Filmes: The Stoned Age (Dois Loucos na Noite)

Dois headbangers meio patetas tentando ganhar garotas. Parece um filme aborrecente comum, mas é melhor que a média.
Por: Daniel Lemes
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"Melhor que Dazed and Confused". O aviso no cartaz não deixa dúvida, mas quem pensa que The Stoned Age (traduzido no Brasil como Dois Loucos na Noite), de 1993, é só mais um desses insuportáveis highschool cheio de peitinhos, cheerleaders e bullynadores em babaquices estudantis, se engana. O que é "melhor" fica por conta de cada um, mas eu concordo com o cartaz.

A primeira vez que o vi foi no fim dos anos 90, quase certo que entre 1996 e 1998 - bisonhamente na Record. Bisonho porque mostra, de um jeito burlesco, menores consumindo bebida, droga, alguma violência e sexo (se não me engano, a cena do close nos seios foi cortada na TV). Não parece nada com o perfil da Record, e às vezes me pergunto se minha memória não anda me traindo e talvez tenha sido na Globo. Mas acho que não.

Mesmo não sendo parecido com Hubbs ou Joe naquela idade - acho que eu tinha mais de Snotrag, talvez um mix de Snotrag com Joe - lembro de ter curtido muito, ainda mais com o final vitorioso (?) do loser na vida real. Quase qualquer jovem se identifica com algum personagem: tem o bullynador, o zoeiro descobrindo que a vida é mais do que a rotina vazia dele, a moça recatada e inteligente, a assanhada, o nerd bobalhão, o esquisito, os beberrões...

Blue Torpedo The Stoned Age
O Torpedo Azul, possante Volkswagen que carrega os malucos pela noite.

E mesmo que o mote pareça tão pouco promissor quanto qualquer típico besteirol americano, alguma coisa me faz gostar dele. Deve ser a mensagem final, pelo menos a que eu vejo, ou quero ver.

Enredo

Se nunca viu e quer ver, cuidado com os spoilers daqui por diante.

Joe Connoly (Michael Kopelow) e Michael Hubbs (Bradford Tatum) são dois headbangers no sul de Los Angeles no fim dos anos 70 (pelo menos segundo o roteiro, mas veremos adiante uns problemas nisso). Embalados por rock a bordo do "Blue Torpedo", uma Variant 1973 azul cheia de desenhos e adesivos, eles procuram diversão de um sábado à noite da área: drogas ilícitas, álcool e "chicks".

Hubbs, o moreno, faz o tipo perigoso: briguento, agressivo e decidido, não quer saber se passa por cima de alguém para alcançar sua meta. Seu único ponto fraco é o parceiro Joe: apesar de provocar e até humilhar o amigo sempre que pode, parece realmente preocupado em ajudá-lo na "nobre missão" de transar a qualquer custo.

Joe, o ruivo, é o escudeiro, tendo em Hubbs um misto de melhor amigo e mentor nas gandaias. Mas depois de viver algo místico durante um show do Blue Öyster Cult, passou a pensar que talvez a vida seja mais do que "tentar ficar chapado, bêbado e transar" — a mudança, para Hubbs, tem feito Joe "agir como bichinha".

Mas a real é que eles são quase tão idiotas quanto seus amigos bêbados que nunca se dão bem. Um dos primeiros diálogos (resumido abaixo) revela:

Hubbs: Claro que tenho um plano pra hoje. Vamos descolar drogas, álcool e deixar as garotas loucas.
Joe: Hubbs, vamos fazer o mesmo de sempre: rodar como otários por aí, e terminar a noite comendo burritos.

Mas essa noite será diferente.

Tack The Stoned Age
Tack, o pateta antagonista (fora o temido Irmão do Crump)

Saiu da cadeia "o Irmão do Crump" (Michael Wiseman), como é chamado por todos. Como se fosse "aquele-que-não-se-pode-dizer-o-nome", o tipo, preso por espancar um cara com sua bota de bico metálico, é sinônimo de pavor.

Após revelar que tinha planos para mais tarde com duas garotas "do norte" que viu na praia de Torrance, a informação vai sendo passada de boca em boca entre os losers, até chegar aos ouvidos de Tack (Clifton Collins Jr., o mesmo que dublou o Cesar Vialpando em GTA San Andreas), um espinhento que usa camiseta da sua marca de cerveja favorita, a fictícia Ox 45.

Embora haja uma "norma de conduta" entre os jovens da região, de que garotas vistas primeiro por um cara "pertencem" a ele, e seja insanidade mexer com "as garotas do Irmão do Crump", o aéreo Tack resolve roubá-las, ou melhor, ir à festa delas. Desajeitado e sem lábia, sua chance já seria mínima, e para piorar, ele encontra Joe e Hubbs perambulando à noite, e pede carona em troca da preciosa localização das moças.

