Juro!
Mega Man possui as fases mais difíceis da história dos games. Juro!

A história começa no laboratório do brilhante cientista Dr. Light com a criação dos robôs Rock (ou Mega Man, nos States) e Roll. Rock seria ajudante de Dr. Light e Roll ficaria encarregada das tarefas domésticas dentro do lab.
Com o sucesso de suas criações, Dr. Light, junto de seu assistente Dr. Wily, cria mais 6 robôs: Cut Man, Guts Man, Ice Man, Bomb Man, Fire Man e Elec Man; todos programados para ajudar em tarefas industriais.

Cansado de sempre estar na sombra de Dr. Light, Dr. Wily resolve mostrar seu lado maléfico: rouba e reprograma os 6 robôs industriais para uso próprio e planeja, assim, conquistar o mundo (aliás, todo chefão de responsa pensa nisso). Felizmente (ou foi vacilo mesmo?), ele esquece Rock e Roll. Já sacando as reais intenções de seu ex-assistente, Dr. Light começa a prever o pior, mas eis que Rock, seu robô assistente de grande senso de justiça, se apresenta para transformar-se em uma máquina de batalha e ir atrás de Dr. Wily.

Mesmo relutante, Light aceita e transforma Rock em um robô de combate, pois não conseguia enxergar outra maneira de impedir seu ex-assistente.

Equipado com o Mega Buster e uma armadura de ceratanium, Rock parte atrás de Wily e dá início a esse sensacional game.

Gameplay e características

O que sobra de cada Robot Master derrotado.
O que sobra de cada Robot Master derrotado.

Mega Man é um jogo de plataforma clássico, side-scrolling, onde seu protagonista pode escolher começar por qualquer uma das 6 fases iniciais existentes no game. Após passar por vários perrengues (acredite: vários MESMO!), ao fim de cada fase, Mega enfrenta um Robot Master que, quando destruído, deixa para o Blue Bomber uma espécie de esfera que contém a arma/habilidade característica do derrotado. Ao pegar essa esfera, Mega Man passa a contar com os poderes do inimigo derrotado em seu arsenal (basta apertar start para ver no menu). Essa arma, ao contrário do Mega Buster, tem munição limitada que pode, felizmente, ser recarregada coletando os Weapon Energies, que são deixados por inimigos destruídos durante as fases do game. A barra de life do robozinho azul também pode ser recarregada coletando o item Life Energy.

Esse esquema de adquirir a arma do inimigo é muito legal, pois cada Robot Master possui sua fraqueza, por exemplo: a arma que melhor funciona contra o Ice Man é o Elec Beam que você obtém ao derrotar o Elec Man, já a fraqueza de Elec Man é a Cut Blade que você descola ao destruir o Cut Man, e assim por diante.

E essa é a grande sacada de poder escolher livremente por qual fase você irá jogar, pois uma das coisas mais divertidas desse game é descobrir qual arma é mais efetiva em determinado inimigo, qual arma será a mais útil durante cada fase do game, toda essa estratégia deixa o jogo bem mais interessante.

O game também contém um sistema de pontuação que aumenta derrotando inimigos e chefes (DEER! CLARO, NÉ!), há também uma pequena esfera chamada Bonus Ball que, quando coletada, faz com que sua pontuação aumente.

Mas, sem dúvidas, o item mais importante do jogo é o Magnet Beam. Sem ele, você, simplesmente, NÃO TERMINA O JOGO!

Calma, jovem, eu explico: o Magnet Beam constrói uma plataforma temporária e permite que o Mega fique em cima dela por alguns instantes e, acredite, facilita a sua vida em uns 1000% durante certas fases do game. Eu tô falando: jogue e comprove! Ah, vale lembrar que sua munição também é limitada.

Duvido você chegar nessa fase sem ter socado e xingado seu videogame.
Duvido você chegar nessa fase sem ter socado e xingado seu videogame.

Após chorar de tanta raiva, querer quebrar seu console ou computador, jogar seu joystick na parede 15 vezes, xingar o Inafune 90.000 vezes, falar mais de 100.000.000 de palavrões e passar as 6 fases do game, você, enfim, chegará ao último estágio de Mega Man: o castelo do Dr. Wily, também conhecido, carinhosamente, como "Wily Fortress".

Aí, amigão, é sentar e esperar por mais ódio, porque a fortaleza contém mais 4 fases, todas com novos chefes para serem derrotados (entre eles, o temido Yellow Devil). Como a Capcom achou que ainda assim estava muito fácil, meteu os 6 Robot Masters para serem destruídos DE NOVO nas fases! Aaah, Inafune, seu grande safado filho da mãe!

Curiosidades e fatos

- Os nomes de Rock e Roll são mesmo uma homenagem ao estilo musical rock'n'roll. Antes de finalizar o jogo, a Capcom pensou em nomes como “Battle Kid”, "Mighty Kid", "Knuckle Kid", e "Rainbow Man" (!!!!), ainda bem que não rolou. Nos Estados Unidos, o vice-presidente da Capcom Joseph Marici mudou o nome de Rockman para Mega Man, simplesmente, pelo fato de não ter gostado do nome original japonês.

