Biografia Hironobu Sakaguchi

Renomado pela criação da série Final Fantasy, Sakaguchi produziu ou supervisionou dezenas de games a partir dos anos 80.
Atualização: Daniel Lemes
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Hironobu Sakaguchi é um game designer, produtor, diretor e ex-diretor de cinema japonês. Ficou mais conhecido como criador da aclamada série Final Fantasy, mas tem uma longa carreira na indústria de games, com cerca de 100 milhões de unidades vendidas ao redor do mundo.

Depois de quase 20 anos trabalhando na Square, Sakaguchi saiu para fundar seu próprio estúdio, o Mistwalker, em 2004. Lá, produziu games para Nintendo DS, Xbox 360 e o mercado mobile.

Início da carreira

Sakaguchi nasceu em Hitachi, Ibaraki. Seu primeiro contato com videogames foi com Pong, e depois compraria um Apple II, jogando games americanos como Ultima e Wizardry, seguidos por Transylvania. Cursando engenharia elétrica na Universidade Nacional de Yokohama, largou no meio do semestre em 1983 com o colega Hiromichi Tanaka. Foram ambos trabalhar em meio período na Square, recém formada divisão de jogos da Denyūsha Electric Company, fundada por Masafumi Miyamoto.

Ele achava que seria no máximo um auxiliar administrativo, mas entre 1984 e 1986, foi designer de jogos de reconhecimento modesto. O primeiro foi um text adventure chamado The Death Trap, que chegou a emplacar sequência. O terceiro, Cruise Chaser Blassty, ganhou versão em mangá. Para o Famicom, produziu King's Knight, um vertical shooter.

Quando a Square virou companhia independente em 1986, Sakaguchi tornou-se empregado em tempo integral, no cargo de Diretor de Planejamento e Desenvolvimento. A situação era difícil e pessoas próximas questionavam sua decisão de trabalhar no mercado de videogames, visto como sem futuro por causa do crash americano três anos antes. Mas ele admitiu que se divertia. "Durante aqueles dias [iniciais da Square], o desenvolvimento era num apartamento alugado. Eu era tão pobre que ficava com frequência nele porque tinha banho e ar condicionado. Eu nunca ia pra casa..."

Seus chefes queriam que algo com 3D, porque o programador Nasir Gebelli tinha grande conhecimento na área — o primeiro game do iraniano-americano na empresa foi Tobidase Daisakusen, lançado no Ocidente como 3D-World Runner. Mas Sakaguchi queria um RPG. Só após o sucesso de Dragon Quest, da concorrente Enix, a empresa deu carta branca para seu projeto.

Os insucessos haviam, de certa forma, o deixado em alerta. Para seu RPG, escolheu o nome "Final Fantasy" — referência à sua decisão de, caso o jogo também fracassasse, abandonar o ramo e voltar para a faculdade. A equipe tinha 4 pessoas no início, entre elas Nobuo Uematsu, músico que trabalhava meio período numa loja de aluguel de instrumentos perto da Square.

Após mudar para o Famicom, houve um tempo quando eu não estava feliz com nada que criasse. Pensei em me retirar da indústria de games e criei Final Fantasy como meu projeto final. Por isso o título inclui o termo "final", mas pra mim, o título "Final Fantasy" reflete meu estado emocional na época, e o sentimento de que o tempo havia parado.
Dizem que tecnologicamente é bom seguir em frente, e a cada vez, dar o máximo e empenhar todo nosso conhecimento e energia até não ter mais pra onde ir. É por isso que considerei aquela como a "fantasia final". A história e personagens mudam a cada vez. Por isso as histórias tendem a limitar o mundo e acho que mudando estes aspectos e criando novo material a cada título, tentamos mostrar todo nosso potencial. De certa forma, podemos dizer que isso serve como um desafio para nós. Hironobu Sakaguchi em Beyond Final Fantasy.

Square e Final Fantasy

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Time de desenvolvimento de Final Fantasy III, em 1989. Sakaguchi é o terceiro da direita para a esquerda, em pé.

O game foi lançado no Japão em 1987 para o Famicom, e fez enorme sucesso. Sob supervisão de Sakaguchi, tornaria-se uma série renomada, com diversos capítulos e spin-offs. Em 1991, após o lançamento de Final Fantasy IV para o Super Nintendo, Sakaguchi chegou a Vice-Presidente Executivo da Square. No comando, aproximou profissionais de talento, como Tetsuya Nomura, artista que desenhou personagens como Cloud e Aeris, e cujo estilo ajudou a definir a série; Tetusya Takahashi, designer de Xenogears e Xenoblade Chronicles, e Yasumi Matsuno, criador de Ogre Battle, Final Fantasy Tactics e Vagrant Story.

O último game da série Final Fantasy criado diretamente por ele foi o quinto, passando a ser creditado como produtor nos seguintes. Em 1995, tornou-se presidente da divisão americana da Square. Seu último game como produtor foi Final Fantasy IX — o qual declarou em entrevista da época como seu favorito da franquia. Mais tarde, serviria novamente na série como produtor executivo, e também em outros games como Vagrant Story, Parasite Eve e Kingdom Hearts.