Óbvio que Hubbs não quer levar Tack consigo, mas para obter a informação, finge aceitar. Joe, quando sabe que o amigo pretende trair o espinhento, tenta dissuadi-lo, mas é repreendido. "Você pensa demais, cara!". Na primeira oportunidade, abandonam Tack num posto de gasolina e a partir daí passam a ser adversários na corrida pelas garotas.

Ao chegar lá — em frente à antiga casa do cantor Frankie Avalon, que faz aparição especial — descobrem que não há festa alguma, mas ao menos as garotas existem. Uma delas é a sexy e safadinha Lanie (Renee Griffin), que não fica muito impressionada com o garrafão de Schnapps que levaram. Sem cerimônia, pede uma bela garrafa de Bacardi 151 como "entrada", rum de teor alcoolico altíssimo, desses que levam pro coma fácil.

"Isso me deixa louquinha... se é que me entendem."

E lá se vão os dois na caça da bebida para deixar a festeira mais solta do que já é. Mas eles devem ser rápidos, pois Tack e uma trupe de beberrões estão a caminho. Sem falar do Irmão do Crump, que enrolado por uma mentira plantada por Hubbs, está do outro lado da cidade para assistir um show de strip-tease que jamais acontecerá, e pode voltar a qualquer momento.

Zoo

Joe e Hubbs The Stoned Age
Joe e Hubbs

Um dos motivos para tanta gente lembrar do filme (o que comprovei quando pesquisava para esse post) é a variedade de tipos jovens ou não tanto, de situações, clichês explorados com humor que varia de caricato a bobo. Personagens centrais não deixam meio-termo: despertam simpatia ou antipatia, difícil ficar ileso.

Hubbs é o típico babaca metido a garanhão, que ao mesmo faz chacota das desventuras do "bro" Joe e mostra preocupação com o amigo, como ao desistir de surrá-lo para ensinar como agir com as mulheres. Por mais que seja o tipo facilmente detestável, não tem como não rir em certos lances, como no primeiro encontro com Tack ou ao sacanear Joe no final.

Já Joe é tímido e "estranho", por preferir conversar com as garotas em vez de avançar, e pelo lance com os lasers no show do BÖC, desde quando passou a ver um grande olho fiscal de seu comportamento — por isso, sempre pensa duas vezes sobre seus atos, ao contrário de Hubbs. Essas alucinações, ou seja lá o que for, rendem uma passagem homenageando a seção "The Dawn of Man", de 2001, em que repensa sua vida de chapado e decide fazer a coisa certa (veja o vídeo mais abaixo).

Tack é um show. Pra mim é o mais memorável do filme, com trejeitos de bobalhão, grosseiro, pensando que vai conquistar garotas só com uma caixa de cerveja. Tem pelo menos umas 10 passagens sensacionais. Detalhes como sua camiseta com a estampa da Ox 45. Se o filme fosse um pouquinho melhor tecnicamente e mais famoso, veríamos camisetas daquelas rodando por aí.

As garotas são quase o espelho feminino dos caras. Lanie é porra-louca como Hubbs. Ambos só querem chapar o coco e se divertir sem pensar no amanhã, mesmo passando por cima dos sentimentos de amigos. Talvez não por maldade, mas porque são desmiolados mesmo. Ela não tem pudor em jogar Jill pra cima de Joe por achá-lo esquisito. Trata Joe com ironia e certo desprezo desde o começo, mas quando está interessada em usar sua droga, mostra-se amigável, pra logo depois desprezá-lo ao notar que o produto é de péssima qualidade. Usa a casa do pai de Jill como motel, mesmo sabendo que a outra estava odiando a presença dos caras.

Jill e Lanie The Stone Age
Jill e Lanie: as versões femininas do idealista e do festeiro.

Jill é a típica acima da média, inteligente e que prefere ler do que gandaiar com o grupo na piscina dos vizinhos. Sua total aversão aos dois sujeitos é natural, já que à primeira vista, não são nada além de dois burnouts querendo zoar geral. Só com muita paciência Joe consegue aproximar-se dela (não sem antes ser chutado nas bolas), conhecer um pouco a garota e ver que compartilham dúvidas existenciais: vale a pena aquela vida de escola ("aquele zoológico"), festas e agir como todo mundo? "Bem chato, na verdade". Não que seja a castidade personificada: fuma com Joe na sala do pai e quando ele a deixa para ir ao quarto de Lanie, cede à investida de Hubbs.

