Listas: games com boas músicas do Atari 2600

Em meio àqueles bips chatos, o vovô dos videogames também tinha espaço pra som de qualidade.
Por: Daniel Lemes
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O YouTube está cheio de vídeos com trilhas clássicas da 4ª geração (16-bit). Frutos de uma das fases mais importantes na história dos games, a chamada "Era de Ouro", elas fizeram parte da infância de muita gente e ficaram na nossa memória afetiva. Como não associar a trilha do seu RPG favorito, os temas de Street Fighter ou a musiquinha grudenta do Top Gear, aos bons anos da infância e juventude?

Criadas num período em que os engenheiros tinham chips um pouco melhores para simular o que os compositores faziam em instrumentos e computadores, grandes caras como Yuzo Koshiro conseguiram maravilhas. Streets of Rage e F-Zero são dois que não saem das "paradas de sucesso" dos saudosistas, com méritos.

Só que antes deles, do áudio de CD, dos chips loucos e essas mordomias, o negócio era feio. Quem fosse bom mesmo tinha que mostrar serviço no tosquíssimo áudio do Atari 2600. Fazer música com aqueles bips, que tivessem personalidade e identificação com o jogo, não devia ser fácil.

O limite entre irritar o jogador ou fazê-lo assobiar a melodia era fácil de cruzar. Às vezes nem era preciso "música": só os efeitos sonoros bastavam pra deixar qualquer um estressado. Como eu odiava aquele Surround, quando as "cobrinhas" (aquilo era um precursor de Snake ou estou viajando?) batiam na parede! Ou daquela musiquinha EXTREMAMENTE estridente quando passávamos pelo "posto de combustível / invencibilidade" em Vanguard.

Mas não fiz o post pra falar de sons ruins, mas de jogos jurássicos com musiquinhas tão bacanas / bem feitas que qualquer velho jogador lembra. São, pra mim, parte das melhores músicas do Atari 2600.

Frogger

Impossível não lembrar de Frogger, principalmente o tema de abertura. A molecada falava que era a música "boi da cara preta" (o que não tinha nenhum fundamento). Vindo de um arcade da Konami, o port manteve a trilha sonora com quase perfeição.

A música da introdução é na verdade uma cantiga infantil japonesa chamada Inu No Omawarisan (O Cão Policial). Outras músicas em Frogger são de animes como Hana no Ko Lunlun (exibido no Brasil como Angel, a Menina das Flores) e Araiguma Rascal (Rascal the Racoon, desconheço e não encontrei o nome nacional, se tiver).

Um jogo que me rendeu horas de diversão quando criança. Só não vá fazer como esse engraçadinho aqui, que inventou de tentar recriá-lo na vida real e quase foi pro saco.

Moon Patrol

Jogos de nave e tiro eram sempre embaçados de jogar no 2600, mas esse tinha um estilo diferente, com a nave (um tipo de veículo lunar) que fica no solo, pulando crateras e atirando tanto pra cima quanto para os lados, bem difícil também. Deve ter sido complicado fazer isso no 2600, tecnicamente falando, com objetos se movendo em quatro direções: a nave se move pra frente e pra trás, tiros vêm de cima e também do solo pro ar.

Uma das melhores coisas de Moon Patrol é a música, dessas pegajosas que você já começa a assobiar minutos depois de jogar, e vai ficar na sua cabeça por anos, se não pra sempre. Ela não toca de cara, é preciso mudar o botão de dificuldade pra ouvir.

Journey Escape

Como game é um troço banal: correr com um bonequinho tosco no meio de estrelas, corações com pernas, uns negócios tipo bola de cristal, muros. Bizarro mesmo.

O enredo diz que você controla os integrantes da banda Journey, desviando de fotógrafos, groupies e promoters doidões. Pra mim parece só uma tranqueiragem espacial sem muito sentido.

Mesmo num jogo toscão algo tem que se salvar, e tocar a música Don't Stop Believing, do Journey, banda clássica que naquele tempo era um baita sucesso, é o perdão por um game tão vagabundinho... Se você gostar de Journey, claro, já que o tal Glee deu uma queimada no filme da música.

Halloween

Um dos games mais pavorosos de se jogar da história. Não porque seja ruim, e sim pela atmosfera, a combinação daquela música infernal e assustadora com os passos da heroína tentando fugir de Michael Myers enquanto salva criancinhas perdidas pelas salas. Quando pirralho, eu tinha quase pavor desse jogo, evitava jogar sozinho ou durante a noite. Mas jogava assim mesmo.

O som é parte fundamental da sensação que os desenvolvedores queriam causar: tensão extrema. Quem duvida, faça o teste e sinta o drama. Acha que medo era a experiência de enfrentar monstros de Alone in the Dark ou o silêncio da mansão de Resident Evil? É porque não jogou esse.

O momento do game over era tão tenso que eu desligava o videogame rapidinho. O nível de violência é bem alto, com crianças sendo decapitadas e sua personagem também, quando pegas pelo monstro. Se lançado assim nos videogames modernos, era proibição certa.

Double Dunk

Jogo de basquete "two on two" (aquela coisa jogo de rua, dois x dois usando só meia quadra) bem feitinho para o 2600; algo escasso, já que games de esporte nele em geral eram horríveis, com raríssimas exceções (pro meu gosto, pelo menos).

Leia também meu post sobre jogos horrorosos de esporte antes dos 16-bit.

