Jogos de esporte pré-16-bit: como eram ruins…

Conheça um pouco do pior que já se produziu ao tentar levar para videogames pré-16-bit a experiência do esporte.
Por: Daniel Lemes
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Quem começou a jogar entre os anos 80 e 90 teve contato com o mundo pré-Mega Drive e Super NES, divertindo-se com o surgimento de clássicos como Phantasy Star, Seaquest, Metroid, Pitfall, Shadow Dancer, Mario Bros. e por aí vai. Foram títulos sensacionais, que todo mundo curtia e considera até hoje.

Mas por mais que eu revire a memória em busca de algum game de esporte que realmente preste daquele tempo, uma coisa sensacional mesmo, não consigo. Não tem praticamente nada digno de ser chamado "clássico". Ao contrário, a maioria beirava o risível, um mais bizarro que outro e se fosse pra listar os piores games de esporte da história, seria moleza pegar a maioria dali.

Em parte é explicável: reproduzir a riqueza de movimentos dos esportes com tão pouco recurso disponível devia ser um desafio monstro. Imagine ter que desenhar uma bola que se move em todas as direções, mais sprites dos jogadores, do campo e alguns inventavam de enriquecer com torcida, juízes... e ainda manter o "jogo jogável".

Nos 16-bit a coisa mudou: com mais ferramentas e megabytes pra trabalhar, surgiram belezas como Super Monaco GP, Super Star Soccer, a série FIFA, John Madden (não curtia futebol americano, mas vá lá), Virtua Racing, NBA Jam, F-Zero, ShaqFu.

Claro que forcei um pouco no título, sempre tem exceções. Double Dribble, talvez? Blades of Steel é um jogão de hóquei, jogabilidade e som nota 10. California Games do Master System, lindo. Duck Hunt (tiro também é esporte), diversão total. Até o Atari 2600 tinha as tais exceções como Bowling — o boliche que joguei até dizer chega — e o ótimo Tennis.

Mas vamos praticar um pouco de auto-tortura e lembrar os ruins, com a "nata do lixo" que já se produziu ao tentar levar para a tela a experiência do esporte.

Football

Atari 2600

Atari 2600 football
Jogadores robôs? E esse oceano em volta do gramado?

A gente até poderia dar um desconto. Afinal, no longínquo 1978, quando esse game foi lançado, a tecnologia era ainda um bebê sujando as fraldas. Mas não pode ser argumento para a existência de uma coisa dessas: injogável, feia, indistinguível, de uma tosquice ímpar. No mesmo ano, o ótimo Bowling, por exemplo, também foi lançado.

Os jogadores (pra quem entender que aquilo é um jogador) parecem ter uma caixa na cabeça, e a arquibancada — ou melhor, o que seria arquibancada — é só um azulão. Pra piorar, jogar contra o computador não tem graça, pois você corre de um lado pro outro com a bola quadrada sem ser incomodado.

Dificilmente escaparia do top 3 numa lista de piores da história do esporte.

Champion Soccer

Master System

Champion Soccer Master System
Não bastasse o jogo ser ruim, o som ainda tem que ser ridículo

O Master também tinha muita porcaria esportiva. Entre os games que levam "Champion" no nome (tem o Billiards, Baseball e Wrestling), o campeão da ruindade é esse Soccer, onde não bastasse ser medonho, ainda tem o barulho parecido com um míssil caindo cada vez que a bola sobe, típico de desenho animado, maior esculhambação.

A vida dos jogadores brasileiros (e outros países com cultura futebolística) nesse tempo não era fácil, muita decepção e irritação. A maioria dos programadores e desenvolvedoras estavam no Japão e Estados Unidos, países sem muita tradição e interesse em futebol, e que naturalmente investem mais em basquete, tênis, etc.

Mas o desleixo não era só com soccer: se quiser mais mediocridade eletrônica, experimente o Champion Baseball, que consegue ser ainda pior, é de nível Atari 2600 pra baixo.