Joe e Jill não poderiam terminar de outro modo: tal como ela, é um estranho no meio de "amigos babacas", faz coisas que talvez nem quisesse mesmo fazer: "bobeou, perdeu: se eu não fizer, Hubbs faz, ou Tack, ou outro cara".

Nesse zoo de tipos, outros merecem destaque. O policial Dean, saudosista da juventude com sua frase "vocês devem achar que eu sou um grande pé-no-saco". O bizarro balconista da loja de bebidas tem menos de 5 minutos de participação inesquecível ("Put a little insanity on your potato!", "Shake it, maaaan!"). O nerdão caseiro Norman, que só quer assistir Os Gatões e não ir pra festas, tem uma das melhores cenas com Tack e sua mãe superprotetora. E claro, o grupo de beberrões.

Fazer mais com menos

Exigir muito mais do que diversão é difícil, pois não foi uma grande produção. Baixo orçamento e atores quase desconhecidos, mas tinha aquela provocativa frase no material promocional "Melhor que Dazed and Confused".

Aliás, uma das cenas me cheira a forte provocação: quando a dupla chega à casa das garotas, Hubbs joga o cigarro no chão e pisa bem em cima de um capacho com aquele smile de Dazed and Confused. Coincidência?

capacho The Stoned Age

Não é brilhante. Se você não curtir temática juvenil, resta uma produção fraca, cheia de falhas de localização e continuidade. Numa cena, dá pra ver o reflexo da equipe na porta do forno. Edição sofrível, como no corte entre os dois urinando nas formas de gelo e a entrada das garotas na cozinha, quando os beberrões jogam Joe no jardim, e ele cai de costas, mesmo tendo sido jogado num mergulho, ou ainda nas "buffalo chicks" que estão ao lado do carro perto do final, e na tomada seguinte somem.

A trama supostamente se passa no fim dos anos 70, mas tem vários elementos dos anos 80 e até 90. Há veículos que não existiam até 79; a música Burning for You, do Blue Öyster Cult, é ouvida numa cena, mas só foi lançada em 1981. Sem falar da roupa dos dois, que lembra mais adolescentes do fim dos anos 80 e começo dos 90: o xadrez na cintura típico do grunge, as camisetas, pra mim nada faz pensar muito em "final dos anos 70". É difícil também aceitar que certos personagens sejam menores de idade, pois os atores tinham mais de 20 anos.

Mas o ano exato não influi, poderia ser 79 ou 84. Sempre pensei nele como anos 80, apesar da ausência de bandas do metal que estariam ali.

Trilha sonora

A trilha compensa a produção meia-boca. A listinha é nervosa, com destaque para o rock, mas também hits da disco music que surgem em cenas como a loja de bebidas e a festa do Muldoon (ouça as faixas aqui):

  • Black Sabbath – Paranoid
  • Focus – Hocus Pocus
  • Blue Öyster Cult – (Don't Fear) The Reaper
  • Montrose – Rock Candy
  • Foghat – Slow Ride
  • Blue Öyster Cult – Burnin' for You
  • Ivory Tower – Flying Blind
  • Ted Nugent – Cat Scratch Fever
  • Foghat – Drivin' Wheel
  • Larry Owens – Travel in Style
  • T.Rex – Get It On
  • Deep Purple – Highway Star
  • James Kalamasz & Alain Leroux – Country Fever
  • Wild Cherry – Play That Funky Music
  • KC & the Sunshine Band – I Like to Do It
  • The Trammps – Disco Inferno
  • B.T. Express – Do It ('Til You're Satisfied)
  • Simon Holland – Disco Dance Fever
  • Ole Georg – Visit Bavaria
  • G. Benhamou – Splendid
  • The Hungarian State Orchestra – Also Sprach Zarathustra

(Don't Fear) the Reaper é o tema central, tocado pelo menos em três momentos importantes. Primeiro na discussão inicial da dupla no carro, quando Hubbs insiste que é "música de bicha" e obriga Joe a tirar a fita. Depois, quando Joe e Jill chapam juntos e têm seu melhor momento da noite (ao menos antes do final); e no fim, na vitória moral de Joe. Buck Dharma e Eric Bloom, guitarrista e vocalista do Blue Öyster Cult, aparecem após os créditos como vendedores de camisetas piratas da banda.

É estranho que sendo situado nos anos 70, não tenha uma música sequer do Jefferson Airplane, já que China Kantner (que interpreta a Jill) é filha de dois integrantes do grupo, Paul Kantner e Grace Slick. Mais estranho é saber que originalmente não seria o Blue Öyster Cult a banda favorita de Joe, mas sim o Led Zepellin. Em vez de Don't Fear the Reaper, a música do lance com o olho seria In the Light; a música "de bicha" seria Tangerine. Mas como os valores para negociar direitos da banda era altíssimo, tiveram que buscar alternativas, que também passaram pelo The Who.