- Em uma edição de 1987 da revista de games japonesa Famitsu, o game de Mega foi chamado de “The Battle Rainbow Rockman”, muito pelo fato de "trocar de roupa" a cada arma diferente que utilizava.

- O nome completo de Dr. Light é Thomas Light e é uma clara homenagem a Thomas Edison e o seu visual foi inspirado no Papai Noel. Já Dr. Wily tem como nome completo Albert Wily, uma homenagem a Albert Einstein, inclusive seu visual foi inspirado em Einstein. Aliás, o vilão foi inspirado nele, exatamente porque Einstein tem muito a ver com a bomba atômica... E todos vocês sabem o que a bomba atômica fez no Japão.

- O visual e design do game tem muitas influências de anime e mangá, o robozinho tem o visual fortemente influenciado pelo visual do Astro Boy. Diiiizem que a Capcom possuía uma licença para lançar um jogo do Astro Boy, mas a licença expirou e a produtora resolveu utilizar o que já tinha feito nesse jogo no game do Mega Man.

- Falando em visual, originalmente, Mega Man seria vermelho, mas devido a limitação da paleta de cores do Famicom, resolveram fazê-lo azul, que era uma cor com várias tonalidades na paleta do videogame.

- A jogabilidade de Mega Man tem como base o jankenpo (sim, aquele joguinho japonês: pedra, papel e tesoura), muito pelo fato de cada arma ser o ponto fraco de outro Robot Master e não ter nenhuma que se sobressaia sobre todas as outras. Outro jogo de muito sucesso que influenciou Mega foi Super Mario Bros.

Que fria, hein, Mega?
Que fria, hein, Mega?

- Como dito mais acima, Mega Man não vendeu muito bem e Inafune considera a arte da capa americana do game como um dos motivos para vendas tão baixas no ocidente. E, por sinal, a capa é bem bizarra: no lugar de um garoto, um cara meio tiozinho com armadura amarela e azul segurando uma pistola e sem o Mega Buster, NADA A VER com o jogo! Com o passar do tempo, a capa foi se tornando motivo de piada... Não é pra menos, né? Tanto é uma piada que essa capa ganhou o título de capa mais feia da história dos games pelo site GameSpy!

- Mega Man é o único jogo da série a possuir um sistema de pontuação e, sim, é algo totalmente inútil, porque não há nenhuma recompensa por pontos obtidos e o cartucho não era capaz de salvar seus recordes. Porra, Keiji!

- Keiji Inafune não foi o único criador do Mega Man, na verdade, o design original do Blue Bomber foi criado por Akira Kitamura, mas quem deu o tapa final e passou o pente fino no robozinho foi Inafune mesmo.

- Mega Man foi lançado, nos States, também em dezembro de 1987 e, na Europa, em maio de 1990.

Fecha pra mim!

Mega Man foi o início da lendária franquia da Capcom, é um clássico e o jogo mais difícil de toda a série, sem dúvidas. Mesmo com alguns probleminhas (probleminhas mesmo, nada de mais!) de controle e sua dificuldade acima da média, é um bom jogo e ótimo começo para o Blue Bomber. Seus gráficos, sons, estilo de jogo, carisma e dificuldade são a base para todo os outros games do robozinho.

Se você não conhece a série, recomendo começar por outro episódio, pois esse é nível very hard! Ainda assim, vale MUITO a pena jogar, mesmo que seu desafio não seja dos mais simples.

Ah! Só pra efeito de comparação, essa é a versão japonesa da box do jogo:

Rockman Famicom

Gráficos: 7.00
Efeitos Sonoros: 7.00
Música: 7.00
Jogabilidade: 7.00
Controles: 6.00
Criatividade: 8.00
Enredo: 5.00
Carisma: 10.00
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5 COMENTÁRIOS

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  1. comecei a jogar justamente por esse megaman e na epoca em que peguei achei que fosse mais um jogo facil de nes, me enganei quando encontrei um tal de elecman e um tal chamado yellow devil, otimo artigo.

  2. Ótimo Review Tanaka, com muitas informações "técnicas" extras. Leitura agradabilíssima.

    • Valeeeeu, meu amigo 😀
      É muito gratificante ler um comentário como esse, obrigado mesmo!
      Tô pra mandar outros reviews, logo menos espero colocá-los no ar. Continue nos acompanhando!

  3. Meu, que pu*a capa horrenda é essa HAHA E olha a pose, parece que vai dançar na boquinha da garrafa. Deve ter sido desenhada pelo filho pequeno de algum executivo da Nintendo, só pode.

    Já o jogo... coisa linda.

    • Esse capa foi um lance meio "briefing zoado e prazo de 1 dia pra ser feito"!
      Eu cheguei a ler algo a respeito... uma matéria com o ilustrador dela, auhauaha! PQP, essa capa é a pior do mundo MESMO!

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