Saída da Square

final-fantasy-the-spirits-withinAntigo proponente de juntar elementos de narrativa e a interatividade de games, Sakaguchi levou adiante a união ao fazer sua estreia como diretor em Final Fantasy: The Spirits Within. Lançado em 2001, o filme foi um dos primeiros com personagens realistas em computação gráfica, bem antes de produções como Avatar. Derek Watts, diretor de arte da série Mass Effect, citou o filme como uma das principais obras influentes.

Apesar de reviews positivos da crítica, o filme falhou nas bilheterias — custando $137 milhões, conseguiu recuperar só $85, um importante prejuízo para a Square que ainda havia investido em centenas de workstations, servidores de US$40 milhões, e outras estruturas para a produção de filmes. A fusão com a Enix Corporation, que vinha sendo discutida, acabou atrasada em quase três anos por causa da falha.

Sakaguchi deixou voluntariamente seu posto na Square. Com capital encolhido, a Square foi mesclada com sua rival de longa data, Enix, levando à criação da Enix Square em 2003.

No ano seguinte, Sakaguchi fundou sua própria companhia, Mistwalker, com apoio financeiro da Microsoft Game Studios. Seu reconhecimento na indústria era suficiente para permitir que a empresa fosse sediada no Japão, com ele gerenciando os negócios quase sempre do Havaí (que já conhecia dos tempos do estúdio local da Square). "Normalmente passo três semanas no Havaí, seguidas pro três semanas no Japão durante um desenvolvimento".

Mistwalker

Em fevereiro de 2005, foi anunciado que a Mistwalker trabalharia com a Microsoft Game Studios para criar dois RPGs para o Xbox 360. Apesar disso, a companhia seria independente da exclusividade em trabalhar no console, prática comum de parceiros da Microsoft. Assim foram lançados Blue Dragon em 2006, e Lost Odyssey em 2007, além de ASH: Archaic Sealed Heat para o Nintendo DS.

Outro game, um action-RPG chamado Cry On, esteve em produção, mas foi cancelado em dezembro de 2008. Depois de começar a trabalhar num novo projeto, Sakaguchi comentou que estava "apostando muito" nele. O game foi anunciado em janeiro de 2010 como The Last Story, uma co-produção com a Nintendo para o Wii. Foi revelado numa entrevista para o site da Nintendo que Sakaguchi seria o diretor, sua primeira vez desde Final Fantasy V.

Em 2014, a Mistwalker lançou Terra Battle para plataformas móveis, um RPG tático. Sakaguchi foi o produtor, criando um novo sistema de lançamento inspirado em sites de financiamento coletivo. A cada número de downloads, novo conteúdo era adicionado, como faixas musicais e novos compositores. Para ele, a transição foi um novo desafio:

Estive fazendo games para telas horizontais por quase 30 anos. E o choque de fazer algo para a tela vertical é completamente diferente. Você não tem tantos recursos, tem que se preocupar com o layout, como vai ser o visual. Além disso, o jogador usará só uma mão. Tem que ser acessível. Você precisa se preocupar com pessoas que vão jogar em suas horas livres em vez de uma experiência de 50 ou 60 horas como num console. Então estou trabalhando num set diferente de regras. Nesse sentido, me sinto sob um novo desafio e novas ideias.

Em 2016, Sakaguchi anunciou a formação de uma nova companhia de desenvolvimento de games sediada em Tóquio. O nome proposto do estúdio era "Dawnwalker".

Reconhecimento

Eraqus
Eraqus

Apesar de quase sempre associado à série Final Fantasy, Sakaguchi esteve envolvido em diversos games de grande sucesso, principalmente nos tempos de Square. Entre eles, foi supervisor em Chrono Trigger e Front Mission (ambos no SNES), produtor em Parasite Eve (PlayStation) e Supervisor de Produção em Super Mario RPG.

Segundo ele, seus arrependimentos são em relação a games que não funcionaram no mercado, como Tobal #1. Sobre os fracassos antes de Final Fantasy, opinou muitos anos depois que "falharam porque eu continuava copiando o que estava no mercado. Então, liberte-se e faça o que for bom para o jogo".

A série Kingdom Hearts teve um personagem chamado Master Eraqus (anagrama de "Square"), desenhado para se assemelhar fisicamente com Sakaguchi. Em maio de 2000, Sakaguchi entrou para o Hall da Fama da Academia de Artes e Ciências Interativas.

Vida pessoal e atividades

Morando no Havaí, Sakaguchi relata que busca inspiração em atividades como o surf. "A ideia da mecânica de "encontros" de The Last Story veio enquanto eu esperava uma onda".

Apesar de opinar sobre capítulos da série Final Fantasy produzidos depois de sua saída da Square, ele nunca escondeu que se sentia um pouco preso ao nome, e sobre o cansaço em responder perguntas sobre ela. Isso foi abordado num vídeo cômico em que participou em 2015, do canal Mega64, quando tenta de todas as formas destruir a franquia para ser demitido e correr atrás de seu sonho: ser astro de hip-hop.

Frases

"Quando crio um game é como se meu próprio filho estivesse nascendo."

"Não acho que tenho o necessário para criar bons jogos de ação. Sou melhor em contas histórias."

"Claro que games são uma forma de entretenimento, então novidades sempre serão mais empolgantes que coisas antigas. RPGs em turnos são uma forma estabelecida de entretenimento, e tal como os puzzles nunca saem de moda, acho que RPGs de turno continuarão a existir."

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