Não sei você que já assistiu, mas acho que ficou melhor com o BÖC mesmo.

Piadas recorrentes

O humor lembra Wayne's World, mas de um jeito menos exagerado na maioria dos personagens (Tack poderia estar em Wayne's World, na verdade). Tem piadas e frases repetidas, usando contextos para ficar engraçado. Os clichês do gênero são abusados, tipo o tímido que se deixa levar pelos amigo (pobre Snotrag é feito de gato e sapato por Tack) e policiais abobalhados comprando rosquinhas. A polícia é mostrada como a "corta-barato" de adolescentes que só querem beber e namorar.

O mais marcante dos bordões é o "just some dude", resposta padrão quando alguém pergunta sobre um cara. O oficial Dean aparece três vezes com seu "You kids probably think I'm a real butthead" e a recomendação de "ficar longe de problemas" (exceto na última aparição, quando prende todo mundo). Tem o lance de nunca ser citado o nome do assustador "Irmão do Crump". O garrafão de Schnaps (um tipo de licor de menta), carinhosamente chamado de "Schnapster", com seu sonoro "ding" quando leva um peteleco, circula até ser secado por Joe, constantemente lembrado por "fazer vomitar".

Ox 45 The Stoned Age
O policial Dean cortando o barato dos beberrões e jogando fora suas Ox 45.

A cerveja Ox 45 é o sentido da vida dos beberrões, que invadem o depósito para ter suas latas grandes (ao notar que roubaram a pequena, mandam Snotrag voltar e pegar das grandes), sendo consumida quase o tempo todo por Tack. Eles são tão ligados à bebida que após a cena da praia, Joe avista uma lata e sabe que o grupo está perto, como se fosse uma pegada.

Joe, por sinal, também tem momentos com ela: quando bate boca com o pai de Jill, ao levantar-se confiante do sofá, pega a cerveja, tipo seu espinafre. Também serve de bochecho após vomitar o Schnaps (fazia mesmo vomitar, afinal). Note ainda na cena da jacuzzi, que sua cueca samba-canção é cheia de desenhos do logo da bebida.

Voltei a assisti-lo semanas atrás, após anos. Lembrava da essência: dois "roqueiros", um tímido com princípios e um sacana impulsivo, tentando se dar bem com garotas de perfis parecidos. Lembrava que tinha uma impressão agradável sobre o final, em que o "bom-moço" (ou "bicha", segundo Hubbs) se saía bem, para os padrões dele. Não preciso me identificar pessoalmente com eles para me divertir, é uma história sobre adolescência, e isso todo mundo teve, sendo o garanhão, o tímido, a saidinha, o nerd ou a esquisita da turma.

Não se preocupe com o nome: apesar do "Stoned", tem pouquíssima coisa de chapado. Joe fica com aquele saco plástico pra cima e pra baixo até enfim fumar a erva na lata de Ox 45 com Jill, e é o único uso. De resto é só papo, cerveja e confusão. Não é filme de "adoração à maconha", ou coisa do gênero. Está mais pra adoração à cerveja, com direito ao cântico dos beberrões e as latas quase mágicas que Tack saca não se sabe de onde — ele é tipo a fadinha da cerveja. Também não é limitado ao sexo como tema principal (apesar da corrida por garotas e algumas cenas que não pude publicar aqui) tipo Porky's ou American Pie. Tem uma coisa diferente da chatice dos aborrecentes filmes escolares, uma mensagem de que não só os descolados se dão bem, mas que os esquisitos podem viver bem em seu mundo de esquisitices.

Numa entrevista em 2010 (portanto, quase 16 anos depois da filmagem), o diretor James Melkonian falou como imaginava o futuro dos personagens:

Eu presumo que Joe, Hubbs e Jill terminariam bem, sendo membros produtivos da sociedade, como muitos de nós que podem ter sido um tanto baderneiros na juventude. As coisas podem não ter ido tão bem para Tack e Lanie, mas espero que tenham ficado bem.

Como os personagens se virariam depois do desligar das câmeras no "show de Truman" deles? Tack? O rosto dele vai limpar algum dia. Hubbs? Já vi esse cara algumas vezes, e o final é sempre o mesmo: achar uma patroa e sossegar, pra quem sabe um dia relembrar pacificamente os "velhos tempos".

E penso que a dupla não andaria junta no Blue Torpedo por muito tempo, antes de Joe finalmente achar "Wajakauakawitz" "ou algo parecido" na lista telefônica. Afinal, o cara precisava de um "norte" na vida, e o grande olho estava cobrando, não o deixaria seguir na rotina stoner. Sem falar que a Jill era muito gatinha...

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