Foi feito pela própria Atari em 1989 — ou seja, quase no fim da vida do 2600, um de seus lançamentos finais. Tem até tela-título, com uns carinhas dançando e uma música que supõe-se ser um tipo de hip-hop, numa batida diferente dos habituais bips do Atari. Ouça:

Decathlon

Afinal, o joguinho destruidor de controles tinha que ter algo mais a oferecer! Games com tantas modalidades esportivas eram raridade, e em Decathlon tem um pouco de tudo: 100m rasos, 110m com barreira, salto com vara... 10 modalidades, como no evento olímpico.

A zica é que pra todas o comando é o mesmo: mover freneticamente o controle pra esquerda e direita, o que causava a destruição de joysticks. Lembro de um vizinho que tinha o cartucho e junto uma coleção de controles arrebentados, tudo quanto é modelo ele tinha pedaços, parecia uma oficina de desmanche. Eu fui mais "técnico" e só destrocei meu manche da Dynacom.

Tão lembrada quanto essa característica destrutiva era a musiquinha da introdução. Não lembra? Assista o vídeo aí então e infecte sua mente outra vez.

Challenge

Jogo de 1980 de uma certa Funvision, onde o objetivo é controlar um pato atravessando um labirinto cheios de jacarés ou qualquer coisa parecida (vamos concordar que com poucos recursos técnicos, a criatividade era tudo). O mais maluco é que algumas versões do cartucho saíram com rótulo dos Caça-Fantasmas 😀

Na trilha sonora rola algo parecido com "Glória, Glória Aleluia", além de outra musiqueta que não sei qual é. O jogo em si é fraquinho; exige certa estratégia para saber o momento certo de entrar em cada "pista", calculando quando os jacarés (?) estarão longe o bastante pra não te alcançar na travessia.

Mas o som é engraçadinho, merece um desconto.

California Games

Provavelmente você jogou esse, se não no 2600, em algum videogame dos anos 80 e 90: foi um clássico dos 8-bit. Além de divertido e com bons gráficos, com certeza entra na galeria dos melhores do 2600, tanto por quantidade quanto qualidade das músicas.

Logo na introdução rola um "Louie Louie", e cada modalidade é iniciada com sua própria trilha. Foi desenvolvido e lançado em 1988 — assim como o Double Dunk, nos anos finais do console, quando a capacidade do hardware já tinha sido mais que explorada. Assim, tiravam o máximo possível da máquina.

Burgertime

Um mestre-cuca vai andando por um labirinto cheio de escadas enquanto coleta ingredientes para um hambúrguer gigante que se forma. A cada andar em que são recolhidos, os ingredientes caem e se acumulam no andar de baixo, até chegar à base, já com o hamburgão pronto. Sempre com uns troços (inimigos) estranhos atrás de você.

A musiquinha é curta, repetida em looping infinito e... grudenta, muito grudenta, perfeita para ser lembrada por anos.

Sneak 'n' Peek

Quem nascido fora da geração Atari pode imaginar que um dia existiu um game de "esconde-esconde" ou "pique-esconde"? Pois existiu Sneak 'n' Peek, que não era lá grande coisa, mas tocava musiquinhas bacanas o tempo todo.

Tinha uma introdução bem estranha, com o boneco entrando na casa, parecia um ladrão chegando na calada da noite; mas não se podia reclamar, introduções e telas-título no 2600 eram um luxo raro.

Lá dentro, um bonequinho preto e um branco brincam de esconder: dá pra ficar atrás do sofá, ir para outro cômodo... Veja no vídeo.

 

Essa é minha humilde lista de jogos com boas músicas no Atari 2600. Hoje você pode rir delas, mas colocar áudio num aparelho limitado como aquele devia ser um desafio enorme, e às vezes os programadores conseguiam pequenos milagres.

Deve ter um monte de outros games com sons interessantes que não lembro; se quiser, comente.

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5 COMENTÁRIOS

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  1. Ah! faltou aquele game no Snoopy and the Red Baron, tinha poucas músicas (2 creio eu) porém muito boas.

  2. Ótima matéria. Eu nem me toquei que o Atari tinha assim tanta música (e algumas até boas). A do Frogger parece mesmo a do boi da cara preta! E a do Burgertime realmente é um clássico, joguei muito no Colecovision (era sensacional). Aliás, tem um remake desse jogo, acho que pra Play 3 e Xbox, ele faz uso da marcante musiquinha também.

    • Sério, remake do Burgertime? Sou meio por fora do que rolou pós-PlayStation 1... Preciso me aprofundar mais no Colecovision e outros videogames da Atari (tipo 5200, etc), deve ter muita coisa interessante.

      • Sim, eu dei uma pesquisada aqui, saiu para os consoles mais novos, naquele sistema de download (na Xbox LIve, PSN e Wiiware). Eu cheguei a jogar um demo no Xbox e achei bem fraquinho, perdeu todo o espírito da coisa. Veja com seus próprios olhos: http://bit.ly/H2GbTt

        Mas o apelo à nostalgia é claro, eu mesmo quase comprei o jogo só por causa da musiquinha e pela vontade de ter uma nova "experiência Burgertime", mas aí eles mudaram coisa demais, ficou com um visual muito genérico. Bom mesmo é o remake do Pac Man, o "Championship Edition", esse sim manteve o espírito do original, ao menos na parte visual.

        • Caramba, que doidera isso aí, hein? Caras fumaram todas antes de programar hiehaie Mas deram bastante destaque pra música mesmo.

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