Great Soccer

Master System

Great Soccer Master System
Pobres fãs de "soccer" tinham que enfrentar esse tipo de coisa

Great? Great no quê? Outro futebol horroroso do Master System, com visão superior e bonecos caricatos, uma musiquinha chata pra cacete durante as partidas e (não sei o que os programadores tinham na cabeça, devia ser um tipo de mania bizarra) um som estranho a cada chute, como se a bola fosse um jato de água.

Não houve o mínimo cuidado com detalhes adicionais, com o campo mais lembrando uma quadra de proporções mínimas. Se no futebol do Atari a lateral era em azul sólido, nesse veio um vermelho sólido. Detalhe para os jogadores vesgos que me lembram o Robô Puxa Frango, do Pica-Pau.

Wayne Gretzky Hockey

NES

wayne gretzky hockey nes
Grandes nomes do esporte não tiveram sorte nos primeiros games, como Pelé Soccer. Wayne Gretzky não foi diferente.

E olha que hóquei é popular no hemisfério norte... Desde as cores horríveis, som irritante, jogabilidade sofrível. A visão superior (quase padrão em jogos de esporte até a popularização de games como NBA Jam e FIFA Soccer, muito depois) mais atrapalha que ajuda, e no geral o jogo consegue ser ligeiramente — ligeiramente mesmo, quase nada na verdade — melhor que Atari 2600.

Não vi o Wayne Gretzky jogar, pois não temos muito interesse em hóquei no gelo por essas bandas, mas o "Pelé" de um esporte certamente não merecia uma homenagem tão ruim, nem os donos de NES mereciam ser sacaneados com um troço desses. Entra fácil em qualquer lista negativa.

Math Grand Prix

Atari 2600

math grand prix Atari 2600
Reunindo o que há de pior para uma criança: matemática e um game horroroso

Ok, o pessoal foi bem criativo e lançou pérolas da imaginação no 2600, coisas que talvez nem tenham espaço no mundo moderno — hambúrgueres gigantes, jogo de equilibrar pratos, de pique-esconde... Lançaram também aplicativos e joysticks com causas nobres e educativas, pra incentivar a criançada a estudar.

Mas se o Math Grand Prix tinha como objetivo fazer alguém gostar de matemática enquanto jogava, provavelmente foi um desastre em ambas as empreitadas. Solucionando banalidades como 2 + 0 ou 1 - 2, seu carro avança certo número de casas / metros a cada resposta certa. Mas o carro parece um... enfim, algo, emparelhado com uma outra coisa, numa pista muito feia, e ao andar faz um barulho esquisitíssimo.

Um martírio, capaz de fazer qualquer criança detestar matemática ainda mais, e quem sabe até criar uns traumas adicionais.

Karate Champ

NES

karate champ nes
BEGIN... POINT

Legal, jogo de NES com voz digitalizada? Não, ela só serve para atormentar. Quem teve a infelicidade de comprar isso deve ter ficado com o "BEGIN... POINT" ecoando na mente por muito tempo, talvez pra sempre.

Jogo em si é fraquíssimo, gráficos bem simples, personagens fora de controle, e aquela voz infernal do juiz repetindo sempre mantra: "BEGIN... POINT... BEGIN... POINT". O controle é lerdo e como de costume, não houve qualquer cuidado com backgrounds exceto aquela nuvem (?). E olha a esculhambação desse score, que bagunça. Impossível não pensar num misto de preguiça com falta de talento na produção.

 

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3 COMENTÁRIOS

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  1. karate champ foi o primeiro jogo de Arcade que eu zerei em minha vida, lembro!!!!bons tempos!!!! A versão nes é um pouco desanimadora mesmo. lembro de ver karate champ no cartucho CCE da vida, raridade hoje em dia isso! Bons tempos de Top Game VG 9000!!!! Jogos de esporte no Atari eu nem reclamo muito, adorava jogar Tênis, hockey e outros. O Atari ainda estava evoluindo ou ajudou a evoluir os games em si. Já no 8 bits entre sega e nintendo, o meu preferido era jogos de verão do Master System conhecido como California games, época boa era essa!!!! Jogos simples e divertidos!!!!valeu

  2. Nem todos eram ruis. o California Games do Master System era fantástico. o Rocky era bom também.

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